UFRRJ cria comissão para acompanhar impactos das mudanças climáticas
Grupo terá atuação nos campi de Seropédica, Nova Iguaçu e Três Rios e poderá recomendar medidas diante de eventos extremos
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) instituiu nesta sexta-feira (7) uma Comissão Permanente de Acompanhamento das Mudanças Climáticas. O grupo vai monitorar impactos de eventos climáticos sobre as atividades acadêmicas e administrativas da instituição.

A comissão atuará nos campi de Seropédica, Nova Iguaçu e Três Rios e poderá recomendar ações diante de situações que afetem a rotina universitária. A medida ocorre enquanto um protocolo institucional considera os possíveis efeitos do El Niño previsto para 2026 e 2027.
Nova comissão
A universidade já mantinha um Comitê Extraordinário de Acompanhamento das Mudanças Climáticas, criado em janeiro de 2024. A nova estrutura passa a ter caráter permanente e mantém atribuições relacionadas ao monitoramento climático e à orientação da administração universitária.
Entre as funções estão a análise de estudos científicos e indicadores produzidos por instituições nacionais, regionais e internacionais. A comissão também poderá organizar eventos científicos e emitir recomendações diante de impactos climáticos considerados relevantes.
O grupo é presidido pelo professor Andrews José de Lucena e reúne outros seis integrantes dos institutos de Geociências, Multidisciplinar, Florestas e Três Rios.
Protocolo climático
O protocolo elaborado pela comissão estabelece medidas para enfrentar os efeitos associados ao El Niño 2026/2027. O documento cita dados de órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Segundo o protocolo, os modelos analisados apontam mais de 90% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o verão-outono de 2027. O documento também indica maior probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre de 2026.
Para o Sudeste, a comissão aponta possibilidade de períodos mais longos de temperaturas elevadas e irregularidade na distribuição das chuvas. O protocolo considera possível a ocorrência de temperaturas próximas dos 40°C na região.
Medidas previstas
Entre as medidas propostas está a instalação e manutenção de equipamentos de climatização em salas de aula e outros ambientes de estudo e trabalho. O documento também recomenda ampliar a infraestrutura de acesso à água nos campi.
No campus Seropédica, a comissão propõe reduzir os intervalos dos ônibus de circulação interna ou manter o serviço nos três turnos. O protocolo também sugere a construção de abrigos cobertos nos pontos de ônibus.
Flexibilização
O protocolo prevê ainda a possibilidade de flexibilizar aulas e atividades administrativas quando órgãos oficiais emitirem recomendações relacionadas a calor extremo ou chuvas intensas.
A medida dependerá de situações que comprometam de forma significativa a mobilidade da comunidade universitária. A comissão afirma que acompanhará as recomendações oficiais para auxiliar a administração em decisões relacionadas aos eventos climáticos.
O documento também recomenda ampliar áreas de sombra, arborização e estruturas de proteção nos espaços externos. A proposta considera a distância entre os prédios do campus Seropédica e os deslocamentos realizados pela comunidade acadêmica.
Alertas
A comissão deverá acompanhar alertas da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, do Sistema Alerta Rio e do Centro de Operações e Resiliência (COR) da cidade do Rio de Janeiro.
Segundo o protocolo, esses sistemas podem fornecer informações para a tomada de decisões relacionadas aos campi de Seropédica e Nova Iguaçu.
A estrutura também poderá propor palestras e eventos científicos para discutir os efeitos das mudanças climáticas sobre a sociedade e o ambiente universitário.
Aulas inaugurais
A retomada do período letivo 2026.2 também terá atividades dedicadas ao tema. Em Seropédica, a programação de 10 de agosto inclui uma aula inaugural sobre os desafios da crise climática e uma palestra sobre emergência climática.
Em Nova Iguaçu, a aula inaugural será em 11 de agosto, com discussão sobre o papel da ciência diante da crise climática global. Em Três Rios, a programação de 13 de agosto abordará os desafios da ciência diante das transformações climáticas.
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