Submarino Humaitá, feito em Itaguaí, faz primeiro deslocamento internacional rumo à Argentina
Segundo submarino da classe Riachuelo participa do exercício Fraterno XXXIX com a Marinha argentina, em meio a tensões diplomáticas entre os dois países
O submarino Humaitá (S41), da Marinha do Brasil, iniciou o seu primeiro deslocamento internacional rumo a águas territoriais argentinas, onde participará do Exercício Fraterno XXXIX, manobra naval bilateral que começa no dia 13 de agosto e se estende por cerca de doze dias entre as bases de Puerto Belgrano e Mar del Plata.

A operação marca um fato inédito para a força submarina brasileira: é a primeira vez que um submarino da classe Riachuelo — projeto francês Scorpène adaptado e construído no Brasil — opera em águas estrangeiras desde que o tipo entrou em serviço. O feito ganha contornos simbólicos para Itaguaí, cidade que abriga tanto o estaleiro onde o submarino foi construído quanto a base onde é sediado.
Feito em Itaguaí
O Humaitá foi integralmente construído pela Itaguaí Construções Navais (ICN), empresa criada em 2009 no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), parceria estratégica entre Brasil e França para a transferência de tecnologia dos submarinos convencionais da Naval Group.
Comissionado em janeiro de 2024, o S41 é o segundo submarino da classe Riachuelo e tem como base de operações a Base de Submarinos da Ilha da Madeira (BSIM), complexo militar instalado no litoral de Itaguaí. Da projeção à operação, o submarino nasceu, foi mantido e parte da cidade — o que coloca Itaguaí no centro do programa submarino brasileiro.
Com propulsão diesel-elétrica, o Humaitá é descrito por especialistas como um meio moderno, silencioso e de difícil detecção, características que o tornam peça-chave para o adestramento antissubmarino — uma das tarefas centrais do exercício que realiza com a Armada argentina.
Porque treinar longe de casa
Para a Marinha do Brasil, o desdobramento internacional tem valor que vai além do simbolismo. Operar fora das águas nacionais obriga a tripulação a:
- Planejar navegação de longa distância, sem o apoio logístico existente na base de Itaguaí;
- Treinar operações em águas estrangeiras, com regras e condicionantes próprias;
- Provar a maturidade do meio em condições adversas e em ambiente desconhecido.
Em síntese, como observa um especialista em estratégia naval, o funcionamento no exterior, em condições adversárias, ajuda a transformar um submarino em um meio de dissuasão, pronto para servir ao bem da nação.
Marco para Itaguaí e para o Prosub
Para a região de Itaguaí, o desdobramento reafirma o papel da cidade como centro da indústria de defesa submarina do país. O estaleiro ICN já entregou os dois primeiros submarinos da classe Riachuelo — o Riachuelo (S40) e o Humaitá (S41) — e prossegue com a construção das demais unidades do programa, além do submarino nuclear brasileiro, em curso no mesmo complexo.
Para a Força de Submarinos, sediada na Ilha da Madeira, a operação na Argentina coroa um ciclo: o Humaitá deixa pela primeira vez as águas brasileiras para demonstrar, em alto-mar, a capacidade operativa que nasceu — estaleiro e base — em solo itaguaiense.
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