Censo Escolar registra maior presença de estudantes em tempo integral no Brasil

Levantamento reúne dados sobre acesso, permanência e infraestrutura escolar

O Censo Escolar 2025 registrou o maior percentual de estudantes em tempo integral na educação básica brasileira dos últimos anos. O levantamento do Inep contabilizou cerca de 46 milhões de matrículas em 178,8 mil escolas públicas e privadas. Os dados mostram mudanças recentes na organização da jornada escolar e na distribuição das matrículas no país.

Ensino fundamental reúne 25,8 milhões de matrículas e segue como a maior etapa da educação básica brasileira. (Foto: Divulgação / Ministério da Educação)

Segundo o Censo Escolar, as matrículas em tempo integral na rede pública atingiram 25,8% em 2025. O percentual cresceu 10,7 pontos percentuais em relação a 2021. O índice ficou acima do patamar previsto na Meta 6 do Plano Nacional de Educação. No ensino médio, a participação chegou a 26,8%.

Expansão do tempo integral

As matrículas com jornada ampliada cresceram em todas as etapas da educação básica. O tempo integral considera carga mínima de sete horas diárias ou 35 horas semanais.

Parte da expansão ocorreu após a criação do Programa Escola em Tempo Integral em 2023. O programa apoia redes públicas que ampliam a jornada escolar. Os resultados refletem mudanças recentes nas redes estaduais e municipais. Muitas escolas reorganizaram turmas e horários para atender ao novo formato.

Ensinos

A educação infantil registrou aumento no acesso a creches. O atendimento alcançou 41,8% das crianças de até três anos, abaixo da meta de 50% do Plano Nacional de Educação. O levantamento aponta a criação de 48,5 mil vagas em creches e pré-escolas ao longo do ano. Estados e municípios concentram a maior parte da oferta nessa etapa.

O ensino fundamental reuniu 25,8 milhões de matrículas em 2025 e permanece como a maior etapa da educação básica. Dados da PNAD indicaram frequência escolar de 99,5% entre estudantes de 6 a 14 anos. A taxa foi de 99,6% entre crianças de 6 a 10 anos e de 99,4% entre adolescentes de 11 a 14 anos. Os números indicam manutenção do acesso próximo da universalização.

No terceiro ano do ensino médio, a distorção idade-série caiu de 27,2% em 2021 para 14% em 2025. O indicador mede a diferença entre a idade do estudante e a série frequentada.

Programas de permanência escolar foram adotados nos últimos anos. Estudantes inscritos no Cadastro Único passaram a receber incentivo financeiro por meio do programa Pé-de-Meia. Mais de 5,6 milhões de alunos participaram desde sua criação.

Educação profissional e especial

A educação profissional registrou 3,1 milhões de matrículas em cursos técnicos em 2025, o maior volume da série. A participação de estudantes do ensino médio público em cursos técnicos passou de 11,5% em 2021 para 20,1% em 2025.Os cursos técnicos são ofertados de forma integrada ou concomitante ao ensino médio. A modalidade também inclui a educação de jovens e adultos.

A educação especial registrou 2,5 milhões de matrículas em 2025, crescimento de 82% em relação a 2021. O atendimento educacional especializado alcançou 49,7% dos estudantes, o maior percentual já registrado. O levantamento indica ampliação do atendimento nas redes públicas, sem detalhar a distribuição regional.

Distorção idade-série e conectividade nas escolas

A distorção idade-série diminuiu entre 2021 e 2025 nas redes públicas. No ensino fundamental, a taxa caiu de 15,6% para 11,3%. No ensino médio, o índice passou de 27,9% para 17,6%. O atraso escolar permanece maior entre estudantes que se declaram pretos ou pardos. A diferença aparece em todas as etapas analisadas.

O acesso à internet nas escolas aumentou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025. A expansão ocorreu após a criação da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, em 2023. O percentual de escolas com conectividade adequada para atividades pedagógicas chegou a 70%. Em 2021, o índice era de 45%.

Base para políticas educacionais

O Censo Escolar reúne informações sobre alunos, professores e escolas da educação básica. O Inep realiza o levantamento anualmente e utiliza os dados para monitorar políticas educacionais e orientar a distribuição de recursos federais.

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José Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e integra a equipe do Jornal Atual como estagiário.

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