Imigração japonesa é destaque na Expo Itaguaí
Mostra do Centro de Memória reúne acervo histórico e atividades interativas sobre a presença da comunidade na Costa Verde
A Expo Itaguaí 2026 recebe, até domingo (5), a exposição “A Presença dos Japoneses na Região da Costa Verde”, organizada pelo Centro de Memória dos Povos Originários e Tradicionais da Costa Verde. Instalada na Casa de Garrafas de Vidro, no Espaço Agro, a mostra destaca a contribuição da colônia japonesa em Itaguaí para o desenvolvimento da região. O espaço funciona das 18h às 22h até sexta-feira e das 14h às 22h no sábado e domingo.

Na quarta-feira (1º), o Jornal Atual visitou a exposição e acompanhou a mediação do historiador Washington Kirk, especialista na história de Itaguaí. Durante a visita, ele explicou ao público como ocorreu o processo de imigração japonesa, apresentou registros das famílias pioneiras e detalhou as atividades culturais e interativas preparadas para aproximar visitantes de diferentes idades da história da comunidade no município.

Trajetória da imigração japonesa
Logo na entrada, os visitantes encontram painéis que contam a história da imigração japonesa em Itaguaí. Segundo Washington Kirk, a exposição acompanha a trajetória das primeiras famílias desde sua chegada ao município, em 1939, passando pelo período em que se estabeleceram no Vale do Mazomba e impulsionaram o desenvolvimento agrícola da região entre as décadas de 1930 e 1960.
O acervo reúne documentos, fotografias históricas e informações sobre famílias que participaram da formação da colônia japonesa em Itaguaí. Entre elas estão sobrenomes tradicionais, como Fukamati, Kajishima, Okazaki, Matsunaga e Iwanaga, além de outros núcleos familiares que ajudaram a consolidar a presença japonesa no município ao longo das décadas.

Um dos destaques da mostra são os relatos pessoais de descendentes dessas famílias, apresentados em banners com fotos e depoimentos escritos em primeira pessoa. Neles, moradores contam suas trajetórias, a história de suas famílias e a relação que construíram com Itaguaí e com a comunidade de Mazomba ao longo das gerações.
Atividades
Além da exposição histórica, o espaço oferece atrações voltadas para diferentes públicos. Os visitantes podem participar do troca-troca de livros, conhecer a árvore Tanabata — inspirada no tradicional Festival das Estrelas do Japão —, utilizar um camarim cosplay com vestimentas típicas para fotografias e experimentar uma visita virtual a Tóquio por meio de óculos de realidade virtual.

As oficinas de escrita japonesa e origami também integram a programação no final de semana, dias 4 e 5, ampliando as atividades culturais disponíveis durante a Expo Itaguaí. A proposta é apresentar aspectos da cultura japonesa de forma acessível e incentivar o contato das novas gerações com essa história.
Para Washington Kirk, a experiência em realidade virtual costuma despertar a curiosidade do público. “Você coloca os óculos e vai direto para Tóquio, nem precisa de passaporte.”, disse o historiador.

Maior colônia japonesa do estado
A exposição também destaca a presença atual da comunidade japonesa em Itaguaí. Hoje, cerca de 470 famílias, que somam aproximadamente 2.500 pessoas, vivem no município, formando a maior colônia japonesa do estado do Rio de Janeiro.
Ao longo das últimas décadas, os descendentes diversificaram suas atividades econômicas. Além da agricultura em Mazomba, a comunidade atua na pesca artesanal, no comércio e em diferentes setores da economia local. A exposição busca preservar a memória de um grupo que contribuiu para a formação histórica e cultural de Itaguaí.

Durante toda a Expo Itaguaí 2026, a mostra permanece aberta ao público com entrada gratuita, oferecendo uma oportunidade para conhecer a história da imigração japonesa e sua influência no desenvolvimento da Costa Verde.
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