Feminicídios batem recorde no Brasil; violência cresce no RJ
Anuário aponta alta dos crimes contra mulheres e mostra que o Rio de Janeiro registrou aumento nas mortes violentas, na contramão da tendência nacional
Feminicídios atingiram o maior número da série histórica no Brasil em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (23). O levantamento registrou 1.571 feminicídios, alta de 4% em relação a 2024, o equivalente a uma média de mais de quatro mulheres mortas por dia.

No mesmo período, o país alcançou o menor índice de mortes violentas intencionais desde 2012, enquanto o Rio de Janeiro seguiu na direção oposta, com alta de 2,1% no indicador.
Violência contra mulheres cresce
A violência contra mulheres avançou em diversos indicadores ao longo de 2025. As tentativas de feminicídio aumentaram 5,9%, chegando a 4.189 registros — quase três tentativas para cada feminicídio consumado.
Os casos de violência psicológica cresceram 17%, assim como o descumprimento de medidas protetivas. Os registros de stalking aumentaram 30%. As ameaças tiveram alta de 0,5% e as agressões decorrentes de violência doméstica cresceram 2,6%.
A série histórica mostra tendência de crescimento desde a tipificação do feminicídio, em 2015, quando o país registrou 449 vítimas — hoje o maior número já contabilizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Rio de Janeiro na contramão
Enquanto o Brasil registrou redução nas mortes violentas intencionais, o Rio de Janeiro apresentou aumento: a taxa estadual passou de 22,1 para 22,6 mortes por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025.
O estado está entre as sete unidades da federação que tiveram alta no período, junto com Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
No cenário nacional, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, redução de 8,2% em relação às 44.127 do ano anterior. Pela primeira vez, a taxa nacional ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes, atingindo 19,1.
A categoria reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenção policial e policiais mortos em serviço ou fora dele.
Outros indicadores chamam atenção
As mortes decorrentes de intervenção policial subiram 5,4%, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%.
Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%, e os casos de bullying e cyberbullying entre crianças e adolescentes aumentaram mais de 60%.
O sistema prisional chegou a 964 mil pessoas privadas de liberdade, alta de 6% em relação ao ano anterior — mantida essa tendência, o país pode ultrapassar a marca de um milhão de presos até 2027.
O Brasil possui 2,1 milhões de pessoas e empresas autorizadas a portar armas de fogo, das quais cerca de um milhão são registros de Caçadores, Atiradores e Colecionadores; aproximadamente três em cada dez armas cadastradas estão com registro vencido.
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