UFRRJ amplia ações contra violência de gênero

Em parceria com o Ministério das Mulheres, universidade prepara especialização para profissionais que atuam na rede de proteção

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) ampliou as ações de formação voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres em parceria com o Ministério das Mulheres. A iniciativa foi destacada durante um evento pelos 20 anos da Lei Maria da Penha, celebrados em 7 de agosto, e já alcançou profissionais de cinco estados.

Maria Ivone (à direita), pró-reitora de Extensão da UFRRJ, participou do evento em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha (FOTO CCS/UFRRJ)

Por meio da Pró-Reitoria de Extensão (Proext), a UFRRJ realizou oito atividades formativas até julho de 2026, com equipes da Casa da Mulher Brasileira, dos Centros de Referência e da Central Ligue 180 em Sergipe, Amapá, Paraná, Pará e Goiás.

Formação da rede

As atividades são voltadas a profissionais que atuam no acolhimento, atendimento e encaminhamento de casos de violência. A proposta é aproximar a formação oferecida pela UFRRJ  das necessidades encontradas nos serviços especializados.

A cooperação também prevê a criação da Especialização em Políticas Públicas e Enfrentamento à Violência de Gênero. A UFRRJ e a equipe do Ligue 180 estão estruturando o curso por meio da Escola de Extensão da Proext.

A formação terá 360 horas e previsão de 250 vagas. O curso será direcionado a profissionais que trabalham no atendimento e deverá ampliar as possibilidades de qualificação continuada nessa área.

Demanda por proteção

A necessidade de profissionais preparados também aparece no volume de medidas protetivas solicitadas no país. Dados do Ministério das Mulheres apontam 532.815 movimentações relacionadas a medidas protetivas de urgência no primeiro semestre de 2026.

As medidas protetivas podem ser concedidas mesmo sem boletim de ocorrência, inquérito policial ou ação judicial. A legislação prevê sua aplicação diante de situações que representem risco à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da mulher e de seus dependentes.

Cenário nacional

O feminicídio permanece entre as formas mais graves de violência contra as mulheres. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública registraram 848 vítimas entre janeiro e julho de 2026.

O número integra o monitoramento nacional realizado pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, em articulação com órgãos federais e estaduais. Os registros reforçam a necessidade de ações de prevenção, proteção e responsabilização dos autores.

20 anos da lei

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) estabeleceu mecanismos específicos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher. A norma também criou medidas de proteção às vítimas.

Ao longo de duas décadas, a legislação recebeu alterações para ampliar os instrumentos de proteção e responsabilização. Entre as mudanças recentes está a previsão da monitoração eletrônica de agressores como medida protetiva autônoma.

A lei também consolidou a necessidade de articulação entre diferentes setores para o atendimento dos casos. A rede envolve serviços especializados e órgãos das áreas de segurança, Justiça, saúde e assistência social.


Leia também:

UFRRJ inicia I Semana Mulheridades nesta segunda-feira (24)

Ex-assessor do presidente da Câmara de Seropédica é morto a tiros

Concurso: UFRRJ abre vagas para técnico-administrativos

Jose Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atua como crítico de cinema, jornalista cultural e repórter estagiário do Jornal Atual.

Matérias relacionadas

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo



Maria Ivone (à direita), pró-reitora de Extensão da UFRRJ, participou do evento em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha (FOTO CCS/UFRRJ)