quarta-feira, maio 18, 2022
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Jornalista lança livro com detalhes do caso Henry, crime que chocou o Brasil

Em entrevista exclusiva ao ATUAL, a jornalista Paolla Serra conta que dedicou oito meses de entrevistas e análise de milhares de documentos para compor um retrato completo do caso

No dia 9 de dezembro de 2021, a jornalista, escritora e advogada Paolla Serra, lançou o livro Caso Henry – Morte anunciada, que coloca uma lupa na investigação e revela detalhes do evento que culminou na morte do menino Henry Borel Medeiros, de apenas quatro anos de idade, no dia 8 de março de 2021, e chocou o país. Pois o suposto algoz da criança seria o vereador em quinto mandato, Dr. Jairinho, membro de uma família poderosa de políticos do Rio de Janeiro.

Foi Paolla quem publicou a primeira reportagem na imprensa sobre o caso. Ela acompanhou cada passo da investigação, fez mais de 200 reportagens nos jornais “O Globo” e “Extra” e agora, no seu livro, apresenta com incrível riqueza de detalhes os bastidores do crime, uma trama que mistura romances, vaidade, conflitos, dinheiro, poder e violência.

A autora enviou respostas ao ATUAL nesta quarta-feira |(19), via rede social. Ela fala de suas motivações, métodos e dificuldades para escrever o livro. Confira:

Qual foi a motivação para escrever um livro sobre um caso que ainda não teve um desfecho?

Paolla Serra: Após mergulhar de cabeça nessa história, o que me motivou foi a busca incessante pela verdade. Desde o início da cobertura, em março de 2021, percebi a complexidade dessa trama que envolve relações familiares, dinheiro, poder e, infelizmente, violência, e resolvi me debruçar para trazer luz a elucidação da morte de uma criança saudável e amável.

Como escrever sobre um assunto tão comovente e manter a imparcialidade?

PS: O livro é o resultado de uma investigação jornalística, justamente centrada na busca da exatidão dos acontecimentos, sem espaço para distorções, e no compromisso inegociável com a verdade.

Que fato mais chamou a atenção nessa história toda?

PS: Como repórter, estava participando de uma reportagem na Barra da Tijuca e fiquei sabendo da morte de Henry Borel Medeiros, em circunstâncias no mínimo suspeitas. Nos dias posteriores, consegui o registro de ocorrência e o laudo de necropsia, que foram analisados por peritos que atestaram que havia sinais claros de violência. A partir daí, acompanhei de perto o desenrolar das investigações e, desde então, minha angústia sempre foi entender a suposta participação de Jairinho e Monique nos crimes a eles imputados.

A capa do livro: autora manteve contato com importantes personagens que participaram da investigação do crime e analisou documentos para desvendar pontos obscuros (Reprodução internet)

Qual foi a sua maior dificuldade?

PS: Foram oito meses de trabalho ininterruptos, que incluiu a leitura de mais de 1.500 páginas de documentos, exame de mais de 50 mil arquivos digitais, mais de 200 entrevistas que fiz pessoalmente, por telefone e por meio de redes sociais e incontáveis idas à delegacia, ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça. A maior dificuldade foi justamente desvendar a trama e o papel dos personagens envolvidos na vida e na morte do menino Henry.

Que tipo de apoio você recebeu para escrever essa história?

PS: Para desvendar essa trama, recorri a fontes de primeira mão, isto é, de quem teve participação direta no caso: investigadores, médicos, peritos, pais, advogados, parentes, funcionários, entre outros. Todos esses me ajudaram a contar essa história.

Após ter escrito o livro, como você lida com o caso?

PS: Na etapa apresentada no livro, o trabalho de investigação tinha chegado ao fim e teve início o julgamento do caso, que tem prazo incerto para terminar. Ao que parece, no primeiro semestre desse ano, em meio a uma infinidade de possibilidades de complicações jurídicas, sete jurados que constituem o Conselho de Sentença devem determinar se Jairinho e Monique são inocentes ou culpados pelos crimes. E eu continuarei a acompanhar o desenrolar dessa história.

Sua experiência como jornalista ajudou na elaboração desse trabalho?

PS: Sim, há mais de uma década atuo em Segurança Pública e Justiça Criminal como repórter e editora da “Revista Época” e dos jornais “O Globo” e “Extra”. Costumo participar da cobertura de casos que envolvem violência.

Sentiu medo, em algum momento, de mergulhar nesse caso?

PS: Não. Como falei, a busca incessante pela verdade sempre me motivou a contar essa história. E, em um trabalho feito com ética e respeito a todos, por que eu haveria de ter medo?

O que mudou na sua vida ao concluir o livro?

Escrever sobre isso tudo me fez ter a sensação de dever cumprido por mostrar à sociedade um trabalho feito seguindo à risca o manual do bom jornalismo.

Tem algum projeto futuro?

PS: Continuar revelando fatos e contando histórias relevantes para a sociedade.

SERVIÇO:

Título: Caso Henry – Morte anunciada
Autora: Paolla Serra
Editora: Máquina de Livros
Preço: R$ 44,90 (impresso) e R$ 31,90 (e-book)
Páginas: 240
Gênero: Crimes reais, Jornalismo

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