quarta-feira, janeiro 26, 2022
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Abertura em ritmo acelerado

Deixando de lado o tom solene que marca solenidades do gênero, Câmara Municipal de Mangaratiba inicia período legislativo com pauta cheia e a presença do prefeito Alan Costa 

Os sucessivos abalos políticos ocorridos em Mangaratiba nos últimos anos, com a cidade colecionando cinco prefeitos num período de apenas seis anos, provocou uma aguda consequência na continuidade da gestão, implicando sérios problemas administrativos, como acentuou o prefeito Alan Costa, em sua inesperada participação na solenidade de abertura do primeiro período legislativo de 2019, realizada em sessão da Câmara Municipal de Mangaratiba (CMM), na terça-feira (19).

Como estratégia para acelerar ações de modo a oferecer respostas mais rápidas a uma população que clama por atenção do poder público, tanto o Legislativo quanto o Executivo optaram por deixar de lado as formalidades típicas das solenidades de abertura de períodos legislativos e preferiram protagonizar, na CMM, uma sessão ordinária em que emergiram indicações, projetos de leis, análises de prestações de contas e, também, o estabelecimento de compromissos de parte a parte.

O prefeito Alan Costa fez um apelo aos vereadores em favor de projetos que estimulem a criação de empregos, segundo ele, uma das mais aflitivas situações que a cidade vive, razão de inúmeras abordagens com que se depara durante suas caminhadas nas ruas. Ele criticou uma antiga prática cultivada na região, segundo a qual os prefeitos não investem na qualificação de mão de obra local, preferindo manter contingentes de pessoas na exclusiva dependência de empregos na prefeitura (veja entrevista).

Numa longa solenidade, de quase quatro horas, os vereadores se multiplicaram em elogios à presença do prefeito, apostando que sua decisão abre novas perspectivas de diálogo entre os dois poderes, abrindo caminho para a vigência de uma nova era na administração pública municipal. “Se a gente não conseguir mudar esse município junto, a gente vai se dar mal”, concordou o prefeito, que durante a solenidade se dividiu entre despachos com assessores, atenção a populares, afagos aos parlamentares e um duro discurso em que criticou chagas como construções irregulares e desordem urbana.

O presidente da CMM, vereador Carlos Alberto Ferreira Graçano, o Charles da Vídeo Locadora, valeu-se de bom humor ao convidar o prefeito para compor a mesa, “ao seu ladinho”, numa discreta cadeira posicionada ao seu lado. Depois, em tom protocolar, falou sobre a importância da presença do prefeito, sem deixar de acentuar que o Poder Legislativo não vai abrir mão de seu papel de apresentar cobranças e fiscalizar as ações do Executivo.

ENTREVISTA: Prefeito Alan Costa


FOTO WELINGTON CAMPOS

“Tenho de fazer cumprir as leis”

Prefeito Alan Costa fala ao ATUAL sobre as prioridades num momento em que os problemas se somam, exigindo jogo de cintura no exercício do poder

ATUAL – O que significa sua presença aqui nessa sessão de abertura?

Prefeito Alan Costa – Não estava prevista a minha vinda. Eu estava na rua, mas resolvi vir porque a situação da cidade exige diálogo entre os poderes, com relação a empregos, por exemplo. O meu olhar aqui é de família pela cidade, venho como pai, como um popular, com a disposição de uma pessoa preocupada com a cidade.

O que o preocupa especialmente?

Há uma cobrança muito grande nas ruas por causa dos empregos. Tenho presenciado uma coisa muito agressiva nas ruas, com as pessoas querendo ajuda para conseguir emprego. E não temos condição de contratar, pois tenho que cumprir a lei.

A situação é difícil, então…

O município sem estabilidade, com vários prefeitos seguidos em pouco tempo, causou um desgaste muito grande, que se somam em vários problemas.

Qual a sua impressão na chegada ao Legislativo?

Gostei de ver vereadores apresentando indicações interessantes, demonstrando preocupação com a cidade.

Estamos num período de chuvas, que trouxe problemas para a cidade. Essa pauta também está na agenda?

Como sou bombeiro, tenho foco na prevenção. E nesse sentido, estou alarmado com a quantidade de imóveis em áreas de risco, muitas irregulares.

O governador já se manifestou disposto a interagir com prefeitos dispostos a enfrentar o desafio de combater ocupações irregulares. O senhor vai seguir esse caminho?

Precisamos fazer as pessoas entenderem esse novo momento, que no meu caso é o de fazer cumprir as leis. Cumprir as leis machuca, mas como prefeito tenho que orientar a população. E as pessoas têm de colaborar para mudar essa cultura de ocupações irregulares. Eu tenho que fazer cumprir as leis e respeitar as famílias de Mangaratiba.

Esse chamamento vai incluir o Legislativo?

Venho também chamar os vereadores para mais reuniões, com o interesse de acertar, sem interesses políticos. Peço que eles não tratem a atualidade sob a ótica do posicionamento político. Isso deve ficar para outro momento.

O que é importante agora?

Com as constantes trocas de prefeito não houve continuidade de gestão, o que afastou empresários da cidade. E uma cidade que não é planejada não é bem governada.

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