Povos tradicionais da CV se reúnem em Itacuruçá para preservar cultura e territorialidade
Encontro na quinta (25) e sexta (26) reuniu caiçaras, indígenas, pescadores e quilombolas de comunidades dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo
Denominado Festival Territórios Vivos (FTV), um grande encontro que se estendeu da quinta-feira (25) até a sexta-feira (26), em Itacuruçá, marcou mais uma agenda de comunidades caiçaras, indígenas, de pescadores e de quilombolas das cidades de Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty, no Rio de Janeiro; e de Caraguatatuba, Ilha Bela, São Sebastião e Ubatuba, em São Paulo.

Múltiplas atividades
Iniciativa do Fórum de Comunidades Tradicionais, as edições do FTV são momentos destinados a celebrar a cultura, a ancestralidade e a resistência de povos e comunidades tradicionais. São defesas presentes em encontros e atividades em diferentes datas pelo estado do Rio de Janeiro, incluindo oficinas, feiras de sociobiodiversidade, rodas de conversa, palestras e apresentações artísticas.
Saberes ancentrais
Coordenador do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTTS), que apoia a iniciativa através de parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Hugo Vilela falou ao Jornal Atual. Ele disse que a ideia do FTV é a de valorizar a cultura dos povos tradicionais. Para ele, o foco é a própria existência e a defesa de seus territórios, reconhecendo saberes ancestrais que lhes servem de inspiração.

Pescadores presentes
Presidente da Associação dos Pescadores, Maricultores e Lazer do Sahy, em Mangaratiba, Nilton Machado é um dos participantes. Para ele, a integração dessas comunidades em torno de propostas sólidas e coerentes é fundamental para que cada uma delas encontre o seu espaço. Ainda segundo ele, é um debate essencial para garantir melhores condições de vida para cada um de seus integrantes.
Diálogo fundamental
Hugo Vilela salientou que a OTTS atua com foco em sete eixos. Eles incluem cultura, pesca artesanal, agroecologia, turismo de base comunitária, educação diferenciada, saúde integral das comunidades e saneamento ecológico. “Esse diálogo entre as comunidades é fundamental na construção de marcos legais que garantam sua permanência nos territórios”, acentuou o líder comunitário.

Defesa do território
Um dos temas em destaque na agenda do encontro foi a discussão sobre a titularidade e posse de terras na região. Trata-se de uma questão complexa que exige suporte técnico e parceria com entidades como o Ministério Público Federal. Assim, busca-se assegurar o reconhecimento do uso tradicional de terras sobrepostas e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à mitigação de impactos socioambientais de grandes empreendimentos na região.
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