UFRRJ celebra Dia do Jornalista com debate sobre ética na profissão
Evento promovido pelo Caco reuniu profissionais e docentes para discutir desafios contemporâneos da prática jornalística
O Centro Acadêmico de Comunicação Social (Caco) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), organizou nesta quarta-feira (8), um evento ligado ao Dia do Jornalista, comemorado em 7 de abril. O encontro foi realizado no Auditório do Pavilhão de Aulas Teóricas do campus Seropédica, e abordou o tema “Ética jornalística em tempos de polarização”.

A mesa contou com a participação de Thais Fascina, editora de Internacional da GloboNews; Ana Lúcia Araújo, fotojornalista do projeto Mulheres 50 Mais e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing; e Débora Lerrer, jornalista e professora da UFRRJ. A mediação do debate ficou por conta de José Ferrão, também professor do curso de jornalismo da UFRRJ.
Ética no fotojornalismo
Ana Lúcia Araújo conduziu sua fala a partir de experiências práticas na cobertura de eventos, tragédias e manifestações políticas. Ela destacou o papel da imagem na construção de narrativas e alertou para a responsabilidade do jornalista ao registrar situações sensíveis. Ao orientar os estudantes, ela explicou que, em muitos casos, a ética exige contenção. “Em muitos momentos, você vai ter que abaixar a câmera e saber respeitar a situação”, enfatizou ela.

Ana Lúcia ampliou a reflexão ao comentar o uso de imagens de violência e miséria. “Não adianta querer esconder o que já existe no mundo. É preciso falar da fome, mas sem explorá-la. Porque, se não falarmos, não há políticas públicas, não há apoio do Estado. Quando um jornal coloca uma foto de uma operação policial na capa, o governador, o prefeito, as autoridades, todos terão que se pronunciar”, afirmou.
O poder das narrativas
Débora Lerrer trouxe ao debate reflexões sobre a construção de narrativas na imprensa. A professora apresentou o caso analisado em seu livro “De como a mídia fabrica e impõe sua verdade: a “degola” do PM pelos sem-terra em Porto Alegre”. A obra se refere à cobertura de um crime atribuído, de forma equivocada, a integrantes de um movimento social.

Ela explicou como veículos de comunicação difundiram a versão inicial e, posteriormente, a própria imprensa desmentiu a informação em canais alternativos. O episódio, segundo Débora, ilustra como o jornalismo pode reforçar interpretações e influenciar a opinião pública. A pesquisadora também destacou que o contexto institucional das redações influencia escolhas, enquadramentos e a forma como os fatos chegam ao público.
Cobertura internacional
Thais Fascina apresentou reflexões a partir de sua experiência como editora de Internacional. Ela abordou a cobertura de conflitos, política e direitos das mulheres, além de compartilhar pontos de sua pesquisa de mestrado sobre violência política de gênero. A jornalista destacou a importância de ouvir diferentes espectros políticos na produção de reportagens, e que a diversidade de fontes amplia a compreensão dos fenômenos.

Ao tratar da exibição de imagens de guerra, Thais detalhou os dilemas enfrentados nas redações e o impacto dessas decisões. “Quem é editor recebe muitas imagens brutas, principalmente quando se trata de guerra. Se você tivesse me perguntado há alguns anos, eu diria que as imagens mais chocantes foram as da Síria. Havia toda uma questão sobre colocar ou não isso no ar. Naquele momento, optamos por não colocar. Mas depois da Síria veio Gaza, e aí foi uma destruição completa.”, relatou.
Formação crítica na universidade
Estudante de jornalismo da UFRRJ e coordenador de Eventos e Cultura do Caco, Luiz Miguel Kurtz destacou a relevância de promover debates como esse dentro da universidade. Em entrevista ao Jornal Atual, contou que a iniciativa busca manter os estudantes engajados, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela instituição. Ele explicou como a escolha do tema responde a uma das principais questões da profissão atualmente.
“A escolha do tema veio da necessidade de abordar um dos maiores desafios para um jornalista hoje, principalmente em ano eleitoral. Nesse caso, questões de ética aparecem constantemente em nosso dia a dia”, disse Luiz Miguel. Segundo ele, o espaço universitário contribui para a formação de profissionais mais críticos e responsáveis. A organização do Caco avalia que o evento conseguiu aproximar teoria e prática e fortaleceu o debate sobre o papel social do jornalismo.
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