ALERJ elege novo presidente, que deve assumir governo do Rio
Eleição de Douglas Ruas foi marcada por boicote da oposição e questionamentos na Justiça
A eleição do deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quinta-feira (26), ocorre em um dos momentos mais delicados da política fluminense nos últimos anos. Mais do que uma mudança administrativa no Legislativo, a escolha está diretamente ligada à crise sucessória aberta após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL).

Ruas, que havia sido anunciado como pré-candidato a governador em fevereiro, foi eleito com 45 votos, e assume o comando da Casa em um cenário marcado por vacâncias e investigações que alteraram a linha de sucessão do estado. Com a vitória, ele deve assumir o cargo de governador em exercício do Rio de Janeiro, que até então é ocupado pelo presidente do TJRJ.
Crise que levou à eleição
A atual situação é resultado de uma sequência de acontecimentos políticos e judiciais. O primeiro deles foi a saída do então vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Sem vice, o próximo na linha sucessória seria o presidente da Alerj. No entanto, o então ocupante do cargo, Rodrigo Bacellar, foi afastado após ser alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de vazamento de informações e ligação com um esquema envolvendo organização criminosa.
Com isso, quando Cláudio Castro renunciou ao governo nesta semana, após decisão da Justiça Eleitoral que o tornou inelegível, o estado entrou em uma situação de “dupla vacância”: sem governador e sem vice, e com o presidente da Alerj impedido de assumir.
A oposição tenta anular judicialmente a eleição de Ruas. Entre os argumentos, há críticas ao fato da marcação da eleição antes da retotalização dos votos determinada pelo TSE, marcada para a próxima terça (31) após cassação de Bacellar.
Papel da Alerj e de Douglas Ruas
É nesse contexto que a eleição de Douglas Ruas ganha peso. Pela Constituição estadual, cabe à Alerj realizar uma eleição indireta para escolher o novo governador que completará o mandato até o fim de 2026.
Como presidente da Casa, Ruas passa a ter influência direta sobre esse processo: desde a organização da votação até a articulação política entre os deputados. Embora não escolha sozinho o futuro governador, o cargo lhe dá protagonismo na condução da transição de poder.
Além disso, o posto também o coloca novamente na linha de sucessão, caso haja novos desdobramentos institucionais.
Disputa política e interesses
A crise escancarou uma disputa de poder dentro da política fluminense. A saída de Pampolha, ainda em 2025, já era vista como parte de um rearranjo político que poderia beneficiar o então presidente da Alerj, ampliando sua visibilidade para uma eventual candidatura ao governo.
Com o afastamento de Bacellar e a renúncia de Castro, esse planejamento foi interrompido, abrindo espaço para uma nova correlação de forças na qual a presidência da Alerj volta a ser peça central.
O que está em jogo
Na prática, a eleição de Douglas Ruas representa mais do que a escolha de um novo chefe do Legislativo:
- define quem conduz a eleição indireta para governador;
- reorganiza a linha de sucessão do estado;
- e reposiciona grupos políticos em um momento pré-eleitoral.
A expectativa agora é pela convocação da eleição indireta, que deve ocorrer em curto prazo e será decisiva para definir quem comandará o Rio de Janeiro até o fim do atual mandato.
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