Ciro Nogueira vira alvo da PF no caso Banco Master
Investigação aponta suposto esquema de vantagens indevidas envolvendo o senador
A Polícia Federal ampliou nesta quinta-feira (7) as investigações da Operação Compliance Zero e colocou o senador Ciro Nogueira entre os alvos de mandados de busca e apreensão relacionados ao escândalo envolvendo o Banco Master. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, há indícios de que o parlamentar teria recebido “vantagens econômicas indevidas” do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central do esquema investigado. As apurações incluem suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional.
Relatórios da investigação apontam que empresas ligadas ao núcleo familiar de Ciro Nogueira teriam adquirido ativos milionários por valores muito abaixo do mercado. A PF também investiga supostos pagamentos mensais ao senador, chegando a valores de R$500 mil, além do uso de imóveis de luxo, viagens internacionais e atuação política em propostas legislativas que poderiam beneficiar diretamente o Banco Master.
As investigações ganharam força após a análise do celular de Vorcaro, onde foram encontrados diálogos e registros financeiros que, segundo os investigadores, indicariam uma relação contínua entre o empresário e o senador do PP.
Crise em Brasília
O avanço da operação ocorre em meio ao agravamento da crise política entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e setores do Centrão. Nos bastidores de Brasília, aliados do Planalto atribuem ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma atuação decisiva contra a indicação de Jorge Messias ao STF.
A indicação de Messias acabou rejeitada pelo Senado no fim de abril, em uma derrota inédita para Lula desde a redemocratização. Segundo relatos publicados pela imprensa política, Alcolumbre teria trabalhado nos bastidores para enfraquecer a candidatura do AGU após o presidente se recusar a interferir na Polícia Federal em investigações que atingiriam aliados e figuras próximas ao senador amapaense.
Embora Alcolumbre negue publicamente qualquer boicote, integrantes do governo afirmam que a derrota de Messias foi interpretada no Planalto como uma retaliação política direta. A crise aprofundou o desgaste entre Lula e setores do Congresso ligados ao Centrão, justamente no momento em que investigações envolvendo o caso Master avançam sobre nomes influentes da política nacional.
Leia também: Festival Náutico de Mangaratiba abre inscrições para prova no mar









