Preso hoje, Márcio Canella é investigado em esquema bilionário com postos de combustíveis
Deputado estadual eleito tem articulações políticas em Itaguaí; PF apura suspeita de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bi
O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela PF, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

A operação também prendeu o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e outros quatro investigados. Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em diferentes municípios fluminenses, incluindo Angra dos Reis. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à rede investigada.
Investigação envolve rede de postos
De acordo com as apurações, o esquema teria utilizado empresas do setor de combustíveis para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem suspeita. A rede investigada inclui 96 postos de combustíveis, segundo informações divulgadas pela imprensa com base na investigação da Polícia Federal.
Canella é suspeito de atuar na articulação política do grupo e de receber valores cuja origem não estaria esclarecida. Relatórios financeiros citados nas investigações apontam créditos de aproximadamente R$ 2,5 milhões relacionados a uma empresa de empreendimentos ligada ao político, além de repasses em espécie.
As suspeitas fazem parte da investigação e não representam condenação. A defesa de Canella informou, segundo a imprensa, que ainda não havia tido acesso à decisão judicial.
Canella tem histórico de articulação política em Itaguaí
A relação do político com Itaguaí passa por articulações eleitorais. Em 2024, Canella participou da divulgação da candidatura de Donizete de Jesus à Prefeitura do município pelo União Brasil. O vídeo voltou a circular em agosto deste ano, mas o Jornal Atual verificou que o material era antigo e havia sido produzido no contexto da eleição municipal de 2024.
Em 2026, Canella voltou a aparecer nas articulações políticas relacionadas à eleição suplementar de Itaguaí. Donizete afirmou publicamente que o presidente estadual do União Brasil não cumpriu o compromisso que, segundo ele, havia assumido de apoiá-lo como candidato. A legenda acabou escolhendo outra composição para a disputa.
Outras fases da Operação Unha e Carne
Esta é a oitava fase da Operação Unha e Carne, que já teve outras ações contra suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no estado. Em julho, Canella foi preso em flagrante após a apreensão de um fuzil de calibre restrito em seu veículo. Ele foi liberado posteriormente por decisão judicial e voltou a ser alvo da operação nesta quinta-feira.
As investigações atuais apuram suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e outros delitos, conforme a participação atribuída a cada investigado. O andamento do caso e as manifestações das defesas poderão esclarecer a extensão das responsabilidades apontadas pela PF.
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