Projeto portuário e hidroviário do Guandu é apresentado em Itaguaí
Evento reuniu representantes do setor, pescadores e poder público; subsecretaria municipal defende qualificação profissional para moradores
O projeto do Complexo Portuário e Hidroviário do Rio Guandu foi apresentado nesta terça-feira (13) na Câmara Municipal de Itaguaí. O encontro reuniu representantes do setor portuário, empresários, pescadores e integrantes do poder público para discutir a proposta e seus possíveis impactos econômicos e sociais na região.

A iniciativa é conduzida pelo Instituto Condeports, presidido por Ednei Oliveira, e prevê a integração do canal do Rio Guandu a uma estrutura logística voltada ao transporte hidroviário, à atividade portuária e ao desenvolvimento industrial. O projeto envolve diretamente seis municípios: Rio de Janeiro, Itaguaí, Seropédica, Queimados, Nova Iguaçu e Japeri.
Em entrevista ao repórter Welington Campos, do Jornal Atual, Oliveira destacou a importância de envolver diferentes segmentos da sociedade na elaboração da proposta, antes da conclusão dos estudos de viabilidade.
“Essa reunião nós nem ainda fizemos o EVTE, mas trazemos aqui os atores importantes. Não é só empresário, é o trabalhador”, afirmou, referindo-se ao Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental previsto para avaliar as condições de implantação do empreendimento.
Pescadores participam das discussões
A participação de representantes da pesca foi um dos pontos destacados pelo presidente do Condeports. Estiveram presentes pescadores e representantes da colônia local, incluindo integrantes ligados à comunidade de São Francisco.
O dirigente defendeu que os grupos potencialmente afetados pelo empreendimento participem das discussões desde as etapas iniciais, em vez de serem consultados apenas depois da elaboração do projeto. A proposta, segundo ele, busca conciliar os interesses dos municípios, dos governos estadual e federal, dos operadores portuários, dos empresários, dos trabalhadores e das comunidades locais.

“É muito complexo você conciliar esses interesses”, reconheceu Oliveira, ao explicar a necessidade de estabelecer um espaço permanente de diálogo entre os diferentes participantes.
Nesse contexto, o projeto prevê uma Câmara Técnica Consultiva, formada por representantes de instituições e entidades de diferentes setores. Entre as organizações mencionadas pelo dirigente estão Firjan, Fecomércio, OAB e Conselho de Arquitetura e Urbanismo, além de representantes dos municípios envolvidos. Representantes da Vale e Porto Sudeste também participaram das discussões; segundo Oliveira, há a intenção de ampliar o diálogo com as empresas e apresentar a proposta a seus dirigentes.
Estudos devem definir viabilidade do empreendimento
O dirigente também mencionou a possibilidade de aproveitar áreas de extração de areia como parte da estrutura logística planejada, com a eventual implantação de terminais portuários conectados a lagoas da região. A viabilidade dessa proposta ainda precisa ser confirmada pelos estudos e pelas avaliações pertinentes.
Na avaliação de Ednei Oliveira, a integração do canal com áreas industriais poderia reduzir custos de transporte de matérias-primas e ampliar a competitividade das empresas, inclusive no mercado externo.
Ele defendeu ainda que o desenvolvimento econômico seja acompanhado de oportunidades para os proprietários de terrenos, trabalhadores e comunidades locais.
Itaguaí pretende investir em qualificação profissional
O subsecretário de Portos e Logística de Itaguaí, Felipe Pinheiro, avaliou que o projeto pode trazer oportunidades de desenvolvimento logístico e portuário para a região. Ele ressaltou, porém, a importância de preparar a população para aproveitar as possíveis vagas de trabalho associadas a novos empreendimentos.
“É um projeto que vai impactar toda a nossa região da Baixada Fluminense e a Costa Verde, e por isso há a necessidade de construir as informações e o projeto com cada um desses municípios”, afirmou ao Atual. Pinheiro também apresentou uma das propostas da subsecretaria para o setor: ampliar a oferta de cursos profissionalizantes ligados às atividades portuárias.

“Uma escola portuária em Itaguaí é um desejo nosso”, declarou o subsecretário, ao mencionar a intenção de qualificar moradores para funções relacionadas à operação de navios, à gestão portuária e a outras atividades do segmento. Segundo ele, a formação profissional poderá atender não apenas às demandas do complexo proposto, mas também às de outros empreendimentos que venham a se instalar na região.
A proposta de qualificação, no entanto, ainda foi apresentada como uma intenção da subsecretaria, sem anúncio de cronograma ou de implantação de uma unidade de ensino.
Apresentações devem continuar na região
A reunião em Itaguaí também contou com a participação do Professor Doutor Alex Botelho de Oliveira, engenheiro agrônomo, e faz parte de uma série de apresentações do projeto nos municípios envolvidos. Encontros anteriores foram realizados em Seropédica e na Expo Itaguaí, e a intenção é levar a discussão às demais câmaras municipais; Ednei Oliveira citou a previsão de uma apresentação na Câmara Municipal de Nova Iguaçu no dia 29 de outubro.
A continuidade dos encontros busca ampliar a participação dos diferentes setores na discussão do empreendimento. As próximas etapas dependerão do avanço dos estudos técnicos e da articulação entre os municípios, as instituições envolvidas e as comunidades potencialmente afetadas.
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