Ilha da Madeira sedia Fórum de Pescadores Artesanais da Baía de Sepetiba

Encontro reuniu diversas lideranças em momento estratégico para definição de prioridades nos próximos anos

Entre os dias 3 e 5 de agosto, a sede da Associação de Pescadores e Lavradores da Ilha da Madeira (Aplim), em Itaguaí, recebeu o Encontro de Planejamento do Fórum de Pescadores em Defesa da Baía de Sepetiba. Ele reuniu pescadores, lideranças comunitárias, representantes de organizações parceiras e defensores dos territórios tradicionais para fortalecer a articulação em defesa da Baía de Sepetiba. O evento foi uma realização conjunta com o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina, da Fundação Oswaldo Cruz e do Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba.

Pessoas numa reunião
O encontro foi realizado em três dias, na sede da Associação de Pescadores e Lavradores da Ilha da Madeira (FOTO RENATO REIS)

Planejamento futuro

Durante os três dias de atividades, os participantes construíram coletivamente um planejamento para os próximos dois anos. Eles revisitaram a trajetória do fórum, analisram os desafios enfrentados pelos territórios pesqueiros e debateram estratégias para ampliar a incidência política e a defesa dos direitos das comunidades tradicionais. Durante o evento houve destaque para temas como a ampliação da articulação com os governos municipal, estadual e federal, com planos para cada esfera. Um dos participantes, o presidente da Associação dos Pescadores, Maricultores e Lazer do Sahy, Nilton Machado, falou sobre a importância do evento. “Este encontro é fundamental para fortalecer a união entre os pescadores artesanais e garantir que nossas demandas ganhem repercussão”, enfatizou ele.

Uma roda de conversa
Durante as rodas de conversa foram expostos objetos e materiais de divulgação que remetem à rotina das comunidades caiçaras da região (FOTO DIVULGAÇÃO)

Defesa do diálogo

Nilton Machado falou ainda sobre o futuro. “A Baía de Sepetiba enfrenta desafios cada vez maiores, e somente com diálogo, organização e participação das comunidades conseguiremos defender nosso território, preservar a atividade pesqueira e assegurar melhores condições de trabalho e renda para quem vive da pesca. Reunir pescadores e instituições é um passo importante para construir soluções coletivas e valorizar uma atividade que faz parte da história e da identidade da nossa região”, enfatizou.

Entendimento com as prefeituras

Os participantes também definiram estratégias para a criação de uma oficina de sensibilização junto à Fundação Oswaldo Cruz. A ideia é viabilizar um estudo sobre a saúde dos pescadores da região. Outro assunto em pauta foi a necessidade de mobilizar a juventude em torno de um coletivo que estimule os jovens a participarem da atividade pesqueira, preservando um mercado focando as futuras gerações. A pauta do encontro também deu destaque à necessidade de ampliar o enfrentamento à criminalização da pesca, buscando diálogo com as prefeituras de Itaguaí e Mangaratiba.

Pessoas num barco
No primeiro dia do evento uma saída de barco pela Baía de Sepetiba permitiu aos participantes ver de perto impactos que afetam a pesca artesanal (FOTO DIVULGAÇÃO)

Reflexão sobre lutas comunitárias

O primeiro dia foi de reconhecimento do território e reflexão sobre a luta das comunidades. A programação começou com uma acolhida e uma saída de barco pela Baía de Sepetiba. O passeio permitiu aos participantes observar de perto a realidade do território e os impactos que afetam a pesca artesanal. No período da tarde, uma mística abriu os debates sobre os impactos socioambientais, a caracterização da região como zona de sacrifício e a importância dos protocolos de consulta para garantir os direitos das populações tradicionais.

Construção do futuro

No segundo dia, o foco esteve voltado para a história do fórum e a construção do futuro. Os participantes reconstruíram a linha do tempo da organização. Também compartilharam aprendizados acumulados ao longo dos anos e realizaram uma análise de conjuntura para identificar os principais desafios enfrentados atualmente pelas comunidades pesqueiras. A partir dessas discussões, foram definidas e pactuadas as prioridades que orientarão a atuação do fórum nos próximos dois anos.

Roda de conversa

O encerramento do encontro foi marcado pelo fortalecimento das alianças entre movimentos e organizações parceiras. A programação contou com a participação do Projeto Povos à Baía de Sepetiba. Ele promoveu uma roda de conversa sobre formas de ampliar o apoio às lutas das comunidades tradicionais. Também participaram representantes da Rede de Defensores – Marangatu, da Aliança da Mata Atlântica e do Encontro Internacional de Territórios e Saberes. Isso ampliou o diálogo sobre redes de proteção, articulação política e intercâmbio de experiências.

Proteção dos territórios


A plenária final consolidou os encaminhamentos construídos ao longo dos três dias de encontro e definiu os próximos passos do fórum de pescadores. O planejamento coletivo reafirmou o compromisso das comunidades pesqueiras com a defesa dos territórios, da pesca artesanal e dos modos de vida tradicionais. Enfatizou também a preservação da Baía de Sepetiba frente aos impactos provocados pelo avanço de grandes empreendimentos na região. Mais do que um espaço de planejamento, o encontro fortaleceu a união entre os participantes. Ele renovou ainda compromissos e reafirmou que a organização coletiva continua sendo um dos principais instrumentos para garantir direitos, proteger os territórios e construir um futuro sustentável para as comunidades tradicionais da Baía de Sepetiba.

Leia também: Mangaratiba inicia elaboração do Plano Local de Ação Climática

Renato Reis

Renato Reis é bacharel em Comunicação Social, graduado em Jornalismo pela Universidade Gama Filho e atua como editor da edição digital do Jornal Atual.

Matérias relacionadas

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo



Pessoas numa reunião
O encontro foi realizado em três dias, na sede da Associação de Pescadores e Lavradores da Ilha da Madeira (FOTO RENATO REIS)