Humilhação no Plenário: Câmara de Itaguaí obriga profissionais a se sentarem no chão em Sessão Solene

Enquanto assessores e familiares de parlamentares ocupavam posições de privilégio, repórteres fotográficos e produtores de conteúdo foram submetidos a condições degradantes para cobrir o evento

A celebração dos 208 anos de emancipação político-administrativa de Itaguaí ficou marcada por um episódio de profundo desrespeito à liberdade de trabalho e à dignidade profissional. Durante a Sessão Solene realizada no plenário da Casa, profissionais responsáveis pelo registro de imagens foram submetidos a uma situação vexaminosa: por ordem expressa da Assessoria de Imprensa da Câmara, fotógrafos e cinegrafistas foram obrigados a trabalhar sentados no chão, espremidos junto à balaustrada que divide o plenário do público, sem qualquer estrutura mínima de apoio ou conforto.

**Texto alternativo (Alt Text):** Fotografia do plenário lotado da Câmara de Itaguaí durante uma solenidade. No primeiro plano, profissionais de mídia — jornalistas e produtores de conteúdo — trabalham em condições improvisadas, sentados diretamente no chão ou ajoelhados sobre um tapete vermelho, portando câmeras fotográficas profissionais. Ao fundo, uma grade preta separa a área técnica da plateia, cujas cadeiras estão completamente ocupadas por espectadores, assessores e autoridades em trajes formais. Uma câmera de vídeo montada em um tripé está posicionada entre os profissionais no chão.

O episódio de descaso ganha contornos ainda mais graves diante do contraste no recinto. Com plenário lotado para a entrega de honrarias como o Título de Cidadão Itaguaiense, Cidadão Benemérito e a Medalha de Honra São Francisco Xavier, o espaço que deveria acolher os profissionais que imortalizam a memória do município estava, na verdade, ocupado por assessores pessoais e familiares de vereadores.

privilégio político versus trabalho técnico

A postura do Legislativo itaguaiense expõe uma alarmante insensibilidade e a incompreensão do papel público da comunicação. O tratamento degradante afetou de forma distinta, mas igualmente prejudicial, duas frentes essenciais da cobertura contemporânea:

O jornalista profissional e a imprensa tradicional

Para os jornalistas diplomados e repórteres fotográficos, que integram organicamente a imprensa profissional, o cerceamento físico e a falta de acessibilidade representam um ataque direto ao exercício do jornalismo e ao direito à informação. Ao empurrar a crônica parlamentar para o chão, a instituição demonstra um perigoso menosprezo pelo papel fiscalizador e institucional da mídia tradicional, cuja função é relatar os fatos com rigor técnico e distanciamento crítico.

Os produtores de conteúdo e criadores digitais

O descaso também atingiu os produtores de conteúdo de redes sociais, criadores que se embrenham pelas plataformas digitais para conectar os atos públicos diretamente à população através de novos formatos de mídia. Embora não façam parte da estrutura jornalística tradicional, esses profissionais desempenham um papel crucial na democratização do acesso à informação local. A ausência de um espaço digno sabota a qualidade do material que abastece a esfera digital e afasta o cidadão internauta da cobertura dos atos da cidade.

A falta de planejamento ou a deliberada escolha de priorizar acomodações políticas em detrimento da área técnica de comunicação rebaixa o prestígio das mais altas homenagens do município. Afinal, a relevância de uma solenidade oficial depende diretamente da dignidade garantida a quem a registra.

Marcelo Godinho

Marcelo Godinho é bacharel em Comunicação Social, graduado em Jornalismo pela Universidade Gama Filho e é o profissional responsável e fundador do Jornal Atual.

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**Texto alternativo (Alt Text):** Fotografia do plenário lotado da Câmara de Itaguaí durante uma solenidade. No primeiro plano, profissionais de mídia — jornalistas e produtores de conteúdo — trabalham em condições improvisadas, sentados diretamente no chão ou ajoelhados sobre um tapete vermelho, portando câmeras fotográficas profissionais. Ao fundo, uma grade preta separa a área técnica da plateia, cujas cadeiras estão completamente ocupadas por espectadores, assessores e autoridades em trajes formais. Uma câmera de vídeo montada em um tripé está posicionada entre os profissionais no chão.