UFRRJ concede título de Doutor Honoris Causa a cacique José Urutau
Homenagem reconhece trajetória da liderança da Aldeia Maracanã na defesa dos povos indígenas, da cultura originária e da preservação ambiental
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao cacique José Urutau Guajajara, liderança da Aldeia Maracanã. A cerimônia ocorreu em 7 de outubro de 2026, às 10h, no Auditório Gustavo Dutra, no câmpus Seropédica, e reuniu representantes da comunidade acadêmica e do movimento indígena. As informações foram divulgadas pela Coordenadoria de Comunicação Social da UFRRJ.

A homenagem reconhece a atuação de Urutau na defesa do território, na valorização das línguas indígenas e na preservação da memória e da identidade dos povos tradicionais. A Aldeia Maracanã, na Zona Norte do Rio, tornou-se referência na mobilização pelos direitos dos povos originários e luta pela preservação do antigo prédio do Museu do Índio.
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Quem é o cacique
José Wilhame Pinto Araújo, o José Urutau Guajajara, tem uma trajetória ligada à educação. Ele é graduado em Pedagogia pela Universidade Estácio de Sá (Unesa), especialista em Educação Indígena pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em Línguas Indígenas pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também fez mestrado em Linguística.
Atua como professor de língua e cultura tupi-guarani no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), vinculado à Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). Urutau ganhou notoriedade em 2013, ao permanecer por mais de 26 horas em cima de uma árvore durante a mobilização contra a desocupação da Aldeia Maracanã, determinada pelo governo estadual.
Aldeia Maracanã
O prédio que abriga a comunidade foi construído no século XIX e, em 1865, doado ao governo federal para abrigar um centro de pesquisa sobre culturas indígenas. A destinação inicial não se concretizou, e o imóvel passou por diferentes usos.
No início do século XX, o espaço recebeu a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (Esamv), que integra a história da atual UFRRJ. Depois, abrigou o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e um museu dedicado aos povos indígenas. Com a transferência do museu para Botafogo, em 1977, o imóvel foi abandonado.
Desde 2006, Urutau e outros integrantes da comunidade atuam pela retomada e conservação do espaço e pelo respeito aos direitos indígenas. Entre as pautas do grupo está a criação da primeira universidade indígena brasileira, para ampliar o acesso dos povos originários ao ensino superior e valorizar seus conhecimentos tradicionais.
Relação com a UFRRJ
A concessão do título foi proposta pela professora Valéria da Conceição Chaves, do Colégio Técnico da Universidade Rural (CTUR). A justificativa considerou os vínculos do cacique com a instituição: seu filho, Wirahu, é ex-aluno da UFRRJ, e outros parentes que viveram na Aldeia Maracanã também estudaram lá.
Urutau participou ainda do Congresso Intercultural dos Povos Indígenas e Tradicionais do Maraká’nà, em 2014, e da I Mostra dos Povos Originários das Américas: Saberes Originários e Horizontes, realizada em 2023 no CTUR.
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