RAIC e RAIDTec 2026 conectam tecnologia e sustentabilidade na UFRRJ
Pesquisas apresentadas durante a semana mostram como diferentes áreas podem responder a desafios sociais, ambientais e tecnológicos ligados aos recursos estratégicos
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) encerrou nesta sexta-feira (18) a XIII Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC) e a VII Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec). A programação começou na segunda-feira (14), com atividades nos câmpus de Seropédica, Nova Iguaçu e Três Rios. A participação foi gratuita.

O tema deste ano foi “Recursos estratégicos e terras raras: desafios científicos, tecnológicos e socioambientais“. A escolha buscou discutir o peso desses materiais para a ciência, a economia e a geopolítica, além dos impactos ambientais da exploração. A apuração das informações e a cobertura geral do evento foi realizada pela Coordenadoria de Comunicação Social da UFRRJ, que acompanhou as sessões ao longo da semana.
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Terras raras
O contato mais direto com o tema apareceu na Agronomia. O estudante Lucas Rodrigues de Andrade testou a capacidade do girassol de reter lantânio, um elemento de terras raras, nas raízes. O trabalho busca formas mais sustentáveis de obter esses elementos, usados em chips e ímãs de alta potência.
A cerimônia de abertura, às 10h de segunda-feira, no Salão Azul do Pavilhão Central (P1), teve transmissão ao vivo e interpretação em Libras. Em seguida, uma palestra olhou o mesmo assunto em escala maior. O geólogo Giancarlo Silva, formado pela UFRRJ e CEO da Ígnea Geologia e Meio Ambiente, apresentou “Minerais críticos e o capital australiano” e abordou a dificuldade do Brasil de transformar potencial mineral em capacidade tecnológica. O nome “terras raras” remete ao trabalho de encontrar e separar os elementos do grupo.
Tecnologia
Drones e inteligência artificial ganharam espaço na Agronomia. Um dos trabalhos, do grupo de pesquisa Agrivis, estimou o crescimento do capim Tifton 85 com imagens multiespectrais e redes neurais artificiais, sem medições físicas. Outro usou o mesmo tipo de recurso para acompanhar o desenvolvimento da moringa.
A tecnologia também virou material didático. Um protótipo de túnel de vento portátil, impresso em 3D, chegou às aulas de ventilação de Arquitetura e Urbanismo. Na Medicina Veterinária, uma apostila interativa reuniu recursos visuais para o ensino de semiologia.
Outros trabalhos trataram das consequências desses avanços. Na Psicologia, duas pesquisas analisaram IAs que substituem ou mediam relações humanas, inclusive em práticas de mentoria e acolhimento. No Direito, um estudo mapeou como discursos de ódio contra mulheres circulam em plataformas digitais e quais interesses econômicos os sustentam.
Sustentabilidade
Na Engenharia Florestal, uma pesquisa quantificou o carbono inorgânico em Cambissolos do Cerrado, parcela do estoque de carbono menos estudada. Ainda na Agronomia, os trabalhos compararam a genética de variedades de abóbora, analisaram oferta e preços na Feira da Agricultura Familiar da UFRRJ, estudaram fungos que causam doenças em plantas e usaram reatores de bancada em testes de compostagem.
Inovação
A RAIDTec teve abertura própria na quinta-feira (17), no mesmo Salão Azul, com o painel “Como transformar conhecimento em tecnologia”. A pró-reitora adjunta de Planejamento e Orçamento da UFRRJ, Alessandra Cassol, mediou o debate.
A conversa seguiu duas frentes. A professora Renata Angeli, do Mestrado em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explicou como estruturar uma pesquisa para concorrer a bolsas de iniciação tecnológica e de inovação. A fundadora da startup Soul Science, Adriana Haddad, tratou do mapeamento de laboratórios, especialistas e equipamentos das universidades para aproximá-los das empresas.
O programa institucional de bolsas de iniciação tecnológica, coordenado por João Victor Nicolini, tem 25 bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desde 2024. A avaliação dos projetos envolve sete professores da UFRRJ e seis de outras instituições.
Sociedade
A História levou ao evento temas que vão da medicina praticada por mulheres nos séculos XI e XII ao casamento das rainhas Tudor e ao diário íntimo do militar e político José Vieira Couto de Magalhães. Outro trabalho propôs um roteiro guiado pelos locais das Noites das Garrafadas de 1831, no centro do Rio. Uma pesquisa discutiu o papel dos museus na preservação da memória a partir do Museu Casa do Reitor. Em Belas Artes, um livro ilustrado partiu da lenda do fantasma que assombra o museu.
Questões sociais também estiveram na pauta. Um trabalho de Psicologia analisou práticas de cuidado frente à violência de Estado. Na sessão do Programa de Educação Tutorial (PET), estudantes de Direito relataram a ida do grupo EtnoPET à 22ª Festa da Consciência Negra do Quilombo da Marambaia, e alunos de Sistemas de Informação apresentaram um modelo de cooperação entre grupos PET para criar cursos profissionalizantes em uma plataforma web de inclusão social. Na Hotelaria, um mapeamento identificou 84 grupos de pesquisa e 23 periódicos dedicados à gastronomia no país.
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