Pesca predatória é suspeita por morte de arraias em Coroa Grande
Bióloga afirma que marcas nos animais indicam possível captura em redes de arrasto; espécimes foram recolhidos para análise
A morte de diversas arraias encontradas na orla da Praia de Coroa Grande, em Itaguaí, está sendo investigada por órgãos ambientais. A bióloga Tatiana Leal, do Projeto de Monitoramento de Praia (PMP) e responsável técnica pelo Projeto Praia Limpa (PLP), informou que recebeu, na terça-feira (22), diversos relatos e vídeos sobre o aparecimento dos animais mortos na faixa de areia.

Após tomar conhecimento da ocorrência, a profissional acionou as equipes das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Pesca para comunicar o caso e auxiliar na avaliação da situação. A Prefeitura de Itaguaí informou que as diretorias de fiscalização das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Agricultura e Pesca estiveram no local para verificar a ocorrência e dar início às diligências.
Segundo Tatiana, o aparecimento de animais marinhos mortos pode estar relacionado a diferentes fatores, como pesca irregular, contaminação ambiental, doenças ou redução da concentração de oxigênio na água, geralmente associada à poluição. Entretanto, até o momento, não foram identificados sinais que apontem para essas últimas causas.
Indícios do uso de redes de arrasto
Após uma avaliação conjunta com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Instituto Pro-Shark, a principal hipótese levantada é que as mortes tenham relação com a pesca predatória, especialmente com o uso de redes de arrasto.
A avaliação é compartilhada pela Prefeitura de Itaguaí. De acordo com o município, em resposta à reportagem, os técnicos e especialistas trabalham com a hipótese de que os cerca de 50 espécimes mortos encontrados em Coroa Grande sejam resultado do descarte de pesca predatória, provocado pelo uso indevido de redes de pesca inadequadas. Segundo a administração municipal, a suspeita é reforçada pelo fato de as arraias terem baixo valor comercial e não terem sido encontrados exemplares mortos de outras espécies no local, o que afasta, inicialmente, a possibilidade de poluição ou outro fator ambiental semelhante.
De acordo com a bióloga, as marcas observadas nos animais também reforçam essa suspeita. Como as arraias possuem baixo valor comercial, muitas acabam sendo descartadas ainda no mar e, posteriormente, são transportadas pelas correntes e pela maré até a costa. “Algumas arraias foram recolhidas e encaminhadas para análise, para confirmar a suspeita levantada durante a avaliação”, informou Tatiana.
Casos já foram registrados anteriormente
A ocorrência não é considerada isolada. Em maio deste ano, outros exemplares de arraias também foram encontrados mortos na orla da região.
Diante da repetição dos casos, a bióloga destaca a importância do reforço na fiscalização para combater práticas de pesca irregular e garantir a preservação da fauna marinha.
A Prefeitura informou que as diligências para esclarecer o caso continuam, com a participação da Secretaria de Meio Ambiente de Mangaratiba. Segundo o município, as duas administrações atuam em conjunto para coibir a pesca irresponsável e predatória e trabalham na elaboração de um laudo técnico que deverá apontar as causas da mortandade e orientar eventuais medidas de proteção ambiental.
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