Ministério da Saúde inclui nova dose contra a poliomielite

Nova etapa do Calendário Nacional de Vacinação entra em vigor em agosto

A partir de 3 de agosto, o Ministério da Saúde passará a oferecer uma segunda dose de reforço contra a poliomielite para crianças de 4 anos. A medida amplia a proteção infantil contra uma doença eliminada do território brasileiro há quase quatro décadas.

A segunda dose de reforço destina-se a crianças que já concluíram o esquema básico de vacinação contra pólio e já receberam o primeiro reforço (FOTO FABIO RODRIGUES / AGÊNCIA BRASIL)

Com a mudança, o esquema contará com cinco aplicações da vacina inativada poliomielite (VIP), disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde: três doses iniciais aos 2, 4 e 6 meses, um primeiro reforço aos 15 meses e agora o segundo reforço aos 4 anos. O objetivo é prolongar a proteção individual e fortalecer a imunidade coletiva, reduzindo os riscos de circulação do poliovírus entre crianças.

Histórico e cenário internacional

O Brasil não registra casos de poliomielite desde 1989 e, em 1994, recebeu certificação internacional de área livre do vírus. Para preservar essa condição, o Ministério mantém vigilância epidemiológica permanente, esforço necessário enquanto a erradicação global não for concluída. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos países onde a doença ainda é endêmica, e outros registram casos ligados a variantes do vírus em regiões com vacinação insuficiente.

Decisão técnica e histórico do esquema

A inclusão resultou de debates na Câmara Técnica Assessora em Imunizações, com participação de entidades científicas, gestores de saúde e representantes da Organização Pan-Americana da Saúde. A medida segue a substituição, em novembro de 2024, da vacina oral bivalente (“gotinha”) pela versão injetável, após evidências de maior eficiência da VIP, assim, alinhando o Brasil às recomendações internacionais.

Quem deve se vacinar

A segunda dose de reforço destina-se a crianças que já concluíram o esquema básico e receberam o primeiro reforço, podendo ser aplicada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias. Crianças com vacinação incompleta também devem procurar uma Unidade Básica de Saúde para regularizar o esquema. Para imunossuprimidos, não há mudanças, pois esse grupo já recebia a dose nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.

Leia também: Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama

Jose Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atua como crítico de cinema, jornalista cultural e repórter estagiário do Jornal Atual.

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A segunda dose de reforço destina-se a crianças que já concluíram o esquema básico de vacinação contra pólio e já receberam o primeiro reforço (FOTO FABIO RODRIGUES / AGÊNCIA BRASIL)