Escritora de Itaguaí participa de projeto na Academia Brasileira de Letras

Iniciativa reúne 50 mulheres periféricas do Rio de Janeiro em atividades de escrita, leitura e mentoria; Regina Esteves prepara livro próprio

A escrita de uma itaguaiense ganhou espaço entre as atividades da Academia Brasileira de Letras (ABL). Regina Esteves é uma das 50 participantes do projeto “Vozes nas Quebradas, Mulheres que Escrevem”, iniciativa do Instituto Odeon que busca ampliar a presença de mulheres periféricas na literatura e democratizar o acesso ao livro e à leitura.

Regina Esteves, de Itaguaí, participa de encontros semanais do projeto “Vozes nas Quebradas, Mulheres que Escrevem” na Academia Brasileira de Letras.
Regina Esteves, de Itaguaí, participa de encontros semanais do projeto “Vozes nas Quebradas, Mulheres que Escrevem” na Academia Brasileira de Letras (FOTO: DIVULGAÇÃO)..

Regina chegou ao projeto após participar de um processo seletivo realizado em duas etapas: preenchimento de formulário e entrevista individual. Ela conta que conheceu a iniciativa por meio das redes sociais, destacando a importância dos algoritmos na divulgação de oportunidades culturais.

“Ressalto que é muito importante estarmos ligados às redes sociais, pois foi através dos algoritmos que conheci o Instituto e a seletiva”, relata.

O projeto conta com parcerias do Google, da Prefeitura do Rio e da Academia Brasileira de Letras. As participantes realizam encontros presenciais semanais na ABL, sob orientação da professora, doutora e coordenadora do projeto, Drica Madeira. A formação também inclui mentorias on-line com a escritora e crítica literária Fernanda Bastos, além de outras mentoras.

Além das atividades de escrita, o projeto promove um Clube da Leitura, no qual as participantes compartilham suas percepções sobre obras selecionadas. Entre as autoras estudadas está Eliana Alves Cruz, que participou da aula inaugural da iniciativa.

Um livro próprio

Um dos principais resultados da formação será a produção literária individual das participantes. Regina está escrevendo “Andanças”, obra que define como uma narrativa sobre o cotidiano e sobre a capacidade de enfrentar dificuldades e encontrar possibilidades diante dos desafios.

Os textos ainda estão em processo de entrega às mentorias, passando posteriormente pela coordenação e pela produção do projeto. A previsão é que o trabalho avance, então, para a etapa de publicação pela Editora Malê.

Para Regina, a experiência vai além do desenvolvimento de habilidades literárias. A presença das participantes dentro da ABL representa uma forma de ocupar e ressignificar um espaço tradicionalmente associado às elites culturais.

“É realização, desmistificação e ocupação de um espaço em que majoritariamente os membros são homens”, afirma.

Mulher preta e periférica, a itaguaiense vê na experiência uma oportunidade de afirmar sua voz na literatura brasileira. “Tenho voz e poder para escrever meu nome na literatura brasileira”, destaca.

Entre Carolina e Conceição

A proposta do projeto também estabelece uma relação com a tradição da literatura produzida a partir das experiências periféricas. Para Regina, a iniciativa dialoga especialmente com os legados de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo.

“As vivências colecionadas nas vozes dentro da ABL valem muito”, afirma. Segundo ela, as ações afirmativas proporcionam às participantes oportunidades de aprimoramento da escrita e permitem que diferentes trajetórias sejam transformadas em literatura. “O legado de Carolina Maria de Jesus se interliga à Conceição Evaristo e juntas seguimos ‘escrevivendo’”, conclui.

Para acompanhar as atividades e futuras programações relacionadas ao projeto, o público pode seguir os perfis @vozesnasquebradas e @institutoodeon nas redes sociais. A Academia Brasileira de Letras também mantém programação aberta e gratuita ao público, mediante inscrição.

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Richard Carrasco

Richard Carrasco é jornalista formado pela FACHA, com pós-graduação em Propaganda do Audiovisual na mesma instituição. Atua no Jornal Atual desde 2025 como redator e repórter.

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Regina Esteves, de Itaguaí, participa de encontros semanais do projeto “Vozes nas Quebradas, Mulheres que Escrevem” na Academia Brasileira de Letras.
Regina Esteves, de Itaguaí, participa de encontros semanais do projeto “Vozes nas Quebradas, Mulheres que Escrevem” na Academia Brasileira de Letras (FOTO: DIVULGAÇÃO)..