sábado, outubro 16, 2021
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“O que nos trouxe a reeleição foi a gestão”

“O que nos trouxe a reeleição foi a gestão”
Com mais quatro anos no comando de Mangaratiba, Alan Bombeiro fala ao Atual quais serão as marcas, iniciativas e preocupações de seu novo mandato
Alan Bombeiro é o nome político do ex-bombeiro militar e ex-vereador que ganhou o direito de exercer mais quatro anos do mandato do prefeito de Mangaratiba numa eleição antecedida por crises, difícil situação financeira e um ano completamente abalado pela pandemia do coronavírus. Nessa entrevista exclusiva ao Atual, o prefeito reeleito fala dos desafios que terá pela frente na sua futura administração, que terá como uma das prioridades, para além do combate à covid-19, a recuperação fiscal, que classifica como mais que necessária. Durante a conversa percebe-se um prefeito que, apesar das dificuldades, não esconde o otimismo com o futuro da cida

“O que nos trouxe a reeleição foi a gestão”

Com mais quatro anos no comando de Mangaratiba, Alan Bombeiro fala ao Atual quais serão as marcas, iniciativas e preocupações de seu novo mandato

Alan Bombeiro é o nome político do ex-bombeiro militar e ex-vereador que ganhou o direito de exercer mais quatro anos do mandato do prefeito de Mangaratiba numa eleição antecedida por crises, difícil situação financeira e um ano completamente abalado pela pandemia do coronavírus. Nessa entrevista exclusiva ao Atual, o prefeito reeleito fala dos desafios que terá pela frente na sua futura administração, que terá como uma das prioridades, para além do combate à covid-19, a recuperação fiscal, que classifica como mais que necessária. Durante a conversa percebe-se um prefeito que, apesar das dificuldades, não esconde o otimismo com o futuro da cidade.  

 

ATUAL – O senhor assumiu o município numa situação difícil, vindo de uma grave crise política, institucional e financeira, passando por um ano de reconstrução e logo em seguida veio esse difícil 2020. Mesmo assim conseguiu uma grande vitória. A que deve esse resultado?

Alan Bombeiro – O que nos trouxe a reeleição foi a gestão. Investimos em gestão e não em politicagem. Trabalhamos muito nesses dois anos do governo, fazendo todos os setores funcionarem de forma efetiva e humanizada. Esse foi nosso diferencial.

 

Restou alguma mágoa numa campanha que se mostrou bem difícil?

Claro que não. Na política não se guarda mágoa, na política se produz. E quem não produziu, fica de fora. Mágoa quem guarda são os derrotados.

 

O combate à covid-19 por certo continuará a ser uma prioridade de seu governo, mas em que outras o senhor planeja focar?

Além do combate à covid-19, nossa principal meta será a recuperação fiscal, que é mais do que necessária. Mas, também vamos continuar investindo em saúde, educação, segurança, turismo, infraestrutura e na oferta de serviços para a população. Tem muito projeto bom para acontecer na cidade.

 

A atual situação financeira do município dará condições de o senhor tocar esses projetos com celeridade?

Com certeza a gestão vai depender muito da recuperação fiscal para desenvolver novos projetos. E não digo isso só a nível de município, mas, de estado e Governo Federal também. Em Mangaratiba a arrecadação representa muito para o andamento da gestão e maior parte dela é proveniente do turismo, que precisa ser retomado com força.

 

O governador interino inaugurou um novo slogan, o “Todos pelo Rio”, sinalizando união entre Governo Federal, o estado e os municípios. Que impactos o senhor espera que essa iniciativa gere em Mangaratiba?

A gente espera muito dessa iniciativa. Precisamos que os governos estadual e federal nos ajudem, que colaborem para o nosso desenvolvimento. O apoio deles é imprescindível para que a gente possa investir em infraestrutura urbana e serviços, ainda mais depois das grandes perdas de arrecadação trazidas pela pandemia. Porém, no meu ponto de vista, o slogan certo teria que ser “Todos pelo povo”, “Todos pelo Brasil”. Os governos federal e estadual precisam pensar e olhar mais para os municípios.

 

Haverá mudança em seu secretariado, de modo a atender aos interesses dos partidos que integraram a coligação que garantiu sua vitória?

A mudança sempre faz parte da gestão. Mas nenhum cargo vai ser ocupado por político, a não ser que este político seja técnico e preparado para tocar a pasta. Os cargos no meu governo não serão ocupados por política e sim por competência. 

 

O turismo foi um dos setores mais combalidos pela pandemia. Que caminhos trilhar para dar novo gás a uma das importantes fontes de renda de Mangaratiba?

Estamos nos preparando para buscar outras saídas. Vamos investir no turismo interno, que é o diferencial que se desponta neste momento. Ou seja, queremos receber aquele turista que vai deixar de sair do país por conta da pandemia e vai aproveitar para conhecer as belezas naturais do Brasil. A cidade que souber aproveitar essa fase, investindo em estratégias de divulgação para recuperar o turismo com habilidade, vai poder tirar proveito positivo das mudanças de consumo trazidas pela pandemia. Vamos nos concentrar em buscar alternativas positivas para o turista, o empresário, o comerciante e a população, que estão sendo planejadas dentro de todo um protocolo de segurança. 

 

É possível pensar na retomada do projeto “Trem dos Mares da Costa Verde”, para impulsionar o turismo na cidade?

O Trem dos Mares é uma iniciativa que vem conectada com um grande sonho meu, que é fazer a maior tirolesa sobre águas do país. Esse projeto vai fazer uma ligação entre pontos da cidade e permitir que tenhamos um turismo de qualidade em Mangaratiba. O Trem dos Mares irá de Sahy a Junqueira, passando pelo Parque Municipal da Pedra do Urubu, de onde vai sair a nossa tirolesa sobre águas. São projetos que estão interligados e pelos quais vamos lutar para que saiam do papel. O Plano de Manejo do Parque da Pedra do Urubu está pronto, o que já representa um passo a frente para nós. Além disso, pretendemos transformar todo o centro de Mangaratiba, fazendo com que essa região se torne o ponto de encontro e conexão de todos os distritos. Nos nossos planos está a modernização do calçadão do centro e a instalação de um teleférico que fará a ligação com a Pedra do Urubu, a Tirolesa e o Trem dos Mares simultaneamente. 

 

Como viabilizar meios para desenvolver o ecoturismo e o chamado turismo de base comunitária em Mangaratiba?

Essas iniciativas já estão em desenvolvimento. Estamos mapeando todas as trilhas da cidade, que serão devidamente identificadas e monitoradas. Além disso, queremos aproveitar as belezas naturais da Serra do Piloto e do Parque Municipal da Pedra do Urubu para ampliar pontos de ecoturismo na cidade. Tudo isso irá envolver a população local, que poderá ter no turismo uma fonte de trabalho e renda. 

 

Qual o seu entusiasmo com o Programa de Encadeamento Produtivo do Setor Logístico, liderado pelo Sebrae-RJ, que dentre outros propósitos tem o de desenvolver uma cadeia de fornecedores no entorno de Mangaratiba, para atendimento a grandes empresas?

Estou animado por dois motivos. O primeiro porque acredito no potencial de desenvolvimento das empresas e dos fornecedores que ficam nas regiões ao entorno de Mangaratiba. Segundo, porque aposto que a duplicação da Rio-Santos, que é outro entusiasmo, venha colaborar com o acesso das grandes empresas à nossa cidade. E mesmo que não escolham se fixar em Mangaratiba, elas podem nos beneficiar utilizando nossa mão de obra, ou até mesmo, optando por usufruir do nosso município para moradia ou para consumo de bens e serviços. Vamos estar atentos a estas mudanças e prontos para colaborar da melhor forma. 

 

Que esforços a cidade está fazendo no sentido de atender a essa demanda?

Estamos atualizando nosso Plano Diretor, que será apresentado para ser votado pela Câmara de Vereadores ano que vem. Nesse plano vão constar as possibilidades de oferta serviços e de atendimento às demandas que vão surgir com boom industrial das cidades ao entorno. Nosso objetivo é preparar Mangaratiba para explorar de forma proveitosa e colaborativa esse momento de crescimento industrial. 

 

Que papel o senhor espera que a Câmara Municipal de Mangaratiba desempenhe em seus próximos quatro anos de governo?

O que eu espero da nova composição da Câmara de Vereadores é parceria. E espero também que eles possam, sempre respeitando a isonomia de poderes, fiscalizar os atos da prefeitura, mas sem deixar de elaborar leis para beneficiar a população. Foi assim que eu agi no meu mandato legislativo e vejo essa como a melhor forma de atuação para um vereador. É importante lembrar que a última eleição vai provocar na Câmara uma grande renovação a partir de janeiro. Então, a gente precisa reconhecer que a população de Mangaratiba espera mudança e que quer uma Câmara que atue alinhada com o Poder Executivo. Sou um grande incentivador de boas práticas e serei parceiro em tudo que for para trazer progresso para a cidade.

 

O transporte público é, sem dúvida, um problema que atormenta a cidade. O que se pode fazer para mudar essa situação?

Sem dúvida, o transporte público é um problema que ainda atormenta a cidade. Desde 2012 a gente já sabia que nenhuma empresa ganharia dinheiro com o transporte público em Mangaratiba, e isso sempre causou desinteresse nos empresários. Mas hoje, devido ao avanço da gestão, Mangaratiba está perdendo a característica de cidade dormitório ou só de veraneio. Muita gente veio morar aqui e circula no município, o que não acontecia até uns anos atrás. Então, sabendo da dificuldade do transporte, nós criamos em 2019 uma autarquia de transporte municipal, a Conecta, que vai nos permitir oferecer um transporte público de qualidade e a baixo custo para ligar os distritos. As linhas já estão criadas. Estamos só dependendo da recuperação fiscal para comprar os ônibus e colocar a Conecta em funcionamento. Isso vai nos ajudar a garantir mobilidade dentro da cidade para o morador e também para o turista. 

 

O senhor pretende buscar integração com os municípios vizinhos para buscar caminhos conjuntos para problemas comuns, como preconiza a Câmara Metropolitana do Rio?

Claro. Integração é o caminho. Os municípios e prefeituras não podem se isolar e devem pensar em conjunto uns com os outros. Uma cidade sempre vai acabar dependendo do outra para planejar crescimento econômico, mobilidade, serviços, turismo ou até o cuidado com os recursos naturais, por exemplo. Hoje os municípios precisam se ajudar. Não podemos pensar mais de forma individualista. Isso ficou no passado. Se eu me torno referência sozinho, minha demanda aumenta. Na saúde é um exemplo. Em Mangaratiba o sistema público de saúde funciona muito bem e o que acontece? Acabamos atendendo um número enorme de pessoas de fora da cidade. De 10 pacientes, oito moram em cidades vizinhas, o que sobrecarrega nossas unidades de saúde e recursos. O ideal é que os municípios troquem boas práticas para que o crescimento seja repartido para todas.

 

 

“Os municípios não podem se isolar e devem pensar em conjunto. Uma cidade sempre vai acabar dependendo do outra para planejar crescimento econômico, mobilidade, serviços, turismo ou até o cuidado com os recursos naturais”

 

“Espero que os novos vereadores, respeitando a isonomia de poderes, fiscalizem a prefeitura, mas sem deixar de elaborar leis. Foi assim que eu agi no meu mandato legislativo e vejo essa como a melhor forma de atuação para um vereador”

 

“O Trem dos Mares é uma iniciativa que vem conectada com um grande sonho meu, que é fazer a maior tirolesa sobre águas do país, fazendo a ligação entre pontos da cidade e permitir que tenhamos um turismo de qualidade”

 

“A gestão vai depender muito da recuperação fiscal para desenvolver novos projetos. E não digo isso só a nível de município, mas, de estado e Governo Federal também. A arrecadação representa muito para o andamento da gestão”

 

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