Rio cria Marco Legal para apoiar mães e adotantes na ciência

Nova lei estabelece diretrizes para garantir apoio, equidade e permanência de mães e adotantes na graduação, pós-graduação e atividades de pesquisa no Estado do Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro passou a contar oficialmente com o Marco Legal “Mães na Ciência”, conjunto de diretrizes que busca ampliar a equidade e garantir melhores condições para mães e adotantes no ambiente acadêmico. A medida foi instituída pela Lei nº 11.213/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sancionada pelo governador e publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (8).

Cientista observando através do microscópio
Nova legislação busca garantir mais equidade e oportunidades para mães e adotantes na pesquisa científica fluminense (FOTOS DIVULGAÇÃO/USP)

A nova legislação estabelece normas voltadas à permanência, progressão acadêmica e valorização de mulheres que conciliam a maternidade ou a adoção com atividades de ensino, pesquisa e extensão. O objetivo é reduzir desigualdades históricas enfrentadas por cientistas mães e garantir que a maternidade não represente um obstáculo para o desenvolvimento da carreira acadêmica.

A proposta é de autoria original do deputado estadual Carlos Minc (PSB) e recebeu coautoria dos deputados Douglas Ruas (PL), Tia Ju (Republicanos), Lilian Behring (PCdoB), Anderson Moraes (PL), Renan Jordy (PL), Jari Oliveira (PSB), Dionísio Lins (PP), Verônica Lima (PT) e Júlio Rocha (Agir).

Garantia de direitos acadêmicos

Entre os principais pontos da lei está a proibição de critérios discriminatórios em processos seletivos, avaliações e renovações de bolsas de estudo, pesquisa e extensão. A norma também impede que instituições utilizem informações relacionadas à gestação, parto, nascimento de filhos ou adoção como fator de prejuízo para candidatas.

Cientista observa tubo de ensaio
ova lei fortalece a presença de mães e adotantes na ciência e na pesquisa no Rio de Janeiro

Outro avanço previsto é a vedação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, formulários de inscrição ou processos de seleção, exceto quando a própria candidata optar por abordar o tema.

Segundo Carlos Minc, a legislação respeita a autonomia administrativa, financeira e didático-científica das universidades estaduais, ao mesmo tempo em que cria mecanismos para reconhecer formalmente o trabalho de cuidado exercido por mães e adotantes. “Esta lei contribui para um sistema universitário mais justo e sustentável, evitando que talentos e potenciais científicos sejam perdidos em razão das dificuldades impostas pela maternidade”, destacou o parlamentar.

Reconhecimento da maternidade

A lei também determina que instituições públicas estaduais e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) adotem mecanismos de equidade na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular.

Entre as medidas previstas está o reconhecimento do impacto da maternidade e da adoção na trajetória acadêmica das pesquisadoras, considerando o trabalho de cuidado como um fator relevante na análise de desempenho e produção científica.

Faperj amplia apoio às cientistas mães

O Marco Legal reforça ações que já vêm sendo desenvolvidas pela Faperj para incentivar a participação feminina na ciência. Um dos destaques é o Programa de Apoio às Cientistas Mães, voltado para pesquisadoras vinculadas a instituições de pesquisa fluminenses. A iniciativa oferece até R$ 120 mil por projeto para apoiar a continuidade e retomada das atividades científicas de mulheres que tiveram filhos recentemente e de mães de crianças com deficiência.

A fundação também adota medidas como a consideração do período de licença-maternidade na avaliação de currículos acadêmicos, a garantia de licença para bolsistas e a possibilidade de inclusão de despesas relacionadas ao cuidado infantil em determinados editais de fomento.

Para a presidente da Faperj, Caroline Alves, o fortalecimento dessas políticas representa um avanço para a ciência e para a sociedade. “Quando apoiamos uma mãe cientista, não estamos investindo apenas em uma pesquisadora. Estamos investindo em uma família, em uma geração futura e no fortalecimento de toda a ciência”, afirmou.

Welington Campos

Welington Campos é jornalista profissional. Tem formação em Licenciatura em Letras – Português e Espanhol. Exerce a função de subeditor do Jornal Atual, onde atua desde sua fundação em 2001.

Matérias relacionadas

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo



Cientista observando através do microscópio
Nova legislação busca garantir mais equidade e oportunidades para mães e adotantes na pesquisa científica fluminense (FOTOS DIVULGAÇÃO/USP)