Espécie invasora de planta ameaça a vegetação nativa de Itaguaí
A leucena, classificada como uma das 100 piores espécies exóticas invasoras, já substituiu 40% da flora nativa
A leucena (Leucaena leucocephala), espécie de aparência inofensiva e histórico controverso, tem representado um crescente avanço sobre áreas ambientais de Itaguaí e municípios vizinhos. Com alta capacidade de adaptação, a espécie tem se espalhado especialmente em regiões costeiras e de manguezal e tornou-se uma ameaça significativa à vegetação nativa.

Integrante do grupo Terra de Itaguaí, Ana Moreira publicou na página do Facebook uma denúncia sobre o avanço da espécie invasora na região de Itaguaí, em que alerta o impacto crescente sobre ecossistemas locais. O grupo constatou que a leucena já substituiu ao menos 40% da flora nativa em áreas como a Ilha da Madeira, em Itaguaí, e no bairro Piranema, em Seropédica.
Especialista em ecologia e em árvores Milton Longo explica que a planta, nativa do México, chegou ao Brasil na década de 1970. Foi introduzida no país como uma alternativa de forragem para alimentar gado. No entanto, o cultivo da leucena saiu do controle devido à capacidade de se espalhar rapidamente e dominar o ambiente, sufocando espécies de plantas nativas.
Espécies invasoras
Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a leucena é classificada como uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo. A espécie invasora cresce rápido, domina o ambiente e forma florestas mono-dominantes, o que representa um grande risco ao ecossistema.
A árvore libera um composto químico, a mimosina, que inibe a germinação e impede o crescimento de outras espécies ao redor. É o chamado Efeito Alelopático que, na prática, representa o sufocamento da vegetação nativa.
A leucena faz uma invasão agressiva, uma vez que cresce extremamente rápido e forma densos maciços, que gera monoculturas, e destrói habitats nativos, especialmente em áreas como a Mata Atlântica e o Cerrado.
O seu alto poder de dispersão também representa um risco. A planta produz uma enorme quantidade de sementes (1 a 2 mil por planta) que germinam facilmente, rebrota com facilidade após cortes e é de difícil erradicação.
Risco ao ecossistema
A pesquisadora Gisseli Giraldelli, bióloga e diretora da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, estuda a leucena há 15 anos e reforça que o crescimento descontrolado pode trazer riscos à saúde de todo o ecossistema. “Uma área que sofre a invasão das leucenas perde toda a biodiversidade e vira aquilo que a gente chama de deserto verde. Aparentemente você olha, fala ‘tá lindo, né, tá verdinho, tem uma mata ali’, e quando você chega lá é toda de uma espécie só. Então ela ameaça a fauna e a flora como um todo”, afirma.
Giraldelli também destaca o impacto na saúde humana, já que a perda de biodiversidade em ambientes urbanos favorece o surgimento de doenças relacionadas ao desequilíbrio ecológico, afetando tanto a saúde quanto a economia.
Processo de erradicação é difícil
Para os biólogos, a solução está no controle da planta por meio de manejo e monitoramento adequados. O biólogo Milton Longo complementa que erradicar e extinguir a leucena ainda é muito difícil, devido à alta viabilidade de suas sementes por muitos anos e à capacidade de rebrota imediata da planta.
O manejo adequado inclui a remoção da leucena e a substituição por uma espécie nativa de crescimento rápido, a fim de promover sombreamento e inibir seu desenvolvimento, além da retirada da camada superficial do solo onde estão as sementes, que podem permanecer viáveis por até cinco anos ou mais.









