Entre máquinas e decisões técnicas, mulheres ampliam presença na operação portuária

No Porto Sudeste, as mulheres ocupam 22% do quadro de profissionais, mostrando que a presença feminina começa a ganhar mais espaço nas áreas operacionais dos portos brasileiros

Em um ambiente marcado por equipamentos de grande porte e operações que exigem precisão constante, a presença feminina começa a ganhar mais espaço nas áreas operacionais dos portos brasileiros. Ainda assim, o setor segue predominantemente masculino: dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários mostram que apenas 17,8% dos trabalhadores portuários no país são mulheres.

Colaboradora posando para foto em frente a uma máquina móvel pesada
Amanda Ortiz conduz tratores e caminhões usados na movimentação de minério (FOTOS DIVULGAÇÃO)

No Porto Sudeste, as mulheres ocupam 22% do quadro de profissionais da empresa, e trajetórias como as de Marcela e Amanda ajudam a mostrar como essa transformação está acontecendo na prática, seja na gestão da manutenção de equipamentos ou diretamente na operação das máquinas que sustentam a movimentação do terminal.

Atuação na Oficina de Equipamentos Móveis

À frente da Oficina de Equipamentos Móveis, Marcela Armando de Souza, de 39 anos, acompanha de perto um dos bastidores mais estratégicos da operação. É ali que são planejadas e executadas manutenções de equipamentos essenciais para a movimentação de granéis sólidos, como escavadeiras, tratores de esteira e pás carregadeiras.

Marcela trabalha no terminal há mais de quatro anos. Formada em Engenharia Mecânica e com formação técnica em Segurança do Trabalho, ela passou a atuar diretamente na organização das rotinas de manutenção e na elaboração de procedimentos da área. Com o tempo, a combinação entre formação técnica e experiência prática abriu caminho para novos desafios. “Um ponto muito importante nesse processo foi contar lideranças que acreditam nas pessoas e criam oportunidades reais de desenvolvimento que fazem diferença na trajetória profissional”, afirma.

Colaboradora do Porto Sudeste posando para close
Amanda é operadora de equipamentos móveis há cerca de um ano

Papel central nas operações

Hoje, como supervisora, Marcela destaca que a oficina desempenha papel central para garantir a continuidade da operação, uma vez que o Porto Sudeste é especializado na movimentação de granéis sólidos, principalmente minério de ferro, o que exige alto nível de confiabilidade dos equipamentos. “Nosso trabalho é assegurar que os equipamentos estejam disponíveis, operando com segurança e eficiência”, explica. “Por meio de manutenções preventivas, corretivas e inspeções constantes, buscamos garantir confiabilidade operacional e reduzir paradas não planejadas.”

Carregamento de navios

Se na oficina o foco está em manter as máquinas prontas, no pátio do terminal profissionais como Amanda Ortiz, de 25 anos, estão diretamente no comando desses equipamentos. Operadora de equipamentos móveis há cerca de um ano na empresa, ela conduz tratores e caminhões utilizados em diferentes etapas da movimentação de minério. Antes de chegar ao setor portuário, Amanda trabalhou por quatro anos na operação de máquinas pesadas na siderurgia.

A mudança representou um novo aprendizado. “Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no porto, eu sabia que teria muito a aprender. É incrível entender como tudo acontece na operação portuária e como a operação de equipamentos móveis contribui para o carregamento dos navios”, conta.

No dia a dia, a rotina envolve atividades como o rechego de material na operação de embarque, a movimentação para melhor estocagem e o peneiramento do minério para retirada de impurezas. Segundo ela, operar equipamentos desse porte exige atenção constante. “São máquinas grandes, pesadas, com pontos cegos e alto potencial de risco. Então o cuidado é imprescindível para uma operação segura”, afirma.

Colaboradora do Porto Sudeste posando para foto em frente a uma grande máquina
Marcela de Souza é supervisora da oficina de equipamentos móveis

Avanço da presença feminina

Para Marcela, a presença feminina nas áreas operacionais também já mostra sinais de avanço. “Essa presença crescente contribui para ambientes de trabalho mais diversos, colaborativos e inovadores”, diz. “Chegar à supervisão em um ambiente historicamente masculino reforça que lugar de mulher é onde ela decide estar”.

Para as mulheres que pensam em ingressar no setor, Amanda deixa um conselho. “Não tenham medo ou dúvida se são capazes, pois somos capazes de tudo. Pesquise sobre o setor, tenha em mente seus objetivos e esteja preparada para quando as oportunidades surgirem”, conclui.

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Renato Reis

Renato Reis é bacharel em Comunicação Social, graduado em Jornalismo pela Universidade Gama Filho e atua como editor da edição digital do Jornal Atual.

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