Justiça Eleitoral cassa prefeito e vice de Angra
Decisão da Justiça aponta abuso de poder político; Cláudio Ferreti e Rubinho Metalúrgico permanecem nos cargos enquanto recorrem
A Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas do prefeito de Angra dos Reis, Cláudio Ferreti (MDB), e do vice-prefeito, Rubinho Metalúrgico (MDB), além de declarar a inelegibilidade do ex-prefeito Fernando Jordão por oito anos. A decisão foi proferida pelo juiz Carlos Manuel Barros do Souto, da 147ª Zona Eleitoral.

Apesar da sentença, Ferreti e Rubinho permanecem nos cargos enquanto recorrem da decisão. Também foi declarada a inelegibilidade da empresária e jornalista Gabriela Athias, apontada como uma das participantes do esquema investigado.
A ação foi movida pela coligação “Angra para Todos”, formada por PL e Novo, e teve origem em denúncias sobre a divulgação de conteúdos contra o então candidato Renato Araújo (PL) durante a campanha eleitoral de 2024.
Segundo a sentença, as investigações identificaram o uso da estrutura da administração municipal para favorecer a candidatura apoiada pelo grupo político de Fernando Jordão. O magistrado concluiu que houve abuso de poder político, com a utilização de recursos públicos, influência administrativa e pessoas ligadas ao governo municipal para interferir no processo eleitoral.
Operação Veritate e as provas apresentadas
Entre as provas analisadas pela Justiça estão depoimentos de testemunhas, laudos periciais, mensagens obtidas pela Polícia Federal durante a Operação Veritate e informações reunidas ao longo da investigação. De acordo com a decisão, ex-funcionários de empresas ligadas a Renato Araújo teriam recebido pagamentos para gravar vídeos com críticas ao adversário político.
O juiz, no entanto, entendeu que não ficaram comprovadas as acusações relacionadas ao disparo em massa de mensagens automatizadas nem à disseminação deliberada de notícias falsas.
A decisão ocorre pouco menos de dois meses depois de o Ministério Público Eleitoral ter pedido a cassação do prefeito e a inelegibilidade de Fernando Jordão, alegando abuso de poder político e uso indevido da máquina pública durante as eleições municipais.
Caso a sentença seja mantida nas instâncias superiores, a situação poderá levar à realização de novas eleições no município.
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