Acervo na Alerj guarda informações sobre as cidades do estado
Arquivo reúne a oficialização e a organização territorial do estado e pode ser consultado gratuitamente pela população
Quem nasceu em Mesquita antes de setembro de 1999 provavelmente tem um detalhe curioso na Certidão de Nascimento. O documento registra Nova Iguaçu como município de origem. Isso porque a cidade, que é a mais jovem do estado Rio de Janeiro, só foi emancipada através da Lei 3.253, daquele ano. Histórias como essa podem despertar a curiosidade sobre a formação dos 92 municípios fluminenses. Essas trajetórias estão preservadas na Biblioteca da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que fica no Palácio Tiradentes, sede histórica do Parlamento.

Dupla identidade
A “dupla identidade” municipal faz parte da vida da empresária Hoana Gonçalves Monteiro, de 35 anos. Ela passou a primeira infância em Nova Iguaçu, mas mora desde então em Mesquita, sem nunca ter mudado de endereço. A cidade nasceu quando Hoana tinha oito anos e, mesmo assim, Hoana se considera mesquitense, já que teve sua identificação regional construída junto com o município. “Tenho a lembrança da minha rua sendo asfaltada, acredito que tenha tido associação com a emancipação. Acho que a cidade ganhou autonomia para evoluir e crescer depois disso. Já ouvi muitas pessoas de fora dizerem que, no início, Mesquita era só uma passagem entre Nova Iguaçu e Nilópolis e que agora é uma cidade de verdade”, relata a empresária.
Paraty: a primeira cidade do estado
Além da emancipação de Mesquita, entre os documentos disponíveis estão leis de criação de municípios e normas que ajudaram a organizar territorialmente o estado do Rio. Um dos destaques é o Decreto-Lei 1.055, de 1943, que criou oficialmente Duque de Caxias (também desmembrado de Nova Iguaçu) e Cordeiro, no interior do estado. Também está no acervo o livro “Municípios e topônimos fluminenses: Histórico e memória”, escrito pelo desembargador e historiador Antônio Izaías da Costa Abreu e publicado em 1994 pela Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro. A obra contém um breve levantamento das emancipações e narra a instituição da primeira cidade fluminense: Paraty, fundada em 1667. Além de registrar a história, esse e outros materiais fazem parte da iniciativa de preservação da memória legislativa do Rio, encabeçada pela Alerj.
Perspectiva social e organização administrativa
A oficialização que precede a mudança de perspectiva social e organização administrativa do Rio de Janeiro está reunida na Biblioteca da Alerj. Aberto ao público, o espaço reúne registros da criação dos municípios e da organização territorial do estado ao longo dos anos. Para consultar o acervo, basta comparecer ao Palácio Tiradentes. Lá, o visitante também pode realizar uma visita guiada por todo o prédio e estudar entre os livros raros e o mobiliário centenário. O edifício fica aberto em dias úteis e, na maior parte dos casos, não é necessário realizar agendamento prévio.
Embasamento para pesquisas
A diretora da Biblioteca da Alerj, Patrícia Almeida, explica que embora não reúna os processos completos de emancipação, o acervo permite acompanhar a evolução administrativa do estado. Recurso possível por meio da legislação publicada. O material oferece uma importante fonte de pesquisa para quem deseja entender como o mapa fluminense foi sendo construído ao longo do tempo. “Entre o público que visita o espaço estão pesquisadores, que acessam os Anais a procura de subsídios para suas dissertações e teses. O acesso é livre para todos e, no caso dessas pesquisas mais extensas, os pesquisadores podem ficar nas dependências da biblioteca entre 10h e 17h”, explica Patrícia.
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