Cantor Ton lança “Sorte”, seu primeiro single autoral

Artista de Itaguaí inicia nova fase da carreira com música inspirada em amor, ancestralidade e recomeços

O cantor itaguaiense Ton lança, no próximo dia 31 de julho, “Sorte“, seu primeiro single autoral. A música ficará disponível nas plataformas digitais a partir da meia-noite e marca o início de uma nova etapa na carreira do artista, que ganhou projeção nacional ao participar do The Voice Brasil em 2023.

Artista de Itaguaí que se destacou no The Voice Brasil 2023 inicia nova fase da carreira com música autoral (FOTOS DIVULGAÇÃO)

Em entrevista exclusiva ao Jornal Atual, Ton revela que o desejo de lançar música própria vem de longe — muito antes do que qualquer um poderia imaginar. “Isso representa muita coisa para mim, porque estou realizando um sonho que comecei quando eu tinha cinco anos de idade. Acho que se o Ton de cinco anos estivesse aqui hoje, vivenciando isso, ele estaria muito feliz”, conta.

Um sonho que ficou esperando a hora certa

A vontade de lançar algo autoral já rondava o pensamento do cantor desde 2020, antes mesmo do reality show, mas esbarrava sempre no mesmo obstáculo: o custo de produzir uma música. “Música autoral sempre foi um desejo meu, mas por falta de tempo e dinheiro — porque fazer música é muito caro —, eu fui protelando, até que chegou esse ano e eu decidi fazer esse lançamento”, explica.

Foi o conselho de uma amiga que mudou o rumo da história. “Ela falou assim: ‘Amigo, você precisa de parceiros. Se você não tem dinheiro, procure parceiros.’ Isso me deu uma esperança”, lembra Ton.

O empurrão definitivo veio de um plano que não deu certo. O cantor havia sido convidado para um musical em um navio de cruzeiro, com a ideia de usar o cachê para financiar o próprio lançamento. “Isso não aconteceu, e eu já tinha recebido aquela dica antes. Falei: ‘Bom, então vou atrás de parceiros e vou atrás daquilo que eu acredito'”, diz.

A música que reabriu a escrita

Ton escreve desde os 12 anos, um hábito que manteve em segredo por tanto tempo que, até um mês atrás, nem sua mãe sabia. “Eu tinha um caderninho onde escrevia minhas coisas, escrevia poesias, poemas, e sempre tive essa vontade de lançar”, conta. Mas esse caderno se perdeu numa enchente em Itaguaí, e o baque foi tanto que ele parou de escrever para si mesmo por anos, dedicando-se apenas a colaborações com outros artistas e versões para musicais.

A inspiração de Ton para a música nasceu de uma experiência bem pessoal com o marido, no começo do relacionamento

“Sorte” marcou a volta. “Essa letra chega para mim num momento de virada da minha vida. Foi a primeira letra que escrevi nesse meu retorno à escrita e à composição”, diz Ton, que garante ter escrito a música quase de uma vez só: “Não levei muito tempo. Em uns vinte, trinta minutos já estava com a letra pronta. Eu já tinha imaginado o que queria do som, já tinha as referências, tudo prontinho na minha cabeça.”

A inspiração nasceu de uma experiência bem pessoal: os banhos de ervas que o marido costumava lhe presentear no início do relacionamento. “Ele falava: ‘Toma esse banho aqui, usa essas ervas para abrir seus caminhos, para atrair sorte.’ E eu fui tomando, refletindo, e pensei: que coisa legal, quando a gente encontra uma pessoa que se preocupa com esses mínimos detalhes”, relembra. Foi esse gesto — somado a uma reflexão sobre ancestralidade — que virou metáfora na letra: “A gente acredita que a sorte pode ser um objeto, mas ela é diferente disso: a gente não acha a sorte, ela encontra a gente. Quando conheci meu marido, encontrei o amor, encontrei a sorte.”

Três anos depois do The Voice

Depois de cinco tentativas, Ton conquistou uma vaga no The Voice Brasil justamente na última temporada exibida pela Globo. “O The Voice traz para mim uma projeção nacional. Passo a ser conhecido em todo o país, e na cidade onde nasci e cresci, que é Itaguaí. Ele me abre muitas portas — e isso me obrigou a estudar mais, a estar mais pronto para aquilo em que acredito”, afirma.

Três anos depois, o cantor sente que chegou o momento certo de mostrar seu trabalho autoral. “Tudo isso, o The Voice, os meus estudos antes dele, foi contribuindo para que eu me tornasse o artista que sou hoje. Me sinto pronto para lançar e para colher os frutos desse lançamento também”, declara.

O que vem depois de “Sorte”

A faixa é apenas a porta de entrada para um projeto maior: um EP previsto para outubro, que vai reunir a voz de Ton com a de outras artistas da cena. “O único spoiler que posso dar é que são mulheres — mulheres potentes que estão comigo. Estou muito feliz de lançar esse EP com elas”, adianta.

Musicalmente, o cantor define seu universo como uma mistura de R&B, soul e pop, com influência direta da black music e de referências das décadas de 1970 a 1990. “Escrevo para todos os públicos, mas principalmente para o público jovem, para o público preto, que se identifique com a ancestralidade e com a black music brasileira, que está voltando agora. A galera está curtindo muito essa vibe nostalgia”, diz.

E é essa mesma sensação que ele espera provocar em quem ouvir “Sorte” pela primeira vez: “Quero que as pessoas sintam exatamente o que eu senti quando escrevi essa música: paz interior, calma, tranquilidade. É acreditar que a sorte pode te achar a qualquer momento, que tudo pode mudar. Esse som é como um mapa do que eu quero trazer daqui para frente.”

Capa do single “Sorte”, já disponível para pré-save nas plataformas musicais

Leia a entrevista completa:

Atual: “Sorte” é seu primeiro single autoral. Por que decidiu que este era o momento de lançar uma música própria? O que isso representa dentro da sua trajetória artística?

Ton: Música autoral sempre foi um desejo meu. Acho que desde 2020 eu tenho esse desejo de lançar alguma coisa minha. Isso era um desejo antes até de passar pelo The Voice, mas, por falta de tempo e dinheiro — porque fazer música é muito caro —, eu fui protelando, protelando, protelando, protelando, até que chegou esse ano e eu decidi fazer esse lançamento.

Eu componho desde que eu tinha doze anos de idade. Essa informação, até um mês atrás, nem minha mãe sabia. Eu tinha um caderninho onde escrevia minhas coisas, as coisas que eu acreditava, escrevia poesias, escrevia poemas, e sempre tive essa vontade de lançar, mas sempre soube que era caro fazer. Já cheguei, há alguns anos atrás, a fazer orçamento, até que esse ano eu recebi o ultimato — uma dica de uma amiga, que falou assim: “Amigo, você precisa de parceiros. Se você não tem dinheiro, você precisa conseguir parceiros para lançar a sua música autoral. A gente se entende, a gente sabe que é caro, e se você não tem dinheiro, procure parceiros.” E aí isso me deu uma esperança, sabe?

Esse ano eu planejei tudo de uma maneira completamente diferente da que eu vivi, do que estou vivendo hoje. No ano passado eu recebi uma proposta de fazer um musical em um navio. Eu ia passar seis meses fazendo, viajando e cantando, fazendo cruzeiros, fazendo teatro musical, e inclusive esse mês era para eu estar fazendo isso. Aconteceu que não rolou. A ideia era viajar, conseguir juntar um dinheiro, fazer uma grana para me produzir e me lançar. Isso não aconteceu, e eu já tinha recebido essa dica antes. Eu falei: “Bom, então eu vou atrás de parceiros e vou atrás daquilo que eu acredito.” E assim eu fui, para fazer esse movimento que estou fazendo agora.

Isso representa muita coisa para mim, muita coisa, porque estou realizando um sonho que comecei quando eu tinha cinco anos de idade. Acho que se o Ton de cinco anos estivesse aqui hoje, nesse momento, vivenciando isso, nossa, ele estaria muito feliz. Então eu decidi que esse vai ser o momento, que agora é o start, o pontapé inicial para um grande projeto que está vindo aí para esse segundo semestre.


Atual: Qual foi a inspiração para escrever “Sorte”? Existe uma experiência pessoal por trás da letra?

Ton: Minha inspiração para escrever “Sorte”… Eu já estava muito tempo sem escrever. Como comentei, eu tinha um caderninho onde escrevia, mas em algum momento perdi esse caderno, porque todas as minhas letras molharam numa chuva que teve em Itaguaí. Perdi o caderno e todas aquelas letras, e desde então nunca mais escrevi nada. Só colaborei com algumas letras, com outros artistas, escrevi versão para musical, mas parei de escrever e não escrevi nunca mais.

Essa letra chega para mim num momento de virada da minha vida. Esse ano, como comentei, eu ia viajar e não fui mais, e eu precisava voltar a escrever. Essa foi a primeira letra que escrevi nesse meu retorno à escrita e à composição.

Eu me inspirei porque, no início do ano, quando conheci meu marido — com quem estou junto até hoje —, ele me dava alguns banhos de presente. Falava assim: “Toma esse banho aqui, usa essas ervas para abrir seus caminhos, para atrair sorte e tudo mais.” E eu fui tomando aqueles banhos, fazendo e refletindo, e pensei: caramba, que coisa legal, quando a gente encontra uma pessoa que se preocupa com esses mínimos detalhes, com esse cuidado.

E essa questão da sorte… a gente acredita que ela pode ser um objeto ou uma coisa, mas acho que a sorte é diferente disso: a gente não acha a sorte, ela encontra a gente. Acho que quando conheci meu marido, encontrei o amor, encontrei a sorte. E acho que essa música fala exatamente sobre isso: quando a gente encontra o amor que é capaz de mudar tudo, a forma como a gente acredita muda quem a gente é, e a gente consegue se conectar com o nosso verdadeiro propósito.

A partir desse conceito dos banhos, e de estar conectado também com a minha ancestralidade, comecei a escrever essa letra pensando no amor como se fosse um banho: que abrisse os caminhos, que trouxesse tranquilidade, que trouxesse paz. Vou trazendo na letra exatamente esses elementos, retratando aquela pessoa, ou aquela coisa, que encontra a gente e que é capaz de mudar tudo.


Atual: Quanto tempo levou entre compor a música e decidir gravá-la?

Ton: Bom, essa música eu não levei muito tempo para escrever, na verdade foi bem rápido. Acho que escrevi… sei lá, em uns vinte, trinta minutos já estava com a letra pronta. Eu já tinha imaginado o que eu queria do som, já tinha as referências, já tinha todos os detalhes prontinhos, que chegaram assim na minha cabeça.

Essa música faz parte de um projeto maior, que é um EP — ainda não posso divulgar o nome ou muitos detalhes. Junto com ela, escrevi algumas outras também, que logo em seguida já mandei para a produção. A gente decidiu que essa seria a primeira música, o cartão de visitas desse EP, no qual vou trazer muitas referências do que estou vivendo nesse momento, do que estou acreditando, enfim.


Atual: Desde o The Voice Brasil, como você avalia sua evolução como artista?

Ton: Minha passagem pelo The Voice foi fundamental para mim enquanto artista, para, de certa forma, dar visibilidade ao meu trabalho. O The Voice era um desejo que eu tinha desde quando era mais novo, desde quando o programa estreou na TV Globo. Eu me inscrevi cinco vezes; na quinta, que foi a última edição do The Voice na Rede Globo, fui selecionado. Fiz todo o processo, das dez seletivas até subir no palco.

Acho que o The Voice traz para mim uma projeção nacional. Passo a ser conhecido em todo o país, e passo a ser conhecido na cidade onde nasci e cresci, que é Itaguaí. Ele me abre muitas portas, muitas portas mesmo. Hoje, quando chego nos lugares, quando estou na cidade e as pessoas me reconhecem, é um outro lugar que ocupo enquanto artista. E isso me obrigou a estudar mais, a estar mais pronto para aquilo que acredito.

Hoje, três anos depois da minha passagem pelo The Voice, venho preparando com muito carinho esse projeto, essa música que vou lançar agora, no dia 31 de julho, meia-noite, em todas as plataformas digitais — ela já vai estar disponível. E tudo isso, o The Voice, os meus estudos antes dele, foi contribuindo para que eu me tornasse o artista que sou hoje, com a relevância que tenho hoje. Me sinto pronto para acolher, para lançar e para colher os frutos desse lançamento também.


Atual: O que você espera que as pessoas sintam ao ouvir “Sorte” pela primeira vez?

Ton: Eu quero que as pessoas sintam exatamente o que eu senti quando escrevi essa música: paz interior, calma, tranquilidade. É esse sentimento de que você pode confiar e acreditar que a sorte pode te achar a qualquer momento, que tudo pode mudar. A partir desse som vão vir vários outros também, mas ele é como um mapa do que eu quero trazer, das coisas em que acredito.

Meu estilo é R&B soul, mas também tenho uma pegada pop, e me inspiro nas músicas dos anos noventa, na pegada dos anos oitenta e setenta também — uma música para você ouvir, para dançar com a pessoa que você gosta, para se sentir bem, sentir a sua autoestima elevada e, acima de tudo, se reconhecer nela.

Escrevo para todos os públicos, mas principalmente para o público jovem, para o público preto, que se identifique com a ancestralidade e com a black music brasileira, que está voltando agora, nesses dias e nesses tempos. A galera está curtindo muito essa vibe nostalgia. Então é esse som que eu estou querendo trazer.


Atual: “Sorte” marca o início de um projeto maior. Pode falar mais sobre?

Ton: Sim, o lançamento de “Sorte” marca o início de um novo projeto. Esse projeto é um EP com previsão de lançamento para outubro, no qual trago minha voz acompanhada de outros artistas da cena. O único spoiler que posso dar é que são mulheres — mulheres potentes que estão comigo. Estou muito feliz de lançar esse EP com elas. E é isso, por enquanto, que posso contar.

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Jose Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atua como crítico de cinema, jornalista cultural e repórter estagiário do Jornal Atual.

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