Porto Sudeste apresenta crescimento operacional e metas ambientais
Terminal projeta dobrar capacidade licenciada para 100 milhões de toneladas por ano e reforça indicadores de sustentabilidade e geração de empregos na região
Único terminal do Brasil a investir num projeto do gênero, o Porto Sudeste reuniu a imprensa na quinta-feira (18) para apresentar um balanço de suas operações, investimentos e ações socioambientais na Baía de Sepetiba. Durante a visita, os jornalistas acompanharam também o detalhamento dos investimentos previstos e da capacidade adicional projetada. Na sequência, participaram de uma visita técnica à área onde serão realizadas as intervenções.

O convite à imprensa marcou o início das obras da construção dos dolfins em Itaguaí, estruturas marítimas fixas e isoladas construídas no mar que servem como pontos de atracação e amarração para navios de grande porte. A iniciativa é fruto de uma parceria com a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), uma vez que o Porto Sudeste é um dos principais terminais privados do país para movimentação de granéis sólidos.
Recepcionados por Ulisses Oliveira, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Porto Sudeste, os jornalistas tiveram acesso a uma apresentação executiva em que conheceram detalhes do projeto de expansão e sobre o cronograma das obras. Em 2025, foram registradas 19 operações de navios de longo curso – com o volume de um milhão de barris por operação. Em 2026, esse número já chegou a 12. Segundo Ulisses Oliveira, a meta é chegar a 144 em 2027 com a construção de dolfins.
Ampliação da capacidade operacional
Segundo os números apresentados, o terminal registrou capacidade operacional atual de 50 milhões de toneladas por ano, distribuídas entre 32 milhões de toneladas de minério de ferro, 5 milhões de toneladas de outros granéis sólidos e 13 milhões de toneladas de granéis líquidos.
A empresa informou ainda possuir licença para expandir sua capacidade para 100 milhões de toneladas anuais, sendo metade destinada à movimentação de granéis sólidos e a outra metade para granéis líquidos. O projeto de expansão, denominado Dolfins, tem como objetivo ampliar a movimentação de granéis líquidos, reforçar a capacidade licenciada do terminal e fortalecer a infraestrutura logística da região e do país.
A ampliação representa um novo ciclo de investimentos da companhia, com foco no aumento da capacidade operacional, modernização da infraestrutura e reforço da competitividade logística do Brasil no comércio exterior. A expansão também deve gerar impactos positivos para a economia regional, com geração de empregos e fortalecimento da cadeia produtiva.
Serão construídos dois dolfins ao custo de R$ 60 milhões, o primeiro dos quais com obras já iniciadas. Essas estruturas vão permitir a ampliação das exportações para a China, destinatária de mais de 1,4 bilhão de toneladas do minério de ferro extraído no Brasil. Elas são pensadas para atender as demandas de exportação das 30 diferentes mineradoras atendidas pela empresa. Os dolphins também serão decisivos para o escoamento do óleo oriundo da Bacia de Santos, que responde por 90% da produção do país.
Dados da ATP apontam que a movimentação total de cargas nos terminais de uso privado alcançou 906,6 milhões de toneladas em 2025, representando crescimento de 7% em relação ao período anterior. Dentre os segmentos destacados estão o de granéis sólidos, com 538,2 milhões de toneladas (+7,2%); o de granéis líquidos e gasosos, com 271,6 milhões de toneladas (+7,9%); o de carga conteinerizada, com 56,9 milhões de toneladas (+6,1%); e o de cargas gerais, com 39,7 milhões de toneladas (+0,9%).
Sustentabilidade, transição energética e descarbonização
A empresa também destacou iniciativas voltadas à gestão ambiental, incluindo monitoramento da qualidade do ar por meio de estações automáticas e semiautomáticas, controle de emissões de partículas, gestão hídrica, reciclagem de resíduos e utilização exclusiva de energia renovável nas operações.
Ulisses Oliveira acentuou que as obras de dragagem e as operações de manutenção terão acompanhamento ambiental constante, incluindo o monitoramento acústico para saber se as intervenções podem afetar os golfinhos e outros animais marinhos que vivem nos ambientes aquáticos da Baía de Sepetiba.
O Porto Sudeste apresentou indicadores ambientais relacionados à operação do terminal, destacando resultados como 100% dos efluentes sanitários tratados dentro do terminal; 86% da água industrial proveniente de reuso; e 99% dos resíduos reaproveitados.
Na área de transição energética, o terminal informou utilizar 100% de energia proveniente de fontes renováveis nos equipamentos eletrificados de movimentação de granéis. A empresa também adota etanol nos veículos leves e realiza testes com veículos elétricos, incluindo caminhões e pás carregadeiras.
Outro destaque foi o programa de descarbonização. O Porto Sudeste anunciou uma meta pública de reduzir em 50,4% as emissões dos escopos 1 e 2 até 2033. Os dados apresentados indicam que as emissões passaram de 8.174 toneladas de CO₂ equivalente em 2021 para 2.112 toneladas em 2025, o que representa uma redução acumulada de aproximadamente 74% em quatro anos, superando o percentual previsto para o período.
Ações sociais e desenvolvimento regional
Além das iniciativas ambientais, o Porto Sudeste ressaltou programas voltados ao desenvolvimento socioeconômico da região, destacando 70% da mão de obra composta por trabalhadores locais; capacitação profissional e geração de renda; apoio à atividade pesqueira por meio de programas de requalificação; projeto “Hortas”, voltado à educação ambiental; e o funcionamento da Casa Porto, espaço destinado ao encontro, troca de conhecimentos e desenvolvimento comunitário.
Reforçando a participação do empreendimento na economia local, o Porto Sudeste informou que R$ 100 milhões foram recolhidos em impostos ao município em 2025.









