segunda-feira, janeiro 17, 2022
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Pandemia aumentou dificuldades de protetores de animais em Itaguaí

Cuidadoras fazem até rifas para tentar manter sua missão de proteger cães e gatos abandonados, e, sem apoio dos poderes públicos, contam com a solidariedade dos cidadãos

A pandemia de Covid-19 mudou a vida de muita gente. Mudou também a de bichinhos como cães e gatos. O abandono de pets bateu recorde neste período, chegando a ter um aumento de 70%, de acordo com levantamento feito pela Ampara Animais, uma Organização da Sociedade Civil com Interesse Público (OSCIP). Com isso, as conhecidas dificuldades de protetores de animais só fizeram aumentar. Como fechar a conta na proteção de animais com mais abandonos e menos adoções e recursos?

Não há um número exato de animais abandonados em Itaguaí, mas as organizações protetoras da cidade sentiram os problemas como em todo o país. Viviane Dutra Alves, fundadora da “SOS 4 patas” falou ao ATUAL das adversidades que tem enfrentado neste período de pandemia, isolamento social e perdas de empregos.

“Essa época de pandemia foi muito ruim, muito difícil. A ajuda fica mais escassa. É como em todo período de férias. Faço pedidos na internet, faxina, rifa e recebo ajuda fixa de algumas pessoas. Mas, quando fica mais difícil ainda, compro ração fiado”, relata Viviane. Ela também aprendeu a fazer cadeirinhas de rodas para animais que não conseguem mais andar sobre quatro patas. “Já cheguei a fazer de graça, mas agora eu cobro para poder alimentar os animais que resgato”, explicou.

Apaixonada por bichos desde a infância e, agora, com 30 animais aos seus cuidados (20 cães e 10 gatos), Viviane conta que suas despesas somam até mil reais por mês só com ração, fora remédios, vacinas e material de limpeza. Ainda assim, ela não pede doações em dinheiro. Diz que quem quiser ajudar, pode fazê-lo com alimentos e insumos medicamentosos, por exemplo.

AMOR PET

Outra que conversou com o ATUAL sobre as dificuldades de realizar o trabalho de cuidar de animais órfãos foi Tatiana Iva Canziani, mais conhecida como Tati. Ela é uma das protetoras que fazem parte da equipe da Amor Pet há oito anos e fala dos percalços na manutenção dos bichinhos.

Sede da Amor Pet, no bairro do Engenho, e alguns dos mais de 100 cães que a instituição abriga (Foto: Arquivo Pessoal)

Os números da Amor Pet impressionam. Hoje, a instituição cuida de mais de 100 cães, 70 gatos e três porquinhos. “Gastamos um saco de 15 kg de ração canina por dia, 20 kg de ração para gatos por semana e os suínos comem um saco de milho, mais as doações de sacolões por semana. Graças a Deus, alimentação não tem faltado, mesmo na pandemia. Nosso problema é na estrutura do local onde os animais ficam, porque alaga, e temos muitas despesas com essa estrutura”, conta Tati.

Ela diz que os gastos com aluguel, luz, vacinas, medicação chegam a R$ 3 mil. “A gente faz máscara, bolsa, caneca, rifa. A gente faz tudo para arrecadar fundos”, enumera a protetora.

SÓ NAS ELEIÇÕES

Mas o que será que Viviane, da SOS 4 patas, e Tatiana, da Amor Pet, têm em comum? Além do amor por bichos e a vontade de protegê-los desde a infância, quando já cuidavam de animais, elas revelam que não recebem apoio de qualquer autoridade municipal.

Ambas acreditam que a solução para o problema dos animais abandonados seria a castração e contam que o município de Itaguaí não oferece qualquer apoio nessa questão. Embora a prefeitura tenha anunciado, no dia 4 de janeiro, uma campanha para castração de cães e gatos, Viviane e Tatiana afirmam que não conseguiram fazer o cadastro.

Alguns dos 70 gatos da Amor Pet. Protetoras dizem que, quanto menos castração, mais abandono (Foto: Arquivo pessoal)

As duas dizem que castram seus bichinhos fora do município, no Centro de Zoonoses de Santa Cruz ou onde quer que consigam realizar o procedimento gratuitamente. Dizem que o único apoio que obtêm das autoridades municipais é a vacinação antirrábica nos abrigos.

Outro ponto em comum entre as duas protetoras são as visitações de caráter eleitoreiro. Elas afirmam que costumam receber postulantes a cargos eletivo. Segundo elas, os candidatos acenam com promessas para auxiliar na causa e doam sacos de ração nesse período. Passado o pleito, tenham sido eleitos ou não, os abrigos são esquecidos juntos com todas as promessas.

COMO AJUDAR

O consenso geral entre protetores de animais é o de que há mais abandonos do que adoções. Por esta razão, a ajuda é sempre bem-vinda. Os benefícios são para todos. Viviane, da SOS 4 Patas, pede que as pessoas não parem as doações e nem as adoções. Os doadores podem entrar na página da instituição por meio do link https://www.facebook.com/SOS-4-patas-salve-os-animais-117295969647158/.

Tatiana Canziani com um animal resgatado. Amor pelos bichos vem desde a infância (Foto: Arquivo Pessoal)

Tatiana da Amor Pet também apela para a solidariedade das pessoas. Ela avisa que no próximo sábado, 16 de janeiro, haverá feira de adoção no calçadão de Itaguaí. Ela ainda destaca que quem quiser colaborar, mesmo que seja por meio de trabalho voluntário uma vez na semana, pode entrar em contato pelo Whatsapp: número (21) 99807-5971.

A experiência das cuidadoras mostra que a defesa dos animais é mesmo uma paixão difícil de manter, e que depende não só da determinação dessas pessoas, mas também da solidariedade de cidadãos. Quanto aos governos e poderes em geral – em especial em Itaguaí – ainda estão distantes de tomar medidas que realmente colaborem com a causa de maneira efetiva. Há discursos e nada concreto, sem políticas que impactem positivamente a questão, que alcança inclusive a esfera da saúde pública. Isto torna o trabalho dessas cuidadoras um esforço diário notável, nobre e, na maior parte das vezes, um sacrifício incrível em prol de uma missão muito solitária, às vezes.

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