Grupo de Itaguaí se apresenta durante a Semana de Arte do Rio

“Antes do Silêncio – Anatomia de um Desaparecimento”, espetáculo sobre violência contra a mulher, será apresentado no Festival Mistura Gente

O grupo teatral Teatro das Marés, de Itaguaí, participa nesta sexta-feira da programação da Semana de Arte do Rio, por meio do Festival Mistura Gente, com a apresentação da esquete “Antes do Silêncio – Anatomia de um Desaparecimento”. A montagem dá continuidade à pesquisa artística iniciada em “Inventário para uma Mulher que Ria Alto”, trabalho que recebeu Menções Honrosas nas categorias Figurino e Relevância do Tema Abordado.

Atriz Priscila Almeida em ensaio para o espetáculo do grupo de Itaguaí, que aborda violência contra a mulher.
Atriz Priscila Almeida em ensaio para o espetáculo (FOTOS: DIVULGAÇÃO)..

Com direção de Eduardo Teffé e atuação de Priscila Almeida, o espetáculo combina teatro contemporâneo, performance e dramaturgia autoral para abordar diferentes formas de violência de gênero e os mecanismos cotidianos relacionados ao silenciamento das mulheres.

A narrativa é construída a partir de memórias, relatos e fragmentos de experiências. Em cena, a personagem revisita episódios de sua trajetória para refletir sobre como pequenas violências acumuladas podem levar a processos de apagamento e invisibilização.

Projeto nasceu em biblioteca de Itaguaí

O trabalho é resultado de uma iniciativa desenvolvida na Biblioteca Comunitária Nair Marinho, em Itaguaí, onde funciona o projeto de formação e criação artística que deu origem ao grupo. A proposta partiu do diretor Eduardo Teffé, que idealizou uma incubadora de monólogos teatrais voltada ao desenvolvimento de dramaturgias autorais, à experimentação cênica e à formação de artistas locais.

Desde sua criação, o projeto tem desenvolvido processos colaborativos de criação e levado trabalhos a mostras e festivais realizados em diferentes pontos do estado do Rio de Janeiro.

Para a atriz Priscila Almeida, apresentar o espetáculo representa também uma oportunidade de abordar experiências de mulheres que passaram por situações de violência e silenciamento. “Poder dar voz a tantas mulheres que tiveram vivências tão difíceis e que tantas vezes se calaram é como levantar uma bandeira e dizer: continuem em frente e voem. A arte também pode ser um espaço de acolhimento, de força e de transformação.”

Diretor Eduardo Teffé em frente à faixa do Festival de Teatro Estudantil de Niterói.

O diretor Eduardo Teffé também destaca a continuidade do projeto e a possibilidade de apresentar seus trabalhos em festivais: “É uma felicidade ver a manutenção de um projeto que, de forma contínua, consegue trabalhar com riqueza a linguagem cênica e, ao mesmo tempo, apresentar seus resultados em festivais por todo o estado do Rio de Janeiro.”

Segundo o diretor, a iniciativa também evidencia a produção artística desenvolvida nos territórios e a importância de espaços permanentes voltados à experimentação e à formação. Na história, uma mulher revisita fragmentos de sua memória para organizar um inventário de silêncios, violências e ausências. Entre lembranças da infância, relações afetivas e discursos que atravessam seu corpo, a peça investiga os mecanismos que ensinam mulheres a diminuir-se até que o desaparecimento pareça uma escolha.

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Richard Carrasco

Richard Carrasco é jornalista formado pela FACHA, com pós-graduação em Propaganda do Audiovisual na mesma instituição. Atua no Jornal Atual desde 2025 como redator e repórter.

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Atriz Priscila Almeida em ensaio para o espetáculo do grupo de Itaguaí, que aborda violência contra a mulher.
Atriz Priscila Almeida em ensaio para o espetáculo (FOTOS: DIVULGAÇÃO)..