Festiva Osún em Itaguaí é patrimônio imaterial do RJ

O projeto do deputado estadual Átila Nunes (PSD) virou lei e o Festival Anual de Osún em Itaguaí – da instituição religiosa Ilê Asé Vodun N´Ibaim – agora é patrimônio imaterial do estado do Rio de Janeiro. A lei número 10.294, de 13 de março de 2024, reconhece a importância cultural do evento que acontece todo ano em Itaguaí e ao mesmo tempo reforça a necessidade da luta contra a intolerância religiosa e a manutenção do estado laico.

Além disso, o propósito da lei – e do Festival – é celebrar a cultura Yorubá e fortalecer os laços comunitários, respeitando as crenças religiosas locais.

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Com o reconhecimento de patrimônio imaterial, valorizam-se as tradições, rituais, mitologia, danças, músicas, vestimentas e histórias relacionadas ao Festival Osún-Osogbo da cidade de Osobo, Nigéria, proporcionando uma visão profunda da cultura Yorubá e da deusa Osún.

Da mesma forma, a expressão artística do Festival (fotografia, pintura, escultura, música e dança), que envolvem artistas locais e o envolvimento da comunidade por meio de atividades educacionais e culturais também se fortalecem.

O FESTIVAL OSÚN

Segundo uma história oral, o Festival anual de Osún existe desde que o Rei Laro, fundador da cidade de Osogbo, na Nigéria, recuperou sua filha desaparecida no rio Osún. Agradecido, passou a homenagear todos os anos a dona do rio, fazendo-lhe oferendas.

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Devoto e dedicado à causa da defesa e luta pelas garantias dos direitos dos povos de matrizes africanas, o Babalawo de Itaguaí Elias Garcia, em viagem pela Nigéria, encantou-se com belo ato de agradecimento à Deusa das águas doces. E resolveu fazer em Itaguaí um evento que evocasse o ritual africano, o Festival Osún.

O Babalawo de Itaguaí Elias Garcia (ao centro) encantou-se com o ritual de agradecimento à Deusa das águas doces Osún quando esteve na Nigéria, e desde então procura realizar anualmente em Itaguaí um Festival que evoca o original africano (Divulgação)

Elias tem mais de 50 anos de experiência no culto de matriz africana. Ele foi iniciado em Ifá, passando a ser reconhecido também como Odú Olá Orisá Beni. Em 2022, foi intitulado na Nigéria como Babá Olosun Brasil.

Elias Garcia tem enfrentado situações desafiadoras como a sacerdote de matriz africana. Mas ele insiste com a sua missão, e diz: “Estou certo de que a cultura deve ser estendida a todos, por isso continuo a minha missão de levar a palavra de Ifá a todos que procuram conforto e proteção”.

Não são poucos os ataques que os seguidores de religiões de matrizes africanas sofrem em Itaguaí e em outras regiões pelo Brasil. Há depredações nos locais onde se praticam os rituais, dentre outras violências. A lei 10.294 inclusive enumera uma série de reportagens a respeito.

Elias conta sobre o Festival em terras itaguaienses: “Dei início ao Festival Osún em Itaguaí em 2011 e desde então procuramos realizá-lo anualmente. Ele representa para os devotos um grande ato de agradecimento pelas bênçãos recebidas da Orixá Osún, além de ser um grande instrumento de luta ao credo em estado de direito laico e ao combate a intolerância religiosa”.

PRÓXIMA EDIÇÃO

A próxima edição do Festival Osún acontece no dia 7 de abril, a partir das 9h, na rua Tenente José Gabriel, nº 8, no Jardim Laiá, em Itaguaí. Será uma grande celebração com entrega de moções a autoridades, apresentação de cânticos e grupos musicais.

A temática é “Um abraço negro em celebração da juventude com ritmos, sabores e movimentos da diáspora”.

O evento será divido em dois segmentos: o primeiro tratará das heranças religiosas em um cerimonial semelhante ao Osobgo, na Nigéria.

O segundo tratará da herança cultural deixada pelos antepassados que hoje fazem parte das ações, a música, dança, culinária, a arte e indumentária, evocando o pluralismo cultural africano.

Jupy Junior

Jupy Junior é jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ) com Mestrado em Comunicação pela mesma instituição. Atuou em diversas empresas jornalísticas e como assessor de imprensa. Recebeu o título de cidadão itaguaiense, concedido pela Câmara Municipal de Itaguaí, em 2012. Lecionou em cursos de graduação Comunicação Social nas Universidade Estácio de Sá (UNESA) e na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Foi subsecretário de Comunicação Social e Eventos na Prefeitura Municipal de Mangaratiba em 2016. Atuou como Editor Executivo do Jornal Atual entre 2012 e 2015 e é Diretor de Jornalismo do Jornal Atual desde 2021.

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