quarta-feira, maio 18, 2022
InícioCultura/DiversãoEscritoras negras lançam “Cartas para Esperança” no Salão Carioca do Livro

Escritoras negras lançam “Cartas para Esperança” no Salão Carioca do Livro

Com 22 autoras de comunidades de Santa Cruz, livro homenageia escrava que denunciou fazendeiros no século XVIII

Escrito por 85 mulheres negras, o livro “Cartas para Esperança” (Editora Malê), idealizado pela Festa Literária das Periferias (Flup), é um dos principais lançamentos da 4ª edição da LER – Salão Carioca do Livro, no Píer Mauá. No dia 15 de maio (domingo) haverá tarde/noite de autógrafos das autoras, 22 delas moradoras de conjuntos habitacionais e comunidades de Santa Cruz, bairro da zona oeste da capital do RJ, e debate sobre a obra, a partir das 16h até as 19h. A siderúrgica Ternium, uma das patrocinadoras da LER e do projeto do livro, tem sua usina praticamente na divisa entre Santa Cruz e Itaguaí, e muitos moradores desta última trabalham na empresa. 

Organizado por Julio Ludemir, diretor da Flup, o livro é uma homenagem das escritoras a Esperança Garcia, negra e escravizada que, em 6 de setembro de 1770, escreveu uma carta ao governador do Piauí denunciando a violência sofrida por ela e pelas companheiras e descrevendo os maus-tratos impostos pelo administrador da fazenda.

Dividido em três capítulos, o livro traz cartas escritas pelas autoras negras e, também, depoimentos de histórias de vida de mulheres que se fundem à história do bairro de Santa Cruz.

A bela capa do livro: lançamento no evento literário tem tarde/noite de autógrafos com as autoras (Divulgação)

“Um dos nossos compromissos é valorizar a cultura no Rio de Janeiro e no país, incentivar a educação e, assim, valorizar também a importância da leitura e dos livros como ferramentas para alcançarmos um desenvolvimento sustentável. E o Salão Carioca do Livro é um encontro que estimula a diversidade e a Economia Criativa. O livro ‘Cartas para Esperança’ é também motivo de enorme orgulho para toda a comunidade de Santa Cruz, mostrando a potência criativa das mulheres da região”, diz a Gerente de Relações com a Comunidade da Ternium, Fernanda Candeias.

MEMÓRIAS DO BAIRRO

Uma das autoras de “Cartas para Esperança”, Adriana Veridiana, de 46 anos, moradora de Santa Cruz, é também coordenadora do Coletivo As MariAmas e ativista nas questões feministas e raciais. Ela participou no ano passado do projeto da Flup de formação das autoras da região, coordenado por Luciana Diogo, que resultou no livro. Formada em ciências sociais, Veridiana, que é guarda municipal, comemora a chegada do livro.

“Sempre gostei de escrever. O projeto do livro mostra a força das mulheres, o quanto podemos produzir e fazer a diferença no próximo. Somos sementes que brotam, renascem e fazem outras vidas germinar”, afirma Veridiana, que agora sonha em escrever um novo livro.

Julio Ludemir conta que o projeto da Flup foi precedido pelo mapeamento de líderes comunitárias negras de Santa Cruz, para resgatar a história e a memória dos conjuntos habitacionais e comunidades da região. E as autoras das cartas do livro são desde mulheres jovens até idosas.

“Há um encontro geracional. O Brasil está descobrindo o Brasil, e essa descoberta está sendo feita pelas pessoas negras e, em particular, pelas mulheres. É preciso haver o encontro da literatura brasileira com o seu próprio povo”, conclui o diretor da Flup e organizador do livro.

SERVIÇO

Lançamento do livro “Cartas para Esperança” (Editora Malê, Flup)

Evento: 4ª LER – Salário Carioca do Livro (Festival do Leitor)

Data: 15 de maio, domingo

Horário: 16h às 19h

Local: Palco Voz e Vez, localizado no armazém 4 do Píer Mauá

Matérias relacionadas

Mais lidas

error: O conteúdo está protegido!