Niterói reforça liderança na agenda da Economia Azul
Lançamento do Tomorrow.Blue Economy 2026 reuniu especialistas para discutir inovação, segurança jurídica e oportunidades de negócios ligadas à economia do mar
A cidade de Niterói deu um importante passo para fortalecer seu posicionamento como referência nacional na agenda da Economia Azul ao lançar, na noite de quinta-feira (11), o Tomorrow.Blue Economy 2026. Realizado em parceria entre a Prefeitura de Niterói e a Feira Barcelona, organizadora do maior evento mundial voltado para cidades inteligentes, o encontro reuniu especialistas, pesquisadores, representantes do setor produtivo e instituições de fomento para discutir caminhos capazes de transformar o potencial marítimo brasileiro em desenvolvimento econômico sustentável.


O debate central do evento abordou o tema “Segurança Jurídica e Capital Azul: Como a Regulação e o Planejamento Espacial Marinho Destravam Investimentos”, destacando que a geração de emprego, renda, inovação e novos negócios nos territórios costeiros depende não apenas da vocação natural das cidades litorâneas, mas também de um ambiente institucional estável, previsibilidade regulatória e coordenação entre diferentes setores.
Durante as discussões, os participantes destacaram o potencial da chamada Amazônia Azul, área marítima brasileira com cerca de 3,6 milhões de quilômetros quadrados de Zona Econômica Exclusiva, considerada estratégica para atividades ligadas à energia, logística, pesquisa científica, mineração, pesca e inovação. Apesar dessa vantagem competitiva, especialistas apontaram que o país ainda enfrenta desafios relacionados à integração de dados, coordenação institucional e previsibilidade regulatória, fatores considerados essenciais para atrair investimentos e fortalecer a Economia do Mar.
Um dos principais temas abordados foi o Planejamento Espacial Marinho (PEM), ferramenta que busca organizar os diferentes usos do ambiente marítimo, reduzindo conflitos entre atividades econômicas e ambientais. Segundo os debatedores, o PEM deve ser compreendido não apenas como um instrumento de gestão ambiental, mas também como uma estratégia de desenvolvimento econômico capaz de oferecer maior segurança para investidores, ampliar o acesso ao crédito e fortalecer cadeias produtivas ligadas ao oceano.
O encontro reuniu representantes dos quatro pilares considerados fundamentais para o avanço da Economia Azul: o direito ambiental, a ciência oceânica, a inovação e o mercado. Participaram do painel a professora Cristina Moll Hüther, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o professor Marcelo Sperle Dias, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e presidente da Associação Brasileira de Oceanografia, o professor Marcus Vinicius Coutinho Gomes, pesquisador da UFF, e João Pedro Motta Leal, assessor da Presidência do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae-RJ e consultor da ABEEMAR, Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar.
Ao longo do debate, foi ressaltada a importância da aproximação entre universidades, governos, empresas e instituições de apoio ao empreendedorismo para transformar conhecimento científico em soluções aplicadas e oportunidades de negócios. A avaliação dos participantes é que a combinação entre dados robustos, regras claras e inovação pode impulsionar startups, ampliar o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas e fortalecer fornecedores locais ligados às atividades marítimas.
Na avaliação de Renato Regazzi, professor, pesquisador e conselheiro especializado na área, o lançamento do Tomorrow.Blue Economy 2026 evidencia a necessidade de o Brasil avançar em coordenação institucional, previsibilidade regulatória e inovação para transformar o potencial da Amazônia Azul em desenvolvimento econômico sustentável.
“O Brasil já possui um ativo extraordinário no oceano. O desafio agora é criar as condições de governança, previsibilidade e inovação necessárias para transformar esse potencial em negócios, empregos e desenvolvimento sustentável nos territórios costeiros”, avaliou Regazzi.
Outro destaque foi a defesa de iniciativas voltadas à governança dos territórios costeiros, como a certificação Selo Azul Cidades Costeiras, apresentada como uma ferramenta capaz de estimular boas práticas de gestão, planejamento e desenvolvimento sustentável nas cidades com vocação marítima.
Ao final do encontro, a mensagem predominante foi a necessidade de transformar o potencial marítimo brasileiro em resultados concretos para a sociedade. Para os participantes, o avanço da Economia Azul depende da construção de um ambiente de confiança baseado em coordenação institucional, inovação, produção científica, empreendedorismo e políticas públicas capazes de gerar trabalho, renda, competitividade e sustentabilidade para as cidades costeiras.









