Brasil abre 3,6 milhões de empresas em sete meses e bate recorde de dívida no mesmo período

isolado.

A distância entre o número de aberturas e o de fechamentos diz mais sobre a economia da região do que qualquer um dos dois isolado.

De janeiro a julho de 2026, o Brasil registrou 3,6 milhões de novas empresas, segundo levantamento do Sebrae. Quase todas são pequenos negócios: 3,4 milhões, ou 96,7% do total. No mesmo semestre, o país chegou ao maior número de empresas com dívida em atraso desde que a Serasa Experian começou a acompanhar o indicador, em 2016. Os dois recordes convivem, e é essa convivência que explica o balcão do comércio brasileiro hoje.

Nunca se abriu tanta empresa

O crescimento nas aberturas foi de quase 14% sobre o mesmo período de 2025. O microempreendedor individual puxa o movimento, com alta de 14,5% nos novos registros. Três em cada quatro empresas abertas no país são MEI.

Serviços concentra a maior parte das aberturas, seguido por comércio e indústria. É um perfil coerente com o que se vê nas cidades da Costa Verde: prestador autônomo, pequeno varejo, alimentação, transporte.

Pequenos negócios respondem por cerca de seis em cada dez vagas de trabalho com carteira assinada no Brasil, de acordo com o Sebrae. Quando um deles fecha, não some só um CNPJ.

E nunca se fechou tanta também

No primeiro trimestre de 2026, 874,9 mil pequenos negócios encerraram as atividades. São cerca de 126 mil a mais que no mesmo trimestre do ano anterior. Os MEIs respondem por 71% desses encerramentos.

A taxa de sobrevivência mostra onde está o problema. Dos MEIs abertos, 65,3% seguem ativos depois de dois anos. Entre as micro e pequenas empresas, o índice é de 89%. Quase 24 pontos percentuais separam as duas categorias.

Isso não significa que o MEI seja um mau negócio. Significa que ele é a porta de entrada, e porta de entrada tem gente entrando e saindo o tempo todo. A participação do MEI no total de pequenos negócios ativos vem caindo desde 2023, quando era de 60,2%, para 53,1% em 2026. Não é queda de interesse. É rotatividade.

A dívida chegou ao maior patamar da série

Em junho de 2026, o Brasil tinha 9,1 milhões de CNPJs negativados, com R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso, segundo a Serasa Experian. Micro e pequenas empresas concentram 8,6 milhões dos negativados e R$ 201,4 bilhões do valor.

A média por empresa é de R$ 23.181,56, distribuída em quase sete contas atrasadas. Serviços é o setor com mais empresas na lista.

No crédito bancário, a concentração é ainda maior. Das operações empresariais sem pagamento há mais de 90 dias em junho, micro, pequenas e médias empresas respondem por cerca de 89% do total.

Como o Rio de Janeiro aparece nesse mapa

O estado abriu 425,3 mil pequenos negócios em 2025, terceiro maior número do país, atrás de São Paulo e Minas Gerais, conforme dados do Sebrae Rio. Nos dois primeiros meses de 2026 já foram quase 70 mil.

Do total aberto no estado, 80,4% são MEI e 12,4% são microempresas. Logística e transporte, além de serviços de alimentação, aparecem entre os setores em expansão. É um retrato que conversa diretamente com Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba, onde a atividade portuária e a logística de passagem organizam boa parte da economia.

Em municípios fluminenses de médio porte, os pequenos negócios chegam a representar mais de 90% do mercado local.

O que esses números dizem para quem tem negócio aqui

Abrir empresa no Brasil ficou rápido e barato. Um MEI sai no mesmo dia. Uma sociedade limitada leva poucos dias úteis onde a Redesim está integrada. O gargalo deixou de ser a entrada.

O que ficou difícil é o segundo ano. E o segundo ano quase nunca aparece em política pública, em manchete ou em programa de apoio, que costumam se concentrar na formalização e parar ali.

Para o empresário da região, a leitura prática é simples: nunca houve tanta concorrência nova entrando no mercado, e nunca foi tão caro errar a conta do caixa. As duas coisas acontecem ao mesmo tempo, na mesma rua.


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A partir desta semana, o Jornal Atual passa a publicar uma editoria dedicada a quem tem negócio em Itaguaí, Seropédica, Mangaratiba e Angra dos Reis.

O que você vai encontrar aqui toda semana: prazos que vencem, regras que mudam, oportunidades que quase ninguém divulga e o que fazer com cada uma delas. Sem política, sem denúncia de estabelecimento e sem indicação de banco, contador ou fornecedor.

Se você tem uma dúvida, um prazo que não entendeu ou uma história de negócio nesta região, escreva para a redação. Sua dúvida pode virar a matéria da próxima semana.


Fontes:

Anderson Valente

Anderson Valente é criador de conteúdo (MTB 0044037/RJ) e fundador da Orange Content, agência de conteúdo e branding no Rio de Janeiro. Escreve sobre pequenos negócios, gestão e o ambiente empresarial da Costa Verde. Comanda o audiovisual para as redes sociais e assina a editoria de empreendedorismo do Jornal Atual.

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