Entenda por que mobilização busca ampliar oferta de ensino superior em Itaguaí
Abaixo-assinado já reúne cerca de 1.200 assinaturas e defende a criação de uma unidade federal com cursos de diferentes áreas do conhecimento.
Flávio Henrique Fernandes, natural de Itaguaí, vem coletando assinaturas pela criação de um Polo Universitário Federal no município. Ele é formado em Educação Física pela Estácio, campus Taquara R9, e pós-graduado em Reabilitação de Lesões na Uniguaçu. O deslocamento que precisava fazer para ambas as instituições foi um dos fatores que o levou a criar a mobilização, que até o momento conta com cerca de 1.200 assinaturas.
A ideia de Flávio é coletar 5 mil assinaturas para apresentar formalmente a reivindicação à Câmara Municipal e buscar apoio dos vereadores para que o tema seja colocado em discussão e votação. Segundo ele, com a ampliação da oferta de ensino superior público na cidade, os munícipes não precisariam fazer grandes deslocamentos, podendo estudar perto de casa. O município, atualmente, busca expandir suas opções de ensino superior público.
Em julho, o Senado aprovou o Projeto de Lei 5102/2023, que previa transformar o CEFET-RJ e o CEFET-MG em universidades tecnológicas federais. No entanto, a proposta foi vetada pelo presidente Lula, uma vez que a Constituição determina que projetos que alteram a estrutura de autarquias federais e geram despesas devem ser de iniciativa exclusiva do Poder Executivo. Diante disso, o Ministério da Educação se comprometeu a enviar um novo PL, de autoria própria e em regime de urgência, para viabilizar formalmente essa transformação no Congresso.
Caso o projeto do Executivo seja aprovado, o CEFET Itaguaí, que já oferece graduação pública no município desde 2008, passará a integrar a futura Universidade Tecnológica Federal do Rio de Janeiro (UTFRJ). Entretanto, a instituição continuará focada nas Ciências Exatas e Tecnológicas, como Engenharia, Computação, Tecnologia da Informação, Gestão Industrial e Ciências Aplicadas, sem contemplar cursos tradicionais das áreas de Humanas ou Saúde.
Proposta busca contemplar outras áreas do conhecimento
É por esta razão que Flávio continua coletando assinaturas. Segundo ele, o CEFET Itaguaí – que atualmente oferece os cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção -, mesmo que venha a se tornar um campus da UTFRJ, não cobrirá a demanda por formações como Direito, História, Medicina e Licenciaturas tradicionais.
“O manifesto não vem para tirar o lugar de nenhuma instituição, e sim para somar forças. O CEFET é parte importantíssima disso, podendo ajudar o município a nivelar a educação, mas não ocupa o espaço de universidades como a UFRJ e a Rural, que entregam disciplinas como Psicologia e Geografia. Oferece um serviço muito nobre, mas diferente”, destacou Flávio.
O CEFET Itaguaí, inclusive, é um dos locais onde Flávio coletou assinaturas. O diretor Daduí Cordeiro Guerrieri, em contato com a reportagem, afirmou que não assinou o abaixo-assinado, pois avaliou que “não faria sentido” a instituição ou seu representante apoiarem um documento que se referisse à busca pelo “primeiro polo universitário de Itaguaí”, considerando que o CEFET já está estabelecido e oferta graduação pública na cidade desde 2008. Não foi necessária autorização prévia para a coleta por se tratar de um espaço público, mas ambos se reuniram e a gestão do campus não fez objeções à ação de Flávio no local.
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