Fim da taxa das blusinhas divide opiniões no governo
Presidente Lula chamou o imposto de desnecessário. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin argumenta que a medida é necessária para “preservar o emprego no país”
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda enviar ao Congresso Nacional um projeto para revogar a chamada “taxa das blusinhas”, a cobrança de um imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

Instituída em agosto de 2024, a criação da cobrança adicional foi aprovada pelo Congresso Nacional, com apoio do Ministério da Fazenda, a partir da reclamação de empresários de uma “invasão” de produtos chineses de baixo valor no Brasil.
Na última quarta-feira (15), Lula classificou a medida como “desnecessária” e reconheceu o “prejuízo” que a iniciativa trouxe para o governo. José Guimarães, ministro das Relações Institucionais, também defendeu a revisão.
“Quando essa matéria foi votada, eu achava que não deveria ser aprovada. Para mim, foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se decidir revogar, eu acho uma boa”, disse, em um café com jornalistas, na quinta-feira.
A medida é apontada pelos próprios governistas como uma das razões para o desgaste da imagem do presidente, em um momento de queda na sua popularidade e empate técnico contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto. Para revogar a medida, será necessário o aval do Legislativo, assim como foi para aprová-la.
Contradição
Questionado por jornalistas na última quinta-feira (16), o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou que não há uma decisão do governo sobre revogar o imposto de importação sobre encomendas internacionais.
Alckmin vem sendo o principal defensor da taxa das blusinhas no governo. Ele argumenta que a medida é necessária para “preservar o emprego no país” e elevar a competitividade dos produtos brasileiros.
“Continuo entendendo que é necessária, porque mesmo com a taxa, ainda a tarifa é menor do que a produção nacional. Se for somar em 20% o imposto de exportação mais o ICMS dos estados vai dar menos de 40%. O produtor nacional paga quase 50%. Mesmo assim, a tarifa está menor que a produção nacional”, declarou na quinta.
Arrecadações
Em janeiro deste ano, o Governo Federal arrecadou o valor R$ 425 milhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais. Segundo números da Receita Federal, isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado — quando a arrecadação somou R$ 340,9 milhões. No primeiro mês deste ano, foram recebidas 15,3 milhões remessas internacionais, em comparação com 11,4 milhões em janeiro de 2025. No acumulado de todo ano de 2025, a chamada taxa das blusinhas arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões, ajudando o governo no atingimento da meta fiscal.






