Produtoras culturais de Itaguaí protagonizam evento na UFRRJ
Mesa sobre saberes decoloniais e oficina de arte urbana destacam o protagonismo feminino do município
O seminário “Cultura Corre pelo Território – Saberes, Artes e Políticas Culturais em Movimento” reuniu artistas, pesquisadores e estudantes na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no campus de Seropédica. A programação evidenciou vivências criativas da Baixada Fluminense e colocou em destaque o trabalho de produtoras do setor cultural de Itaguaí, protagonistas da primeira mesa do seminário.

A roda de conversa “Saberes encarnados, práticas decoloniais, vivência como método” reuniu Thamyres Dutra, Mariana Castro e Pamela Santos, três artistas e pesquisadoras que atuam diretamente no município. Durante o debate, elas compartilharam experiências que conectam arte, criação periférica, memória e políticas públicas culturais.
Itaguaí em destaque
A primeira mesa do seminário destacou trajetórias construídas fora dos circuitos culturais tradicionais e a importância da experiência territorial na produção de conhecimento. As participantes desenvolvem projetos culturais voltados para a comunidade local.
Atriz, palhaça, arte-educadora e graduanda em Psicologia pela UFRRJ, Thamyres Dutra ressaltou a importância de levar o cotidiano cultural dos territórios para dentro da universidade. Em entrevista ao Jornal Atual, ela afirmou que a presença de artistas no ambiente acadêmico fortalece a produção científica.
“Eu acho que a ciência se constrói com dados, mas também com a vida real das pessoas. É muito importante ocupar o espaço acadêmico com a realidade do cotidiano”, disse. A artista também destacou o significado simbólico da mesa, formada exclusivamente por mulheres de Itaguaí que atuam no campo cultural.
“Foi uma mesa formada só por pessoas moradoras de Itaguaí, mulheres que atuam no movimento da cultura no território. Para mim é uma honra partilhar esse espaço com quem vive a mesma realidade que eu”, afirmou.

Entre suas iniciativas está o projeto “Samba da Comunidade – Edição Bicentenário da Independência”, documentário que resgata memórias do carnaval de rua de Itaguaí e destaca personagens da cultura popular da cidade, como Dona Moçota.
Já a mediadora Pamela Santos, representante do grupo CORRE da UFRRJ, explicou a proposta do seminário. “Aqui foi um ponto de encontro para quem já está fazendo cultura, questionando, debatendo e produzindo nos territórios. A ideia foi justamente unir essas experiências”, afirmou.
Arte urbana na universidade
A programação também incluiu a Oficina de Lambes e Criação, ministrada pela artista visual Gaby Oby, grafiteira e produtora cultural de Itaguaí. Durante a atividade, ela apresentou técnicas de produção de cartazes e discutiu o lambe-lambe como ferramenta de intervenção urbana e mobilização social.

A artista destacou como a arte urbana pode alcançar públicos que muitas vezes não frequentam espaços culturais tradicionais. “A arte urbana lida diretamente com o público. A pessoa está na rua, indo para casa, e de repente encontra um lambe com uma mensagem que faz ela refletir”, disse.
Segundo Gaby, o movimento Mulheres do Lambe-lambe, do qual ela faz parte, surgiu após um episódio de violência contra uma adolescente em Itaguaí. O coletivo passou a utilizar cartazes nas ruas para denunciar a violência contra mulheres e provocar debate público.
Cultura em diálogo
Além da mesa e da oficina, o seminário reuniu outras atividades culturais e acadêmicas ao longo da programação. O evento contou com apresentação musical de Souza Gil, performance artística inspirada em Machado de Assis e uma mesa sobre dramaturgias da Baixada Fluminense. A iniciativa resultou de uma parceria entre o Comitê de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, o grupo CORRE da UFRRJ e o núcleo de pesquisa IMAGEMNO, da Afya Unigranrio.

Coordenadora executiva do Comitê de Cultura do Estado, a pesquisadora e dramaturga Beatriz Brandão destacou ao Jornal Atual a importância da presença de artistas e produtores culturais dentro da universidade. “A universidade precisa disso. A gente fala muito em ir a campo, mas poucas vezes o campo vem até nós. Esse diálogo é vital para a sobrevivência da universidade”, afirmou.
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