Literatura ganha espaço como ferramenta de identidade e transformação em Itaguaí
Projeto Bimestral do Livro reúne alunos da Escola Municipal Elmo Baptista Coelho, na Ilha da Madeira, em atividade que conecta leitura, cultura e identidade local
Uma atividade voltada à literatura e à valorização da memória local reuniu alunos da Escola Municipal Elmo Baptista Coelho, na Ilha da Madeira, em Itaguaí. A iniciativa busca aproximar crianças e jovens dos livros e estimular uma nova percepção sobre o lugar onde vivem. A ação fez parte da primeira edição do projeto Bimestral do Livro, realizada em parceria com a escola e com a participação da escritora e professora Aline Lourenço.

Prêmio Machado de Assis de Inovação
Moradora de Itaguaí desde 2018, Aline Lourenço desenvolve uma produção literária voltada principalmente às experiências de quem vive na periferia. Formada em Letras, com estudos relacionados ao ensino de combate ao racismo, ela também atua em sala de aula e procura levar para sua escrita temas como identidade, ancestralidade e pertencimento. Entre suas obras estão “A jovem sonhadora”, “Ivan – um conto para chorar”, “Os Cabelos de Gabrieli” e o livro infantil “Kambami e a Árvore da Cambalhota”, criado para valorizar a identidade e a autoestima de crianças negras. A escritora também recebeu o Prêmio Machado de Assis de Inovação, pelo texto “A Lembrança Póstuma de Josué” e participou de um projeto de escritores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Academia Brasileira de Letras.
Referência a aspectos de Itaguaí
No encontro, o texto escolhido para leitura abordou aspectos de Itaguaí, incluindo referências aos povos Tupinambás, à Revolta dos Tamoios e a Dom Pedro I. Para a escritora, aproximar a literatura da realidade dos alunos é uma maneira de ampliar o olhar sobre a própria trajetória. “Falar de território é tocar na marca afetiva do ambiente em que esses alunos moram. É fazê-los compreender outros valores como ancestralidade, família e memória”, afirma.
Dinâmica com foco em representação
Além da leitura, os estudantes participaram de uma dinâmica em que foram convidados a escolher uma palavra que representasse o lugar onde vivem. A atividade buscou transformar a turma em participante da discussão, relacionando literatura, memória e percepção sobre a comunidade. “Os nossos alunos simplesmente adoraram a experiência. Foi maravilhoso ver o envolvimento, o brilho nos olhos ao descobrirem novas histórias e a empolgação ao compartilharem o conhecimento. E eu, como dirigente escolar da Elmo Baptista, também adorei acompanhar de perto esse momento. Ver o impacto positivo dos livros na vida dos nossos estudantes é uma vivência enriquecedora para todos nós”, destaca a diretora Dannubia Neves.

Pertencimento e valorização do lugar
Durante a atividade, os participantes também conheceram parte do acervo e da trajetória da Biblioteca Municipal Machado de Assis, inaugurada em 1880 como Casa de Leitura e que recebeu, à época, uma coleção doada pelo imperador Dom Pedro II. A abordagem de educação patrimonial ampliou a discussão sobre pertencimento e valorização do lugar onde a comunidade está inserida.
Desenvolvido pelo Porto Sudeste a partir do Projeto Impacta ODS, o Bimestral do Livro prevê encontros com escritores que vivem na região ou que tenham obras relacionadas ao território. A proposta também busca aproximar os moradores da Sala de Leitura da Casa Porto, espaço criado para a comunidade.
Apoio para sair do papel
Segundo a analista de Responsabilidade Social do terminal, Juliana Sena, responsável pela iniciativa, o projeto começou a tomar forma durante um dos trajetos entre a Casa Porto e o Porto e ganhou o apoio do time para sair do papel. “Foi muito especial ver a proposta ganhar espaço, ser abraçada pela equipe e se transformar em realidade”, conclui.
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