Câncer colorretal: sintomas ainda são ignorados por brasileiros
Levantamento mostra baixa adesão a exames preventivos e demora na busca por atendimento, apesar da maior conscientização sobre os sinais da doença
O câncer colorretal, doença que ganhou mais atenção após a morte da cantora Preta Gil, é considerado o segundo tumor de maior incidência entre os brasileiros. Um levantamento mostra que muitos brasileiros ainda demoram para procurar atendimento diante de sintomas como sangue nas fezes e alterações no funcionamento do intestino, sinais que os médicos apontam como importantes indicativos da doença.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 53 mil novos casos de câncer colorretal no Brasil durante o triênio 2026-2028. Os dados integram uma pesquisa divulgada pelo Hospital A. C. Camargo e pela Nexus, que entrevistou mais de 2 mil pessoas sobre conhecimento, prevenção e comportamento em relação à doença.
Pesquisa Hospital A. C. Camargo
O levantamento revela que oito em cada dez entrevistados reconhecem que a presença de sangue nas fezes e mudanças no funcionamento do intestino podem representar um problema grave. Entre eles, 67% concordam que esses sintomas podem indicar câncer colorretal, enquanto 24% concordam fortemente com essa afirmação.
Mesmo com esse nível de conscientização, quase metade dos entrevistados não procura assistência médica rapidamente quando percebe esses sinais, o que pode atrasar o diagnóstico da doença.
O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, alertou para a importância de não ignorar sintomas como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.
“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou Samuel Aguiar.
Sangue Oculto nas Fezes
A pesquisa também identificou baixo conhecimento sobre o exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), considerado o principal recurso para identificar sinais da doença antes do surgimento de sintomas evidentes.
Segundo os dados, 67% dos entrevistados nunca ouviram falar do exame. Apenas 11% afirmaram já tê-lo realizado, enquanto 21% disseram conhecer o procedimento, mas nunca fizeram o teste.
O desconhecimento é ainda maior entre pessoas de 16 a 24 anos, faixa em que chega a 85%. O índice também supera a média entre homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e entrevistados com escolaridade até o ensino fundamental (72%).
Busca por atendimento médico
A pesquisa identificou que 9% dos entrevistados já perceberam a presença de sangue nas fezes. Entre esse grupo, 59% buscaram atendimento médico imediatamente.
Os demais 40% adotaram outras condutas antes de procurar um profissional de saúde. Desse total, 19% esperaram o sintoma desaparecer sem tomar qualquer medida, 10% aguardaram dias ou semanas para buscar atendimento, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% buscaram medicamentos por conta própria em farmácias e 1% pesquisou informações na internet antes de procurar orientação médica.
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