Projeto da tornozeleira rosa avança na Alerj

Medida cria identificação visual para monitorar agressores; proposta sobre campanhas contra violência digital também segue para análise

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, na quarta-feira (8), dois projetos voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

As duas propostas aprovadas pela CCJ ainda precisam passar pelo plenário da Alerj antes de seguir para sanção ou veto do governador (FOTO REPRODUÇÃO)

Um institui a chamada tornozeleira eletrônica rosa para pessoas monitoradas por decisão judicial. O outro destina parte da publicidade oficial do Estado a campanhas de conscientização sobre crimes cibernéticos. Ambos ainda precisam ser votados em plenário e, se aprovados, seguem para sanção do governador.

Monitoramento

O Projeto de Lei 7.549/26 estabelece que a medida poderá ser adotada em medidas protetivas de urgência ou cautelares determinadas pela Justiça. A proposta alcança casos de violência doméstica e familiar, violência vicária, violência de gênero em diferentes contextos, além de crimes como perseguição, assédio e violência sexual.

A decisão sobre o uso do dispositivo continuará sob responsabilidade do Judiciário. O magistrado deverá analisar cada situação individualmente e fundamentar a aplicação ou a dispensa do equipamento. Já o Executivo poderá implementá-lo conforme as condições orçamentárias e operacionais do Estado.

Os autores da proposta apontam dois efeitos esperados: facilitar a atuação das forças de segurança durante ocorrências envolvendo o monitorado e reduzir a reincidência, ampliando a proteção às vítimas e à sua rede de apoio.

O texto também prevê garantias ao monitorado, ao vedar a divulgação de sua identidade em meios de comunicação e redes sociais, salvo justificativa de segurança pública, e assegurar orientações por escrito sobre seus direitos e canais para reclamações.

Política estadual

Se sancionada, a tornozeleira rosa passará a integrar a Política Estadual de Proteção Integral da Mulher, atuando em conjunto com programas de monitoramento eletrônico, prevenção à violência de gênero e responsabilização de agressores, em consonância com a Lei Maria da Penha.

O projeto autoriza ainda a criação de um grupo de trabalho interinstitucional para regulamentar a aplicação da medida, com atribuições que incluem a avaliação periódica de sua efetividade e a apresentação de sugestões de aperfeiçoamento.

Outra previsão determina que o Governo Estadual envie anualmente à Alerj um relatório com o número de pessoas monitoradas e os registros de descumprimento de medidas protetivas ou cautelares durante o acompanhamento eletrônico.

As despesas da política utilizarão recursos da Lei Orçamentária Anual, além de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Estadual de Segurança Pública.

Campanhas educativas

Na mesma reunião, a CCJ aprovou o Projeto de Lei 3.143/24, elaborado pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a violência cibernética contra mulheres no estado.

A proposta altera a legislação que disciplina a publicidade oficial dos poderes estaduais, com pelo menos 2% dos recursos das campanhas institucionais que deverão financiar ações permanentes de conscientização sobre crimes cibernéticos cometidos contra mulheres, além da divulgação de formas de prevenção e orientação às vítimas.

Leia também: Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188%

Jose Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atua como crítico de cinema, jornalista cultural e repórter estagiário do Jornal Atual.

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As duas propostas aprovadas pela CCJ ainda precisam passar pelo plenário da Alerj antes de seguir para sanção ou veto do governador (FOTO REPRODUÇÃO)