Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188%

Dados do Ligue 180 mostram avanço das ocorrências em ambientes virtuais; governo amplia capacitação e reforça medidas de proteção online

As denúncias de violência digital contra mulheres cresceram 188,6% em um ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Ministério das Mulheres. De janeiro a maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 denúncias desse tipo, contra 5.795 registros no mesmo período do ano passado.

Violência digital contra mulheres
As redes sociais tem o prazo de duas horas para remover imagens de nudez divulgadas sem o consentimento da vítima (DIVULGAÇÃO SENADO FEDERAL)

O levantamento aponta que redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outros ambientes virtuais têm sido utilizados para controlar, ameaçar, humilhar, expor indevidamente, perseguir, intimidar, chantagear ou ferir a dignidade de meninas e mulheres.

Nudez não consentida

A diretora da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Marina Pita, destacou medidas previstas no novo decreto para ampliar a proteção de mulheres vítimas de de publicação de imagens não consentidas de nudez ou de ato sexual privado na Internet.

Entre as mudanças, o texto estabelece prazo de duas horas para que plataformas digitais removam imagens de nudez ou atos sexuais privados divulgados sem consentimento da vítima.

A medida tem como base o Artigo 21 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), que trata da violação da intimidade por terceiros. A proposta busca acelerar a resposta às vítimas e reduzir os impactos da exposição indevida em ambientes digitais.

Ligue 180

Em média, todos os canais da Central de Atendimento à Mulher registram quase 3 mil ocorrências por dia. Cerca de 30% dos atendimentos são formalizados como denúncias. Os demais envolvem orientações para vítimas e denunciantes.

Cerca de 350 atendentes receberam qualificação para adequar o atendimento do Ligue 180 aos casos de violência digital. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR).

A coordenadora geral do Ligue 180, Ellen Costa, conta que  a modernização serve para mostrar que o serviço vai além de orientações sobre a Lei Maria da Penha e se conecta com a realidade de meninas e mulheres.

“É importante a gente ter as atendentes qualificadas para saber, em um atendimento virtual, identificar esses tipos de violência e repassar essa informação para a população. É um diferencial”, disse a coordenadora sobre o treinamento realizado.

A qualificação das atendentes e a atualização dos protocolos seguem as orientações do decreto presidencial nº 12.976/2026, de proteção de mulheres na Internet, que entrou em vigor na última sexta-feira (19), 60 dias após sua assinatura.

Perfil de vítimas

De acordo com o Ministério das Mulheres, a violência digital afeta diferentes grupos de forma desigual. Quase metade das vítimas identificadas nas ocorrências é composta por mulheres negras, que representam 48% do total dos casos. Desse percentual, 37,5% são pardas e 10,5% são pretas.

As mulheres brancas correspondem a 34,2% das vítimas registradas. Os dados também mostram concentração dos casos em determinadas faixas etárias.

A maior incidência de denúncias ocorreu entre mulheres de 35 a 44 anos, responsáveis por 21,6% dos registros. Quando considerada a faixa entre 25 e 49 anos, o grupo representa 50,8% do total das ocorrências.

Em relação à escolaridade, 25,7% das vítimas tinham ensino médio completo em 2025. Os dados também apontam vulnerabilidade econômica. Quase metade das mulheres afetadas, equivalente a 45,9%, não possui renda ou recebe até um salário-mínimo.

Natalia Natalino

Jornalista, produtora audiovisual e fotógrafa formada pela UFRRJ.🏳️‍⚧️

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As redes sociais tem o prazo de duas horas para remover imagens de nudez divulgadas sem o consentimento da vítima (DIVULGAÇÃO SENADO FEDERAL)