Disputa entre milícias provoca rotina de medo em Chaperó

Tiroteios no bairro de Itaguaí fecham escolas e serviços e mantêm moradores em alerta há uma semana

Moradores do bairro de Chaperó, em Itaguaí, enfrentam uma semana marcada por intensos episódios de violência, com tiroteios frequentes, suspensão de aulas e impacto direto no funcionamento de serviços públicos.

Policiais militares ao lado de viaturas em Chaperó
Caveirão da Polícia Militar reforça o patrulhamento em Chaperó, bairro de Itaguaí, após registro de tiroteio na região (FOTO REPRODUÇÃO/INTERNET)

A instabilidade na região está relacionada à disputa territorial entre milicianos rivais. Moradores relatam um cenário de “guerra”, com explosões e disparos de fuzil, que transformaram a rotina local. Relatos enviados por moradores dão conta de que a situação não se restringe a um único episódio: já são pelo menos sete dias consecutivos de tensão, com registros de confrontos em áreas como Parque Primavera e nas regiões conhecidas como Gleba A e Gleba B.

Impactos no dia a dia

A violência tem causado reflexos diretos na rotina da população. Mensagens compartilhadas por escolas e unidades públicas mostram que, por precaução, aulas foram suspensas e o comparecimento de alunos não será contabilizado como falta.

Em um dos comunicados, a direção de uma escola informou que os responsáveis que optarem por não enviar os filhos “não terão prejuízo quanto à falta”, destacando a preocupação com a segurança no entorno.

Outras unidades também adotaram medidas semelhantes. Há registros de suspensão de aulas presenciais, orientação para atividades online e pedidos para que famílias evitem deslocamentos desnecessários. Ainda nesta semana, foi relatado que ônibus da linha 430 P – Chaperó x Santa Cruz não estavam seguindo até o ponto final, fazendo o retorno ao chegarem ao terminal rodoviário de Itaguaí.

Além da educação, serviços públicos também foram afetados: escolas sem aula ao longo do dia, unidade de saúde com funcionamento parcial ou abertura tardia; centros de assistência social sem atendimento, equipamentos públicos fechados por segurança.

Medo e silêncio

Apesar da gravidade da situação, moradores relatam receio em expor o que está acontecendo. O medo de represálias por parte do crime organizado dificulta o compartilhamento de informações e denúncias.

A insegurança constante tem alterado hábitos simples, como sair de casa, trabalhar ou frequentar a escola. Muitos preferem permanecer dentro de casa enquanto aguardam a normalização do cenário.

A polícia tem reforçado a segurança no bairro. Em postagem nas redes sociais, o 24º Batalhão de Polícia Militar (BPM) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) afirmou que as forças de segurança se encontram presentes e incentivou os moradores a denunciarem atividades suspeitas.

Disputa territorial

O conflito envolve grupos ligados a milícias que disputam o controle naquela área. A região é dominada pela milícia de Gilson Ingrácio de Souza Júnior, o Juninho Varão. Criminosos ligados à milícia de Luiz Antônio Silva Braga, o Zinho, tentam retomar o território.

Enquanto isso, moradores seguem em estado de alerta, convivendo com a incerteza e a expectativa por uma solução que devolva a tranquilidade ao bairro.

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Redação

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