Ternium contesta relatório internacional e nega impactos ambientais em Santa Cruz
Siderúrgica afirma que estudo de ONG finlandesa foi feito à distância, sem validação científica, e destaca que Justiça e dados oficiais de saúde respaldam suas operações no Rio
A Ternium contestou informações que circulam nas redes sociais sobre suas operações em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A empresa afirmou que as acusações se baseiam em um parecer do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), organização sediada na Finlândia.

A companhia classificou o documento como um material sem respaldo científico suficiente e sem conexão com a realidade local. Segundo a empresa, o relatório foi produzido por simulações teóricas à distância, sem visitas ao território brasileiro.
A Ternium também ressaltou que não houve consulta ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA), à Secretaria Municipal de Saúde ou a autoridades públicas. O parecer divulgado pelo CREA não considerou indicadores oficiais nem manteve diálogo com órgãos responsáveis.
Por fim, a companhia destacou que a Justiça brasileira já analisou ações sobre a saúde da população de Santa Cruz. Com base em perícias técnicas realizadas no próprio local, o Judiciário descartou os riscos ambientais apontados sobre as operações da siderúrgica.
O parecer do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA)
De acordo com a Ternium, o parecer divulgado pelo CREA não considerou indicadores oficiais nem manteve diálogo com órgãos públicos responsáveis pelo acompanhamento ambiental e sanitário da região. Em nenhum momento houve visita técnica em Santa Cruz que fundamente as acusações feitas.
A empresa afirmou que o documento apresenta conclusões baseadas em simulações teóricas e sem comprovação prática. Segundo a companhia, o tema já foi analisado no Brasil por meio de perícias técnicas realizadas em Santa Cruz, que serviram de base para decisões judiciais sobre o assunto.
Monitoramento ambiental e estações de medição
O relatório finlandês acusa a Ternium de que as estações de monitoramento mantidas pela empresa mediriam gases de efeito estufa. Segundo a companhia, os equipamentos avaliam a qualidade do ar da região e monitoram as condições da atmosfera local.
A empresa explicou que esses indicadores refletem o conjunto de atividades existentes no território de Santa Cruz. Eles incluem circulação de veículos, queimadas e atividades industriais. A companhia afirmou que a medição da qualidade do ar e o monitoramento de gases de efeito estufa são procedimentos distintos.
Outro ponto contestado foi a alegação de que a empresa realizaria autofiscalização ambiental. A Ternium informou que custeia e mantém a estrutura de monitoramento em conformidade com as exigências de sua licença ambiental e com os padrões estabelecidos pelo INEA.
O INEA é um órgão do Governo do Estado do Rio de Janeiro, vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, criado em 2008 a fim de fiscalizar e combater crimes ambientais.
Segundo a empresa, todos os dados coletados são transmitidos online e em tempo real para as autoridades competentes. A companhia destacou que o instituto estadual é responsável pela fiscalização, auditoria e validação das informações obtidas pelas estações.
Dispersão de poluentes: Santa Cruz x São Paulo
A Ternium também refutou a afirmação de que a suposta poluição gerada em Santa Cruz alcançaria a cidade de São Paulo por meio dos ventos.
De acordo com a empresa, a conclusão apresentada no relatório se apoia em dados equivocados e premissas tecnicamente inconsistentes.
A companhia argumentou que a distância de quase 250 quilômetros entre Santa Cruz e São Paulo torna a hipótese incompatível com comprovações práticas apresentadas pelo documento.
Dados de doenças respiratórias no Rio de Janeiro
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o bairro de Santa Cruz corresponde a uma das regiões com menor incidência de casos graves de doenças respiratórias e de mortalidade por câncer de pulmão no município.
A Ternium utilizou dados oficiais para desmentir informações falsas do relatório finlandês. Segundo a siderúrgica, mais de 8 mil trabalhadores da unidade passam por exames periódicos e monitoramento contínuo.
A empresa afirma que nenhum problema de saúde relacionado às atividades fabris foi identificado entre os profissionais acompanhados.
A Ternium destacou ainda que opera com todas as licenças ambientais exigidas pela legislação. A empresa informou ter investido mais de R$ 570 milhões em melhorias ambientais desde 2017 e afirmou que continuará realizando investimentos para ampliar a performance ambiental do centro industrial.
O episódio histórico da “chuva de prata”
A companhia também mencionou o episódio conhecido como “chuva de prata”, ocorrido entre 2010 e 2012, período anterior à sua operação do centro industrial.
Segundo a empresa, o problema foi corrigido antes de a Ternium assumir a unidade. A companhia afirmou que não há registro de novos incidentes relacionados ao caso desde então.
Ao final do posicionamento, a empresa declarou que os dados utilizados em sua argumentação são públicos e que continuará respondendo aos questionamentos com transparência. A Ternium também informou que permanece aberta ao diálogo sobre o tema.









