quarta-feira, maio 18, 2022
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Itaguaí: playground no Calçadão custou R$ 79 mil, diz prefeitura

Nem todo mundo gostou da novidade para as crianças na principal rua do comércio da cidade

Teve super-heróis, lanche e muita diversão na quinta-feira (7) no Calçadão de Itaguaí. A prefeitura inaugurou uma espécie de playground no local, com brinquedos para as crianças subirem e escorregarem. O evento contou com a participação de 60 alunos dos Pré I e II da Escola Municipal de Educação Infantil Hypólito Vieira de Carvalho, que fica no bairro Jardim América. Os pequenos puderam usar as instalações e tirar fotos com o Capitão América, o Homem de Ferro e a Elza de Frozen. Tudo muito bacana, mas teve gente que não gostou.

Prefeito Rubem Vieira posa com primeira-dama Jéssica Ribeiro e com personagens que animaram a criançada: de acordo com ele, novidade incrementa ainda mais a revitalização no local (Reprodução Facebook da Prefeitura de Itaguaí)

“Enquanto isso, as creches continuam a funcionar só até o meio-dia e muitas escolas não têm profissionais suficientes para dar conta do trabalho”, “quanto terá custado esses brinquedos?”, “o Calçadão não precisa disso, precisa é de incentivo ao comércio, que vai de mal a pior” – estes foram alguns comentários que o ATUAL coletou na rede social Facebook a respeito da nova aquisição da prefeitura para o local.

Em tempo: o ATUAL perguntou à prefeitura, há cerca de um mês, o motivo pelo qual as creches funcionam só até o meio-dia e até hoje não obteve resposta.

LICITAÇÃO

Quanto à pergunta sobre o custo, a prefeitura respondeu à reportagem ontem, por e-mail: foram R$ 79 mil para comprar o brinquedo, uma plataforma com quatro módulos de onde as crianças podem escorregar, entrar em um túnel e sair por um tobogã.

O edital de licitação, publicado no Jornal Oficial da cidade, previa gasto de até R$ 65 mil por módulo do brinquedo (Reprodução Internet)

No edital de licitação para adquirir o material (nº 140/2021), a prefeitura sinalizou que pagaria até R$ 65 mil a unidade. Como licitou quatro unidades, o preço máximo que a prefeitura pagaria seriam vultosos R$ 260 mil. A reportagem fez uma busca rápida no Google e encontrou produto semelhante ao custo de R$ 42 mil a unidade, o que poderia totalizar um custo de R$ 168 mil.

O ATUAL não teve acesso ao contrato, de modo que não foi possível determinar os custos com exatidão, nem saber qual foi a empresa que venceu o certame.

Busca no Google revela que equipamento semelhante custa cerca de R$ 42 mil no mercado; reportagem não conseguiu encontrar contrato que a prefeitura fechou com a empresa vencedora da licitação (Reprodução Internet)

Segundo o texto do post no Facebook oficial que acompanhou fotos da inauguração, o material do playground com seus módulos é resistente, confeccionado em madeira ecológica, de acordo com os princípios da sustentabilidade. No piso, a Secretaria municipal de Obras instalou uma combinação de borracha feita de pneu triturado.

Mas cabe a pergunta: a prefeitura fez uma previsão quanto às necessidades de manutenção? O equipamento está instalado em um local sem cobertura. Além disso, pode sofrer depredações durante a madrugada. Mesmo resistente, o brinquedo pode se deteriorar por estar sujeito à chuva e ao sol.

“TRANSFORMAÇÃO”

O prefeito Rubem Vieira compareceu ao evento acompanhado da primeira-dama, Jéssica Ribeiro. Para ele, a iniciativa faz parte do processo de transformação do Calçadão: “Seguimos firmes com nossa revitalização. Desta vez, entregando este brinquedo para as crianças da cidade. É mais uma conquista para devolver a vida a este lugar e, sobretudo, ao nosso comércio. Graças a Deus, nos últimos meses, já abriram 20 novas lojas aqui no Centro por causa desses pequenos cuidados que estamos fazendo. Pedimos à população que cuide, que não jogue lixo no chão, zele pelo patrimônio público. Com essas atitudes, em breve teremos uma das melhores cidades do estado”, repete Vieira, que costuma qualificar os críticos como “aqueles do governo passado”.

Elisa Giovanna dos Santos, a secretária de Obras, concorda com o prefeito e diz que o playground é sim uma forma de impulsionar o comércio. Ambos, porém, não explicaram de que forma levar as crianças para usar o brinquedo vai aumentar as vendas de quem tem loja no local. Com isso, podem ajudar a aumentar o coro de quem diz que as prioridades do governo municipal não estão coerentes com as necessidades da cidade.

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