El Niño eleva risco de temporais e calor no Rio

A previsão é de temperaturas acima da média e chuvas irregulares a partir de setembro

O El Niño deve aumentar o risco de temporais e manter temperaturas acima da média no Rio de Janeiro a partir de setembro. A previsão indica que a primavera e o verão serão marcados por calor intenso e pancadas de chuva irregulares, cenário que pode favorecer alagamentos e outros transtornos em diferentes regiões do estado.

Fenômeno aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera a circulação atmosférica e aumenta a probabilidade de calor acima da média e chuvas intensas (FOTO FAUSTO MAIA / ESTADÃO)

Além do calor, o El Niño deve alterar o comportamento das chuvas no território fluminense. A tendência aponta para precipitações mais localizadas, influenciadas pela passagem de frentes frias, pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e pelas tempestades típicas do verão, enquanto cidades vizinhas podem registrar pouca ou nenhuma chuva.

Calor acima da média

O fenômeno tende a intensificar uma característica já comum do clima fluminense. Como a primavera e o verão normalmente registram temperaturas elevadas, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico favorece períodos ainda mais quentes.

Os primeiros efeitos podem ser percebidos em setembro e devem persistir durante as duas estações. A combinação entre calor e umidade também aumenta a formação de nuvens carregadas, principalmente entre a tarde e a noite.

Chuva ficará mais irregular

O El Niño modifica a circulação atmosférica e altera a distribuição das chuvas. No Rio de Janeiro, essa mudança favorece pancadas intensas em áreas específicas, impulsionadas pela atuação de frentes frias, da ZCAS e de eventos convectivos.

Na prática, um município pode registrar chuva forte em poucos minutos enquanto localidades próximas permanecem com tempo firme. Esse padrão aumenta o risco de alagamentos pontuais e dificulta a previsão dos locais mais afetados.

Entenda o que é o El Niño

O El Niño faz parte do fenômeno climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul. Ele ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial registram aquecimento igual ou superior a 0,5°C por um período prolongado.

Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do mundo. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos.

No Brasil, os impactos variam entre as regiões. O Sul tende a registrar mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste costumam enfrentar períodos mais secos. No Sudeste, o fenômeno favorece temperaturas mais elevadas.

Impacto no segundo semestre

A Organização Meteorológica Mundial projeta que o El Niño se intensifique ao longo do segundo semestre e alcance seu pico entre novembro e fevereiro.

Esse cenário amplia a possibilidade de ondas de calor, secas em algumas regiões e episódios de chuva intensa em outras. Os efeitos variam conforme as características climáticas de cada localidade.

Medidas preventivas

Diante da previsão, a Prefeitura do Rio anunciou ações para reduzir os impactos do calor e das chuvas fortes. O município antecipou obras de contenção de encostas e intervenções contra enchentes para concluir parte dos serviços antes do verão.

A administração municipal também informou que reforçará a divulgação dos protocolos de enfrentamento ao calor extremo, com orientações voltadas à população durante os períodos de temperaturas mais elevadas.

No âmbito nacional, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu antecipar o início do fornecimento de energia de contratos de reserva de capacidade. A medida acrescentará 1,8 gigawatt ao Sistema Interligado Nacional a partir de 1º de setembro.

Segundo o CMSE, a antecipação busca reforçar a segurança do sistema elétrico durante o restante de 2026 e o início de 2027, período em que as temperaturas mais altas podem elevar o consumo de energia. As informações desta reportagem foram apuradas originalmente pelo g1, com base em análises da Climatempo.

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Jose Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atua como crítico de cinema, jornalista cultural e repórter estagiário do Jornal Atual.

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