Itaguaí: Cefet vira universidade, mas movimento por novo polo continua
Idealizador da mobilização afirma que nova instituição terá foco tecnológico e defende cursos de saúde, direito e humanas na região
A transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) em universidade federal foi oficializada na última sexta-feira (25), com a publicação da Lei nº 15.521/2026 no Diário Oficial da União. Sancionada na quinta (24), a legislação cria a Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro (UFCI/RJ), que passa a incorporar as unidades do Cefet/RJ, incluindo o campus de Itaguaí.
A nova lei estabelece que a UFCI/RJ terá entre seus objetivos oferecer cursos de graduação e pós-graduação voltados à formação de profissionais e especialistas na área tecnológica, além de cursos técnicos, educação continuada e atividades de pesquisa e extensão relacionadas à área.
A mudança passou a ser utilizada como argumento pelo movimento que defende a criação de um Polo Universitário Federal em Itaguaí. Segundo Flávio Henrique Fernandes, idealizador do abaixo-assinado, a nova universidade amplia a presença do ensino superior federal no município, mas seu perfil tecnológico não contemplaria, inicialmente, a demanda defendida pelo movimento por cursos em áreas como saúde, direito e ciências humanas.
O abaixo-assinado apresentado pelo movimento já reúne, segundo a organização, 1.350 assinaturas. O documento é direcionado à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a proposta de ampliar a oferta de ensino superior público federal na região.
Relação histórica com Seropédica
Um dos argumentos pelo abaixo-assinado é a relação histórica entre Itaguaí e a área onde atualmente está instalado o campus principal da UFRRJ, em Seropédica. A Lei Estadual nº 2.446, de 12 de outubro de 1995, criou o município de Seropédica a partir do desmembramento do então distrito de Seropédica, que pertencia a Itaguaí.
O movimento também aponta a existência de patrimônio da UFRJ em Itaguaí. A própria universidade informa atualmente que possui um imóvel de 149.869,18 metros quadrados no município. O patrimônio aparece na relação oficial de imóveis da instituição como o “Loteamento Estrela do Céu (Itaguaí)”.
A existência do terreno, porém, não significa que haja atualmente um projeto da UFRJ para instalação de um polo universitário no local. O imóvel aparece na documentação patrimonial da universidade, enquanto a utilização da área para a finalidade defendida pelo movimento dependeria de decisões institucionais e administrativas.
Pedido busca cursos além da área tecnológica
De acordo com Flavio Henrique Fernandes, a transformação do Cefet/RJ em universidade demonstra a possibilidade de ampliar a presença de instituições federais de ensino superior na região. “A transformação do Cefet mostra que é possível trazer ensino superior federal para a nossa região. A lei deixa claro que a nova universidade é tecnológica. Itaguaí também precisa formar seus enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e advogados aqui, perto de casa”, afirmou.
A proposta defendida pelo movimento prevê cursos de graduação nas áreas de saúde, jurídica e humanas, além de atividades de extensão que poderiam oferecer serviços gratuitos à população, como atendimentos de fisioterapia, psicologia, assistência jurídica e odontologia.
A Lei nº 15.521/2026 entrou em vigor na data de sua publicação. A nova UFCI/RJ inicia, a partir da legislação, o processo de implantação da instituição que substitui o Cefet/RJ. Segundo informações divulgadas pelo próprio Cefet, a instituição atualmente oferece 5.371 vagas anuais e atende mais de 20 mil estudantes em cursos técnicos, de graduação e pós-graduação.
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