Casos de mpox aumentam no Brasil e acendem alerta na área da saúde

Cerca de 150 casos foram confirmados até março de 2026. Entenda as principais formas de transmissão, sintomas, diagnóstico e tratamento

O Brasil voltou a registrar aumento de casos de mpox desde o início de 2026. De acordo com o Ministério da Saúde, em janeiro, o número de casos confirmados e prováveis totalizou 68; em fevereiro, 70; e em março, 11 e, em abril, o número ainda não foi divulgado. Até o momento, não houve registro de mortes decorrentes da doença no período.

Casos de mpox aumentam no Brasil em 2026
A principal forma de transmissão é o contato com alguém que esteja infectado (DIVULGAÇÃO HERMES PADINI)

O mpox, antes chamado de “varíola dos macacos”, é uma infecção viral, causada pelo vírus pertencente ao gênero Orthopoxvirus, que afeta principalmente a pele, as mucosas e, em alguns casos, órgãos internos. Ele provoca um quadro agudo, ou seja, com início relativamente rápido, que costuma durar de duas a quatro semanas. A maior parte dos casos apresenta evolução leve a moderada, mas pessoas com imunidade comprometida, gestantes, crianças pequenas e indivíduos com outras doenças podem ter formas mais graves.

A infecção chama atenção por duas razões principais: a possibilidade de transmissão entre pessoas em ambientes urbanos e o fato de causar lesões cutâneas que exigem cuidado adequado para evitar infecções secundárias e cicatrizes. A identificação precoce e o isolamento dos casos reduzem as chances de disseminação, motivo pelo qual hospitais, postos de saúde e laboratórios de vigilância vêm mantendo protocolos específicos desde o crescimento dos registros a partir de 2022.

Formas de transmissão

A transmissão do vírus mpox acontece, principalmente, por contato direto e prolongado com alguém infectado. Isso inclui o toque em lesões de pele, crostas, secreções ou mucosas, além do contato próximo em relações sexuais, abraços, beijos ou compartilhamento de objetos contaminados, como roupas de cama e toalhas. O vírus também pode se espalhar por gotículas respiratórias em conversas muito próximas e em ambientes fechados, embora essa via exija contato mais intenso e mantido por algum tempo.

Entre os modos de transmissão mais citados estão:

Contato pele a pele com lesões ou erupções de uma pessoa doente; toque em superfícies, roupas, lençóis ou objetos com secreções infectadas; contato íntimo, incluindo relações sexuais, independentemente da orientação sexual das pessoas envolvidas; exposição a gotículas respiratórias em ambientes sem ventilação, quando há proximidade prolongada.

Sintomas

Os sintomas do mpox costumam aparecer entre 5 e 21 dias após o contato com o vírus, período conhecido como incubação. O quadro geralmente começa com sinais inespecíficos, semelhantes aos de outras infecções virais, o que pode dificultar a percepção inicial. Em seguida, surgem as lesões de pele características, que ajudam o profissional de saúde a levantar a suspeita clínica.

Dentre os sintomas mais frequentes estão febre, geralmente moderada; mal-estar geral, cansaço e dor no corpo; dor de cabeça e, em alguns casos, dor nas costas; aumento de gânglios (ínguas) no pescoço, axilas ou virilha; e lesões de pele, que podem começar como manchas ou pápulas e evoluir para bolhas e crostas.

Essas lesões podem aparecer em várias partes do corpo, incluindo rosto, tronco, mãos, pés, região genital e área ao redor do ânus. Em parte dos casos recentes, a infecção se manifesta com poucas lesões, às vezes concentradas na região genital ou em mucosas, o que pode ser confundido com outras doenças sexualmente transmissíveis. A dor nas lesões, principalmente quando afetam áreas sensíveis, é um dos motivos que levam as pessoas a buscar atendimento médico.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é baseado na combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. O profissional de saúde analisa o histórico de contato, os sintomas e o aspecto das lesões e, quando há suspeita, coleta material diretamente das erupções cutâneas para análise por métodos como o que detecta o material genético do vírus. 

O tratamento é predominantemente de suporte, ou seja, voltado para aliviar sintomas e prevenir complicações. Dentre as medidas mais comuns estão o controle da dor e da febre, a hidratação adequada e os cuidados locais com a pele para evitar infecções bacterianas nas lesões. Em situações específicas, como pacientes com alto risco de evolução grave, podem ser considerados antivirais desenvolvidos inicialmente para outros orthopoxvírus, conforme avaliação especializada e disponibilidade na rede.

Recomendações gerais adotadas pelos serviços de saúde incluem manter as lesões limpas e secas, seguindo orientações de higiene fornecidas pela equipe de saúde; evitar coçar as áreas afetadas para reduzir o risco de cicatrizes e infecções secundárias; usar analgésicos e antitérmicos prescritos para controlar desconforto e febre; permanecer em isolamento domiciliar enquanto houver lesões ativas e crostas não totalmente cicatrizadas; e comunicar contatos próximos para que possam observar sintomas e, se necessário, buscar avaliação médica.

Aumento de casos em 2026

Com o avanço dos casos em 2026, a realização de testes moleculares volta ao centro da estratégia de contenção — não apenas para confirmar infecções, mas também para fortalecer a vigilância e evitar que o número de casos aumente de maneira alarmante.

O ministério da saúde recomenda que pessoas com sintomas compatíveis devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. Recomenda-se evitar o contato próximo com outras pessoas.

Natalia Natalino

Jornalista, produtora audiovisual e fotógrafa formada pela UFRRJ.🏳️‍⚧️

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