Acadêmicos de Santa Cruz lança enredo para o Carnaval 2027
Numa feijoada em sua quadra, na Rua do Império, a agremiação anunciou que contará a história do antigo Reino do Daomé, destacando a força, a coragem e a resistência das Agojiê, lendário exército feminino africano
O sábado (15) foi de festa na quadra da Rua do Império, em Santa Cruz, onde a verde e branco da Zona Oeste lançou, durante uma feijoada, o enredo para o Carnaval 2027. Assinado pelo consagrado carnavalesco Alexandre Louzada, o trabalho intitulado “Daomé, a Esparta Negra das Agojiê”, será uma visita à história do antigo Reino do Daomé, atual Benim. Ele destaca a força, a coragem e a resistência das Agojiê, o lendário exército feminino daquela região africana. O enredo propõe uma celebração da história africana e da potência das mulheres negras. Também estabelece conexões entre a herança do Daomé e manifestações culturais e religiosas presentes na diáspora africana no Brasil.

Festa com coirmã São Clemente
A festa de lançamento contou com a participação especial da coirmã São Clemente e reuniu comunidade, convidados, segmentos da escola e profissionais da imprensa carnavalesca. Diretor de Comunicação da Santa Cruz, Márcio Guilherme informou que o lançamento marcou o início da preparação da Santa Cruz para o Carnaval 2027. No próximo ano a escola retornará à Marquês de Sapucaí com um desfile, segundo ele, marcado por força, ancestralidade, identidade e emoção. Segundo a sinopse assinada por Louzada, a verde e branco da ZO lançará o seu olhar para a origem e a matriz identitária do Brasil. A estratégia será como um guia para enxergar a beleza e nobreza do país. Ela fará referência a uma espécie de ritual de gratidão que clama a expressão “Axé Odõ”.

Ênfase nas Agojiês
A sinopse diz que a ideia é invocar o poder purificador e renovador das águas para buscar paz, equilíbrio, harmonia e prosperidade para o desfile. “Faz assim a travessia inversa da Calunga para resgatar uma história perdida no tempo para além do porto de dores e agonia e de tantas partidas sem retorno”, enfatiza. A sinopse apresentada por Louzada explica que as Agojiês foram mulheres que lutaram por uma causa. Elas renunciaram a muitos de seus direitos naturais, que viveram e morreram por sua nação. As que sobreviveram tiveram que reconstruir suas vidas. Algumas delas, depois da derrota para o poderio bélico europeu, experimentaram atravessar o portal do “Cais da Despedida”. Assim, cruzaram o mar rumo ao desterro e ao desconhecido novo mundo.
Bravura, fé e inspiração
As mulheres destacadas no enredo levavam consigo sua bravura e sua fé, e, sem dúvida, tornando-se inspiração para tantas outras mulheres em todas as linhas do tempo de uma história classificada como distorcida. “Elas deveriam ser retratadas como uma memória que ainda ressoa nas lutas contemporâneas por reconhecimento do poder das mulheres”, associa o texto.
Conexão com empoderamento hoje
Adotando um discurso que guarda sintonia com o atual processo coletivo e individual que busca garantir autonomia, voz, igualdade de direitos e oportunidades para as mulheres na sociedade, na economia e na política, o enredo da Santa Cruz promete apresentar uma “Esparta Negra”, formada por felinas defensoras de seu clã, um extraordinário exército de mulheres que lutaram e morreram sem medo pelo seu povo, defendendo a soberania de um reino em que se acreditava como território capaz de oferecer espaços de poder em igualdade com o homens.
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