Senador Carlos Portinho debate economia e desenvolvimento em palestra na Aciapi
Diretoria da entidade reuniu em Itaguaí empresários e lideranças para discutir o impacto das reformas trabalhistas e tributárias no desenvolvimento econômico
A Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Itaguaí (Aciapi) foi palco, nesta segunda-feira (22), de uma intensa discussão sobre os rumos econômicos do Brasil. Convidado principal do evento, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) ministrou uma palestra voltada para empresários, lideranças locais e cidadãos da região. No centro do debate, o parlamentar abordou temas de forte impacto no ambiente de negócios nacional, como as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1, o teto do Simples Nacional e os reflexos diretos dessas medidas para o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade do país.

Modelos de Estado diferentes
Durante sua apresentação, o senador fez questão de traçar uma linha divisória clara entre a atual gestão federal e a anterior. Ex-líder do governo de Jair Bolsonaro no Senado, Portinho destacou o que considera diferenciais fundamentais entre os dois modelos de governabilidade. O parlamentar ressaltou as políticas de sua época de liderança como mais previsíveis e favoráveis ao mercado, contrastando-as com a atual condução econômica do governo Lula, a qual ele apontou como excessivamente centralizadora e onerosa para quem produz.

Defesa da redução da carga tributária
Nessa mesma linha ideológica, Portinho defendeu convictamente a adoção de um modelo de Estado liberal, argumentando que o excesso de burocracia sufoca o empreendedorismo. Ao criticar abertamente o desenho da reforma tributária proposto pela atual gestão, o senador desferiu uma alfinetada ao governo. Cobrou um texto que represente uma real e efetiva redução da carga tributária. Para ele, uma reforma estrutural só será válida se diminuir o peso dos impostos sobre as empresas, aliviando o setor produtivo de ponta a ponta.
Urgência na reforma tributária
O parlamentar também chamou a atenção para a urgência de uma reformulação econômica profunda que descomplique a rotina de quem gera riqueza. Portinho argumentou que a melhor forma de combater o desemprego é facilitando a vida dos empresários, removendo os entraves jurídicos e fiscais que impedem o crescimento das empresas. Na visão do senador, quando o ambiente de negócios se torna amigável e desburocratizado, a geração de novos postos de trabalho nasce de forma natural e sustentável.

Fuga de empresas para o Paraguai
Um dos momentos mais marcantes da palestra ocorreu após uma provocação vinda da plateia, que questionou o senador sobre a perda de competitividade internacional do Brasil. Em resposta, Portinho alertou para o preocupante fenômeno de debandada de empresas nacionais em direção ao Paraguai, atraídas por incentivos fiscais mais agressivos e menor burocracia. Como reflexo dessa crise, o senador citou o exemplo do Governo de Santa Catarina, que estuda viabilizar uma Zona de Processamento de Exportação paraguaia em solo catarinense, uma estratégia ousada para tentar estancar a fuga de capital e garantir a manutenção de empregos para os trabalhadores brasileiros.
Senador fala ao Atual
Após a palestra, Carlos Portinho concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Atual, estendendo o debate para temas estratégicos de infraestrutura e energia. O senador destacou o projeto da Rota 4-B, um gasoduto planejado para escoar o gás natural da Bacia de Bacalhau diretamente por Itaguaí. Portinho enfatizou que esse empreendimento tem o potencial de transformar a cidade em um hub energético global. Segundo ele, isso vai atrair indústrias e impulsionar significativamente a economia de toda a Costa Verde fluminense.

Foco no Porto de Itaguaí
Ainda na entrevista, o senador ressaltou o papel central do Porto de Itaguaí na logística nacional e defendeu investimentos robustos na indústria de defesa. Segundo o parlamentar, o fortalecimento desse setor não deve ser visto apenas sob a ótica econômica. Ele acentua que é a garantia da soberania nacional e do desenvolvimento tecnológico do país. O porto e as indústrias de defesa foram apontados por ele como ativos indispensáveis que o Rio precisa valorizar para retomar o protagonismo econômico.
Partilha dos royalties do petróleo
Portinho abordou a complexa disputa em torno da partilha dos royalties do petróleo, que hoje divide opiniões no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal. O senador defendeu que a resolução dessa pauta deve respeitar rigorosamente o equilíbrio e a harmonia entre os poderes da República. Ele alertou que decisões monocráticas ou interferências jurídicas excessivas trazem insegurança para os estados produtores, como o Rio de Janeiro. Para Portinho, o Congresso deve ser o palco soberano para definir o destino dessas receitas essenciais.
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